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Publicação do Instituto de Pesquisas Avançadas em
Educação |
Editorial
0 ano de 2006 traz
grandes desafios para a educação a distância e, no Brasil, será realizado
o mais importante evento sobre o setor.
A 22ª Conferência Mundial, promovida pelo ICDE e operacionalizada pela
ABED, que se realizará no Rio de Janeiro, em setembro, se apresenta como
uma excelente oportunidade para educadores de todo o mundo mostrem as
potencialidades da metodologia e as inovações que surgem no cotidiano das
instituições.
A RBEAD traz, nessa edição, um estudo sobre os desafios da EAD no Brasil,
como primeiro artigo.
Edita, ainda, um excelente trabalho do Professor José Manuel Moran, sobre
Avaliação do ensino superior a distância.
Um terceiro assunto abordado referem-se aos referenciais para a EAD e, por
fim, é dado foco a uma nova organização que surge nos continentes
americano e europeu: a Virtual Educa.
Ao longo do ano seis edições estarão circulando possibilitando que
bimestralmente os estudiosos da EAD possam conhecer e debater os grandes
temas da atualidade.
João Roberto Moreira Alves
(IPAEduc-
0s desafios da educação a distância
no Brasil
João Roberto Moreira Alves (*)
0 ano de 2006 traz grandes
desafios para o desenvolvimento da educação a distância no Brasil, especialmente
tendo em vista os resultados positivos que foram alcançados ao longo dos
primeiros anos desta nova década.
Após um longo período de descrédito da EAD que decorreu, especialmente, de
posicionamentos errôneos adotados pelo Poder Público, por mais de vinte anos,
onde alguns Ministros da Educação classificavam a metodologia como um processo
de ensino de segunda classe, a pressão exercida por algumas entidades fez com
que se notassem avanços no setor.
Uma prática que permitiu grandes debates foi a realização de uma série de
eventos. Inicialmente, os Encontros Nacionais e, posteriormente, os Congressos
Brasileiros e Internacionais de Educação a Distância permitiram que, a partir de
1989, especialistas se reunissem com absoluta regularidade, em várias cidades
brasileiras.(1)
Também tem sua parcela positiva a edição de trabalhos científicos em muitos
periódicos (2) através de autores nacionais e estrangeiros.
As conclusões dos congressos e os posicionamentos doutrinários influenciaram na
nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que incorporou a EAD no
contexto legislativo, e permitiram mudanças comportamentais por parte do
Conselho Nacional de Educação, que credenciou, em 1988, as primeiras
instituições para ministrarem cursos superiores num sistema semi-presencial. (3)
Entre a edição da LDB e o início de 2006, várias normas foram baixadas pelo
Ministério da Educação, objetivando regulamentar a EAD em nível superior, e
pelos Sistemas Estaduais de Educação, na educação básica.
Foram notados credenciamentos de 136 instituições públicas e privadas de ensino
superior (entre universidades, centros universitários, faculdades e instituições
especializadas) e aproximadamente 200 escolas fundamentais e médias, em todo o
país. Apesar de ser um número ainda reduzido, se compararmos com os 220.000
estabelecimentos de ensino distribuídos por todas as Unidades da Federação,
vemos excelentes programas sendo realizados tanto por grandes como por pequenas
organizações.
A implantação da metodologia por instituições bem referenciadas ajudou a
referenciar a EAD, permitindo que os brasileiros vissem que o sistema não servia
somente para facilitar a obtenção de diplomas, como apregoavam os predadores do
passado.
Paralelamente, o Executivo Federal criou a Secretaria de Educação a Distância,
trazendo-a para o âmbito do Ministério da Educação e consolidando os trabalhos
esparsos desenvolvidos por vários setores do governo. Isso fez com que se
demonstrasse, no cenário das políticas públicas, que existia um reconhecimento à
irreversibilidade da EAD no Brasil.
0 término de uma fase de expectativas sobre a EAD brasileira se deu exatamente
nove anos após a edição da Lei de Diretrizes e Bases, com a publicação de um
novo decreto, permitindo a criação de programas de pós-graduação stricto sensu a
distância.
Complementando essa demonstração de vontade, o MEC articulou a criação do
projeto Universidade Aberta do Brasil que não chega a ser propriamente uma
universidade aberta como existem em vários países e pretendiam os projetos de
lei que tramitaram no Congresso Nacional desde 1972 (4) e foram abortados por um
malfadado Parecer do finado Conselho Federal de Educação. (5)
Feitas essas considerações sobre o passado recente da EAD, podemos compartilhar
algumas prospecções acerca dos desafios para 2006.
Em primeiro lugar, entendemos, encontra-se a regulamentação dos programas de
mestrado e doutorado a distância, cuja incumbência foi delegada, pelo Decreto nº
5.622, de 19 de dezembro de 2005, à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do
Ensino Superior (6).
As normas complementares para o funcionamento do stricto sensu a distância terão
uma grande importância, não em termos de quantidade de cursos, mas em relevância
estratégica, pois será possível se ter, em todos os níveis, programas de EAD.
0 prazo para a edição dessas regras foi fixado em 180 dias contados da
publicação do decreto, que ocorreu no dia seguinte à supramencionada.
Um segundo item vincula-se à concessão de tratamento tarifário diferenciado para
os programas com o uso da metodologia. Hoje paga-se no Brasil o mesmo custo
para se transmitir conteúdos pedagógicos ou pornográficos, muito embora a
legislação assegure preços especiais para o primeiro. Para que essa perversa
regra seja mudada, basta um decreto específico por parte da Presidência da
República.
Uma seqüência de itens, listados não por ordem de relevância ou prioridade, se
apresenta como desafio.
A questão passa pela infra-estrutura e pela logística, especialmente nas escolas
públicas de educação básica, onde apenas 5,8% dos estabelecimentos de ensino
possuem mais de dez computadores e tão somente 13,6% acessam a internet. (7) Sem
que existam fortes investimentos no setor a EAD, será elitista e não permitirá a
democratização da educação de qualidade, especialmente para os excluídos
socialmente.
Será importante que em breve os Estados, por meio especialmente dos Conselhos e
Secretarias Estaduais de Educação, adaptem suas normas ao Decreto de 2005, sem
criarem exigências absurdas que impeçam os projetos nacionais, e que não excluam
das oportunidades de ascensão funcional os servidores públicos que obtiverem
seus ensinamentos por meio de cursos ministrados por EAD. (8)
A regulamentação criada pelo MEC impôs que exista, na própria esfera
governamental, um sistema de transparência de todas a informações. Isso será
importantíssimo para que todos tenham acesso ao que já existe e ao que está
tramitando no governo. (9)
Precisamos ter também no Brasil um maior número de trabalhos acadêmicos
bilíngües sobre as experiências bem e mal sucedidas em EAD e portais eletrônicos
ou impressos para que as mesmas sejam bem difundidas. A doutrina ainda é
reduzida, se comparada com outras nações, muito embora os níveis qualitativos
sejam satisfatórios.
A produção de material didático iniciará uma fase de uso com menor intensidade
dos "conteudistas" em favor da adoção de textos eletrônicos ou convencionais
utilizados nos cursos presenciais. Para que é preciso se reescrever o que já há
com tradição e reconhecimento público no mercado editorial?
No contexto das instituições que já adotam programas de EAD, o desafio é a
viabilização econômico-financeira dos empreendimentos, sem perder a qualidade.
Muitas iniciativas bem estruturadas pedagogicamente estão sendo sacrificadas por
não alcançarem os resultados esperados pelos empreendedores.
A figura do "tutor" tende a ser substituída (pelo menos na nomenclatura). A
definição jurídica do termo afirma que é uma pessoa responsável por um
incapaz. As instituições e os próprios alunos não aceitarão ser equiparados
aos desprovidos de poderes. Uma das missões dos especialistas é encontrar um
novo termo, mais adequado.
Será desafiador repensar o conceito de avaliação. Face aos avanços das
tecnologias, continuará sendo preciso deslocar alunos ou avaliadores para um
encontro presencial e uma verificação "cara a cara"?
Vale registrar também que um dos desafios é a adoção, com maior intensidade, de
conteúdos das disciplinas dos cursos superiores de graduação. Uma portaria
ministerial permite que 20% da carga horária sejam desenvolvidos de forma
semi-presencial. 0 percentual, definido de forma aleatória, precisa ser
abolido sendo transferida às instituições de ensino tal atribuição, conforme as
características peculiares de cada projeto e as condições próprias de cada casa
de ensino.
0utra tarefa relevante será a de convencer os Tribunais de Contas a aceitar a
aplicação de recursos públicos com uso da metodologia.
Em alguns Estados há restrições de que prefeituras façam gastos em programas de
EAD.
A adequada formação de profissionais para a educação ganhará espaços,
especialmente para atender às demandas que surgirão nas instituições públicas.
Capacitá-los corretamente é um dos desafios.
Chegando-se a um dos itens mais freqüentes nos dias de hoje - os eventos
realizados sobre EAD, é preciso que sejam planejados de forma mais harmônica,
evitando desperdícios de esforços e repetições de temas.
Já foram realizados ou estarão sendo promovidos congressos, seminários,
encontros e outros de denominação similar, por diversas organizações (10) com
fins lícitos mas que acabam congregando o mesmo público. 0 mais significativo
será a Conferência Mundial de EAD que será realizada no Rio de Janeiro em
setembro de 2006 (11),representando um grande passo para se mostrar as
potencialidades da EAD não só no Brasil como no Mundo. Será talvez o mais
importante desafio para que se dê uma cabal demonstração da capacidade dos
brasileiros em fazer uma EAD adequada às reais necessidades de uma nação com
características tão próprias como as notadas em todo nosso país.
Por fim, cremos, que o maior desafio é o de continuidade do que está dando
certo. Muitas das vezes vemos, quando há troca de governos, que são
apresentadas coisas boas e novas. Geralmente, os dois termos não representam
uma sintonia, onde as boas são antigas, e as novas, ruins.
Em matéria de educação o Brasil é o país do "já teve". Quantos programas
excelentes foram abandonados simplesmente por terem sidos de uma equipe que
deixou o poder?
Construindo-se as bases sólidas, a manutenção dos atuais governantes ou a
escolha de novos não trará grandes reflexos nas políticas públicas e ações
práticas no setor.
João Roberto Moreira Alves
Presidente do Instituto de Pesquisas Avançadas em
Educação
Presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional e
Diretor de Relações com o Poder Público da Associação
Brasileira de Educação a Distância
(1) 0s quatro primeiros
Encontros Nacionais e os três Congressos Brasileiros foram realizados pelo
Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação, no Rio de Janeiro. Com a criação
da ABED, os mesmos foram transferidos à nova entidade que os realiza até hoje;
(2) Revista Brasileira de Educação a Distância editada pelo Instituto de
Pesquisas Avançadas em Educação, Tecnologia Educacional, editada pela Associação
Brasileira de Tecnologia Educacional, e Revista Brasileira de Aprendizagem
Aberta e a Distância, editada pela Associação Brasileira de Educação a
Distância;
(3) A primeira instituição de ensino credenciada para programas de pós-graduação
a distância foi a Associação Brasileira de Tecnologia Educacional, na década de
80. Somente em 1998 houve um novo credenciamento, para curso de graduação
(Universidade Federal do Pará):
(4) 0 primeiro Projeto de Lei objetivando a criação da Universidade Aberta no
Brasil foi o de nº 962/72, sendo autor o Deputado Alfeu Gasparini;
(5) Parecer do Conselho Federal de Educação sendo relator Newton Sucupira;
(6) Decreto nº 5.622, de 2005, artigo 25, parágrafo 2º;
(7) Situação das Tecnologias de Informação e Comunicação e da educação a
distância (in portal do MEC/SEED);
(8) Decreto supracitado, artigo 29, que determina padronização de normas em 180
dias contados da publicação;
(9) Idem, artigo 8º, que prevê um sistema de informação aberto ao público;
(10) 0s eventos sobre EAD vêm sendo realizados pela Associação Brasileira de
Educação a Distância, Associação Virtual Educa Brasil, CREAD - Consórcio-Rede de
Educação a Distância, RICESU - Rede de Instituições Católicas de Ensino
Superior, Uni-Rede e outras;
(11) A Conferência Mundial de Educação Aberta e a Distância (22nd World
Conference on 0pen Learning & Distance Education do ICDE), que será realizada
pela ABED, de 1º a 5 de setembro de 2006, no Rio de Janeiro.
(IPAEduc- 142- 02/06)
Avaliação do ensino
superior a distância
José Manuel Moran (*)
Estamos numa fase de consolidação da EAD no
Brasil, principalmente no ensino superior. Quinhentas e quatro mil pessoas
no país usaram o ensino a distância em 2005, somente em faculdades
autorizadas pelo Ministério de Educação.
Na graduação e na pós-graduação, dobrou o número de estudantes
matriculados nessa modalidade entre 2003 e 2004. Em 2003, havia 76.769
alunos matriculados nessas modalidades; no ano seguinte, o número saltou
para 159.366. Somando todos os níveis de ensino, o número de alunos passa
de um milhão.
O Brasil aprende rápido e os modelos de sucesso são logo imitados.
Passamos de importadores de modelos de EAD para desenvolvedores de novos
projetos, de programas complexos implantados com rapidez.
Algumas razões principais para esse crescimento rápido: demanda reprimida
de alunos não atendidos, principalmente por motivos econômicos; o fato de
não ter um modelo consolidado de EAD tradicional, como acontece em grandes
países, que focavam mais o impresso e têm mais dificuldade em mudar
rapidamente para novos formatos on-line. Outras razões: a rapidez com que
o brasileiro adota novas tecnologias e o apoio governamental à EAD.
É muito difícil fazer uma avaliação abrangente e objetiva do ensino
superior a distância no Brasil, pela rapidez com que ela se expande nestes
últimos anos e porque a maior parte das pesquisas foca experiências
isoladas e porque há um contínua inter-aprendizagem: Cada instituição
aprende com as outras e passa a imitar as propostas bem sucedidas.
Temos dificuldade em visualizar todas as variantes que estão acontecendo,
pela quantidade de instituições envolvidas (ao redor de setenta).
Como avaliador de cursos superiores a distância do MEC tenho acompanhado
bastantes instituições e conhecido outras. Este é um primeiro esboço de
análise, que pretendo aprofundar posteriormente e que espero que incentive
a avaliação mais abrangente e sistematizada de outros grupos de pesquisa.
Alguns dados atuais no ensino superior a distância
Em dezembro de 2005 a página WEB do MEC mostra 118 Instituições de
Ensino superior autorizadas a
oferecer cursos de graduação, seqüenciais e de lato-sensu.
Algumas também oferecem cursos tecnológicos a distância.
Houve um forte crescimento nos últimos três anos. O maior número de
instituições credenciadas a atuar a distância é de universidades (76).
43,6%.
Dos 110 centros universitários existentes, somente 15 estão aptos a
funcionar com metodologia de EAD, o que equivale a 13,63%. Por fim, das
2.036 faculdades (isoladas, integradas, centros de ensino superior e
outras denominações) apenas 37 estão autorizadas, o que equivale a somente
1,81%.
Num mapa nacional, assim estão
as unidades de ensino credenciadas:
|
a) região norte |
|
|
- Pará |
3 |
|
- Amazonas |
2 |
|
- Tocantins |
2 |
|
- Roraima |
1 8 (6,25%) |
|
b) Região Nordeste |
|
|
- Bahia |
6 |
|
- Ceará |
4 |
|
- Maranhão |
2 |
|
- Rio Grande do Norte |
2 |
|
- Pernambuco |
1 |
|
- Alagoas |
1 |
|
- Sergipe |
1 17 (13,28%) |
|
c) Região Sudeste |
|
|
- Minas Gerais |
25 |
|
- Rio de Janeiro |
18 |
|
- São Paulo |
17 |
|
- Espírito Santo |
1 63 (49,22%) |
|
d) Região Sul |
|
|
- Paraná |
13 |
|
- Rio Grande do Sul |
9 |
|
- Santa Catarina |
7 29 (22,66%) |
|
e) Região Centro-0este |
|
|
- Mato Grosso do Sul |
4 |
|
- Distrito Federal |
4 |
|
- Mato Grosso |
2 |
|
- Goiás |
1 11 (8,56%) |
Atualmente todas as Universidades Federais
estão autorizadas ao menos em caráter experimental – por dois anos - para
atuar em Educação a Distância superior, por autorização do Ministério da
Educação, através da Portaria nº 873, publicada no Diário Oficial da União
de 11/04/2006.
Predominam os cursos de formação de professores, principalmente na
graduação. A maior parte das instituições utiliza o material impresso como
mídia predominante (84%). A Internet vem crescendo, e ocupa o segundo
lugar, com 63% de instituições que a utilizam em EAD.
Atualmente, a mídia impressa predomina em todos os tipos de ensino
oferecidos a distância: 81,3% das instituições com credenciamento federal,
que oferecem cursos de nível superior, utilizam o papel, contra 73,4% do
e-learning. Já as com autorização em âmbito estadual, com cursos de
educação básica e técnica, utilizam a mídia impressa em 93,9% dos casos,
ante 39,4% do e-learning.
Mídias mais utilizadas
|
Mídia |
Número de instituições |
% do total |
|
|
|
|
|
Impresso |
52 |
84 |
|
E-Learning |
39 |
63 |
|
Televisão |
14 |
23 |
|
Vídeo |
24 |
39 |
|
Rádio |
2 |
3 |
|
CD-Rom |
35 |
56 |
|
Outros |
11 |
18 |
O auxílio mais oferecido como suporte
aos alunos é o e-mail, com 87%; na seqüência vem o telefone, com 82%;
depois destaca-se o auxílio do professor presencial; com 76%; e do
professor on-line, com 66%. Alternativas como o fax chegam a 58%; cartas,
a 50%; reuniões presenciais, a 45%; e reuniões virtuais, por último, com
44%.
Recursos de apoio oferecidos ao aluno
|
|
87% |
|
Telefone |
82% |
|
Prof. presencial |
76% |
|
Prof. On-line |
66% |
|
Fax |
58% |
|
Carta |
50% |
|
Reunião Presencial |
45% |
|
Reunião Virtual |
44% |
|
Outros |
23% |
A maior parte das instituições começa sua
atuação em EAD de forma isolada, e com alcance predominantemente regional.
Mas há atualmente uma evolução forte para a formação de associações
pontuais ou mais estáveis, como os consórcios.
Há também uma mobilização grande das universidades públicas, que se unem
pressionadas pelo governo federal para participar de projetos de formação
de professores como o Pro-Licenciatura e cursos na área de administração
em convênio com empresas estatais inicialmente.
Há um crescimento gigantesco dos cursos por satélite com tele-aulas ao
vivo e tutoria presencial mais apoio da Internet.
Os cursos em EAD utilizam muito o material impresso e o apoio da Internet
é crescente. Uma parte das instituições só oferece os cursos pela WEB.
Cursos em EAD
muito diversificados ;
Cursos
prontos para alunos individualmente
Temos cursos prontos, com
instruções precisas para o aluno, baseados em materiais online, em cases,
animações, pequenos vídeos e atividades que o aluno realiza durante um
período determinado e que envia os resultados das atividades a um centro
que as corrige, normalmente, de forma automática e atribui um conceito que
permite o avanço do aluno para uma nova etapa.
A grande vantagem destes cursos é a flexibilidade de tempo.
O aluno pode começar e terminar dentro do seu próprio ritmo. O curso pode
acontecer a qualquer momento.
Não precisa reunir uma turma específica, com determinado número de alunos.
Isso facilita para a instituição e para o aluno.
Muitos cursos utilizam só materiais textuais disponibilizados na Internet.
Outros acrescentam apresentações em PowerPoint, trechos de vídeos,
gravações em áudio, um design para a Internet mais leve, de fácil
navegação e com formatos hipertextuais e multimídia.
Esses cursos precisam de um aluno maduro, auto-suficiente e auto-motivado.
Normalmente dão mais certo com profissionais que já estão atuando no
mercado e que querem evoluir na carreira ou que são pressionados para
atualização constante.
Outros cursos combinam uma proposta fechada, pronta com alguns
momentos de interação. O aluno tem a sua disposição um tutor ou um
orientador online, para dúvidas por e-mail ou em alguns horários
determinados. São cursos prontos, focados no conteúdo, com algum apoio
para tirar dúvidas, para encaminhamento de trabalhos, mas fundamentalmente
são direcionados para os alunos individualmente.
Cursos para
pequenos grupos
Outros cursos preparam os
materiais, as atividades, mas acontecem simultaneamente em grupos e
permitem que se organizem atividades individuais e coletivas, incentivam a
participação em determinados momentos.
São preparados, mas dependem para o seu sucesso do envolvimento real dos
alunos. Mas ainda estão centrados no material e nas atividades, com apoio
de professores e orientadores.
Em geral começam e terminam em tempos semelhantes, com quantidade mínima
de alunos simultaneamente. Combinam a flexibilidade individual com alguns
momentos de interação com orientadores e com os colegas.
Há cursos com propostas mais abertas. O professor cria alguns materiais,
atividades, questões e os alunos se organizam na escolha dos tópicos, dos
materiais, das pesquisas, da produção.
São cursos mais centrados na colaboração dos alunos do que no
professor e pressupõem alunos com muita maturidade, motivação e capacidade
de aprender juntos. Em geral são para um número relativamente pequeno de
alunos.
Cursos para
grandes grupos
Sempre se buscou atender a
muitos alunos ao mesmo tempo. Até agora a televisão continua imbatível
para atingir a milhares de alunos ao mesmo tempo.
O modelo mais aperfeiçoado foi o telecurso, com programas produzidos por
equipes profissionais, com apoio de material impresso e recepção
organizada em salas com um tutor. O Brasil, onde a televisão domina, nunca
conseguiu implantar permanentemente uma política de educação a distância
via TV. Sempre tivemos experiências isoladas, descontínuas, embora
importantes.
A rede de TVs educativas nunca foi efetivamente uma rede contínua. Houve
freqüentes tensões de produção entre o Rio (TVE) e São Paulo (TV Cultura).
Não houve uma política permanente e consistente de apoio à tv educativa e
a obtenção de canais educativos regionais serviu mais para atender a
interesses de pessoas e grupos do que a fins educacionais.
Países como a China e a Índia ainda hoje capacitam milhões de alunos
através da TV, enquanto no Brasil só temos ações pontuais.
Destacamos atualmente o Pró-Formação, curso de capacitação a distância,
promovido pela SEED – Secretaria de Educação a Distância do MEC - para
professores no nível médio, e que utiliza a TV (TV Escola) e material
impresso, com tutoria regional.
O Pró-Formação já capacitou até agora a mais de trinta mil professores em
serviço.
Outro programa importante é o “TV e os desafios de hoje”, curso de
extensão para professores utilizando a TV, o material impresso e tutoria.
Atualmente também tem uma versão na Internet, que será substituído em 2006
pelo curso modular, “Mídias na Educação”, por Internet e alguns momentos
presenciais.
Creio que o Brasil queimou a etapa da TV sem aproveitá-la de verdade e
atualmente o fascínio gira em torno da Internet, esquecendo que a
televisão pode ser um caminho muito interessante, combinado com outras
mídias, como a própria Internet.
Os cursos de massa hoje utilizam predominantemente a teleconferência
como mídia principal.
Na teleconferência um professor transmite sua aula para muitas salas
espalhadas pelo país com até cinqüenta alunos por sala e acompanhados por
um tutor local que faz a ponte presencial com o professor e tutores que
estão online.
Os alunos podem fazer algumas perguntas pela Internet, fax, telefone, por
controle remoto. Essa mistura de aulas ao vivo, atividades online e texto
impresso é um modelo promissor para alunos que têm dificuldade em
trabalhar sozinhos, em ter autonomia intelectual e gerencial da sua
aprendizagem.
Parcerias e consórcios em EAD
As expectativas sobre o sucesso dos consórcios foram grandes no fim da
década de noventa. Mas a realidade é desigual. Alguns consórcios estão
caminhando bem e outros ainda não avançaram tanto quanto o prometido ou
esperado. Há uma retomada atualmente de parceiras pontuais para
determinados cursos, com o apoio do MEC.
O consórcio da Unirede chegou a incorporar 80 universidades e gerou até
agora menos ações efetivas do que se esperava e do seu grande potencial.
Houve bastante dificuldade de gestão, de articulação, de passagem da
teoria para a prática. A formação de consórcios é, em muitos casos, o meio
de viabilizar a oferta de cursos na educação a distância (EAD) no Brasil.
Alguns deles se formaram recentemente, quando a Seed/MEC (Secretaria de
Educação a Distância do Ministério da Educação) abriu edital de chamada
para as universidades apresentarem projetos de graduação para a formação
de 17,5 mil professores em biologia, química, física e matemática.
O modelo mais tradicional adaptado das Universidades tradicionais a
distância da Europa surge na Universidade de Brasília, de forma pioneira e
intermitente e foi desenvolvido na graduação de forma pioneira no curso
superior de Pedagogia para os anos iniciais pela Universidade Federal do
Matogrosso, em Cuiabá. Parte do material impresso, e pólos regionais, com
tutores locais.
Desde 1995, já formou mais de 15 mil professores para atuar no ensino
fundamental (da 1ª a 8ª série).
Esse modelo é replicado e aperfeiçoado por muitas universidades, entre
elas as do Estado do Rio de Janeiro, no Projeto CEDERJ, que incluem a
Internet como espaço de disponibilização de material e de interação. O
Cederj é formado pelo governo do Estado do Rio e seis instituições
públicas: a UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense), UERJ
(Universidade Estadual do Rio de Janeiro), UFF (Universidade Federal
Fluminense), UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UFRRJ
(Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) e Unirio. Toda a estrutura
do Cederj é mantida por uma fundação criada pelo governo do Estado do Rio
de Janeiro, que investiu R$ 16 milhões em 2004 e 24 milhões em 2005. Os
alunos matriculados não têm custos quanto a mensalidades, já que as
instituições participantes são públicas.
Assim, quem cursa uma graduação pelo Cederj está regularmente matriculado
em uma as seis entidades conveniadas. Terminado o curso, o diploma é
expedido por uma delas.
O sistema do Cederj é formado por cem docentes, que desenvolvem o material
didático. Há também 75 técnicos (diagramadores, webdesigners, editores de
vídeo, produtores gráficos, etc.), responsáveis pela produção desse
material, livros, vídeos e, principalmente, para a atualização do ambiente
eletrônico (universidade virtual) em que trabalham os alunos.
O computador e a Internet estão entre as principais ferramentas de
trabalho do Cederj. Mas, como muitos alunos não possuem acesso à
tecnologia e a maior parte mora distante das instituições conveniadas, o
consórcio tem 18 pólos regionais espalhados pelo Rio.
Os alunos se dirigem a esses pontos periodicamente, onde encontram, além
de computadores, tutores para orientar o aprendizado e tirar dúvidas.
São cerca de 5,9 mil pessoas distribuídas em quatro cursos: licenciatura
em matemática, biologia, pedagogia e física. 'Para 2005, a previsão é
abrir 5.200 mil vagas [1.600 a mais que em 2004]e criar quatro novos
cursos, de administração, química, geografia e tecnologia da computação",
diz Bielschowsky, coordenador do Cederj.
Há consórcios privados, como a UVB, - Universidade Virtual
Brasileira.
A UVB, criada em maio de 2000, estava composta por dez instituições:
Universidade Anhembi Morumbi, SP Universidade da Amazônia, PA
Universidade do Sul
de Santa Catarina
, SC, Universidade para o Desenvolvimento do Estado e
da Região do Pantanal, MS, Universidade Potiguar, RN,
Universidade Veiga de
Almeida
, RJ Centro Universitário Monte Serrat, SP, Centro
Universitário Newton Paiva, MG. Centro Universitário do Triângulo, MG,
Centro Universitário Vila Velha, ES. Desenvolve cursos de graduação em
administração e marketing, alguns de lato sensu e de extensão. A realidade
atual está distante das expectativas e promessas iniciais, embora tenha
boas condições de crescer no futuro.
Num consórcio há que aprender a integrar culturas organizacionais
diferentes, formas de gestão diferentes, tempos diferentes, pessoas
diferentes. E isso requer aprendizagem, flexibilidade, tempo para acertar
arestas, encontrar os mesmos caminhos.
Um consórcio que cresce com cuidado e que pode evoluir muito é o RICESU-
Rede de Instituições Católicas de Ensino Superior – integrada por 14
instituições católicas brasileiras e que começa com a revista virtual
Colabor@ de educação a distância e com a construção de uma biblioteca
virtual e digital comum.
Numa segunda etapa disponibiliza os cursos das diversas instituições,
procurando otimizar os recursos, a infra-estrutura física, tecnológica e
de conhecimento consolidado. Cada instituição preserva sua identidade em
EAD, sua forma de atuar nela. Possivelmente numa outra etapa haverá uma
maior integração.
A sua evolução é lenta, mas firme. Como cada instituição tem liberdade de
escolher o design dos cursos, a integração pode demorar mais, porque
algumas instituições só oferecem cursos pela Internet, como a Católica de
Brasília, enquanto que a PUC-RS utiliza também vídeo e teleconferência.
Modelo de aulas por teleconferência
O modelo que mais se estendeu nestes últimos três anos é o das
tele-aulas por satélite e interação pela Internet. São instituições que
oferecem aulas ao vivo por satélite para centenas de salas, tutoria local,
atividades presenciais e complemento na WEB. Têm um potencial imenso de
expansão pela capacidade de atendimento a milhares de alunos
simultaneamente e de fácil instalação tecnológica. A educação a distância
está presente em municípios que sequer contavam com instituições de ensino
tradicionais.
O modelo gerador dos cursos atuais em EAD surge no avanço das aulas de
videoconferência dos cursos de Mestrado e Doutorado a Distância da
Universidade Federal de Santa Catarina, fundamentalmente por
videoconferência. Um desses cursos com a Tecpar gerou a Universidade
Eletrônica, que criou propostas inovadoras em 1998, integrando
videoconferência, material impresso e Internet, no
Curso Normal Superior com Mídias Interativas, que ofereceu em parceria com
a Universidade de Ponta Grossa, no Paraná. A partir desta experiência,
outros grupos foram surgindo e implementaram propostas semelhantes.
Merecem destaque os cursos do
PEC-SP,
cursos de capacitação de professores em serviço da Rede Estadual e
Municipal de São Paulo, que seguiram esse modelo capacitando mais de 12
mil professores. Outras universidades trocaram a videoconferência por
tele-aulas por satélite e se expandiram com maior rapidez. Seguem este
modelo, entre outras, a Universidade do Norte do Paraná –
UNOPAR,
de Londrina, a
FACINTER
de Curitiba, a
EDUCOM,
hoje com sede na cidade da Lapa, no Paraná. Outros grupos chegam
posteriormente às tele-aulas, como a Faculdade de Ciências e Tecnologia –
FTC
– de Salvador, que importou um grupo da Universidade Estadual de Ponta
Grossa, e a
UNIDERP,
de Campo Grande, MS. Estas instituições operam com o modelo de aulas ao
vivo para dezenas ou centenas de tele-salas, simultaneamente, onde em cada
uma há uma turma de até cinqüenta alunos que assiste a essas aulas ao
vivo, sob a supervisão de um tutor local e que realiza algumas atividades
complementares na sala.
A interatividade se dá
a partir da comunicação entre alunos e professores através de perguntas
mandadas via Internet pelo chat e que podem ser respondidas ao vivo via
teleconferência, depois de passarem por um filtro de professores
auxiliares ou tutores.
Essas aulas são complementadas com atividades de leitura e pesquisa,
coordenadas por um tutor eletrônico, um tutor a distância. Os alunos tem
professores das disciplinas, um tutor presencial e um virtual que os
acompanham ao longo do curso.
Além das aulas e das atividades presenciais, os alunos desenvolvem
atividades de leitura e pesquisa individualmente, a partir de material
impresso recebido ou disponibilizado na WEB.
É um modelo que está sendo utilizado mais na formação de professores,
Normal Superior e Licenciaturas e que, diante da demanda existente, tem se
espalhado com incrível rapidez nestes últimos três anos, dada a facilidade
de criar tele-salas em parceria com instituições regionais. Atingem
fundamentalmente os professores em serviço ou futuros professores que têm
dificuldade de pagar um curso presencial ou que moram longe dos grandes
centros e que têm dificuldade de deixar a sua cidade de origem.
Algumas destas instituições conseguem abrir vestibulares para 10 mil
alunos de uma vez e conseguem chegar em pouco tempo a mais de trinta mil
alunos a distância. É um fenômeno novo, de grande impacto na educação e
que, por ser recente, ainda não está sendo muito divulgado e pesquisado.
O sucesso da tele-aula
se deve a que consegue fazer uma passagem mais fácil para a EAD, retoma o
contato com o professor, a relação olho-no-olho.
Mesmo uma parte das atividades são feitas localmente, em grupo, com um
mediador (tutor ou professor assistente).
Os alunos não precisam de tanta autonomia para gerenciar o tempo. Parece
um curso presencial, com menos aulas e é mais barato.
O custo sem dúvida é outro enorme atrativo. Muitos alunos de cursos de
formação de professores me disseram que era a única forma de acesso ao
ensino superior, diante da impossibilidade de bancar os custos dos cursos
presenciais.
Outro fator de sucesso é que o custo das transmissões por satélite vem
diminuindo e tornam cada vez mais viável a abertura de novas salas. A
infra-estrutura local é relativamente simples e econômica. Costumam ser
utilizados prédios ou salas ociosos, principalmente, a noite, de colégios
que só funcionam no período diurno.
Com o crescimento rápido do número de alunos, de pólos, de tele-salas
fica, na minha avaliação, muito difícil manter a qualidade. Com o tempo, o
projeto original apresentado ao MEC vai sendo adaptado, modificado e, em
geral, banalizado. Os cursos de grande número de alunos costumam ir
diminuindo o processo e tempo de qualificação dos professores tutores ou
assistentes, o seu acompanhamento.
Esse tutor costuma ser chamado para agir de forma generalista, isto é, é
tutor de todas as disciplinas. Na prática o seu papel de orientação de
aprendizagem e de facilitador, intelectual e emocional, implica em
conhecimentos superiores aos exigidos.
O crescimento rápido e a multiplicação do número de alunos, com a equipe
de coordenação praticamente idêntica, sobrecarrega algumas pessoas que,
por serem competentes, são cada vez mais solicitadas, tornando o seu
trabalho mais superficial pela quantidade de demandas que são obrigadas a
assumir.
O modelo aula gravada e tutoria
Existem cursos superiores a distância que focam muito a gravação de
aula, com bons recursos e especialistas e apostam depois no oferecimento
desses conteúdos em vídeo ou CD com apoio de tutor local.
O exemplo mais significativo é o IESDE, de Curitiba, que privilegia
a gravação das aulas com bons profissionais em vídeo e oferece as aulas
com tutores presenciais, o mesmo para todas as disciplinas de um curso.
É um modelo baseado na transmissão de conteúdos, até para cursos de
formação de professores. Mesmo que as aulas sejam interessantes, o tutor
generalista dificilmente tem condições de aprofundar as questões, as
atividades previstas e de adaptá-las à cada situação concreta.
Falta-lhe até agora a este modelo, a interação com professores mais
experientes que supervisionem os tutores e que criem possibilidades de
pesquisa real e de interação mais rica e abrangente.
Outros Modelos em EAD
Outras universidades, principalmente públicas, como a Federal do
Paraná, a UDESC – Universidade Estadual de Santa Catarina, a como a
Federal de Alagoas, a de Ouro Preto, partem do material
impresso e evoluem para a Internet como apoio e aperfeiçoam a tutoria, a
interação. Na medida em que avança a Internet, ela passa a ser mais
utilizada principalmente para a interação, para a tutoria, para o apoio ao
aluno. Entre as instituições privadas, a pioneira foi a AIEC –
Associação Internacional de Educação Continuada - de Brasília com o curso
de Administração e a PUC-RS com o de Engenharia Química.
O curso de Administração a distância da AIEC tem
metodologia semi-presencial, isto é, o aluno realiza atividades a
distância e atividades presenciais, tanto via rede como em sala de aula.
As turmas são compostas por até 50 alunos, que se reúnem periodicamente
sob a orientação do tutor, para discutir casos ou realizar atividades
práticas.
Nessas reuniões, o tutor atua como moderador e como facilitador das
discussões. Cada aluno participa de um pequeno grupo. Os grupos são
importantes para a execução de trabalhos de forma cooperativa com os
colegas e também para que o aluno não se sinta isolado. A interação se faz
por e-mail, fórum, chat ou telefone, visando debater os
temas do conteúdo, preparar os casos para discussão ou auxiliar o colega
nas possíveis dúvidas. O conteúdo das disciplinas é disponibilizado na
rede, por meio de um gerenciador específico, juntamente com as orientações
para o bom rendimento no estudo. Cada disciplina é dividida em unidades de
ensino que apresentam os textos básicos, leituras adicionais e casos. Os
textos básicos são preparados para o estudo individual, com ilustrações,
hotwords e links para outras páginas. Enquanto estuda, o
aluno pode testar sua compreensão por meio de exercícios corrigidos
imediatamente, anotar seus comentários e elaborar resumos em espaço
reservado para isso. A aprendizagem de cada aluno é avaliada a partir do
resultado das provas presenciais e da participação nas discussões e
trabalhos nos grandes e pequenos grupos. Durante todo o período de curso,
o Tutor da turma estará fazendo o acompanhamento e a orientação da vida
acadêmica do aluno e analisando seu perfil para fins de estágios e
emprego.
Merece destaque o avanço da Unisul, em Santa Catarina, na implantação de
cursos que utilizam o material impresso como suporte e a Internet para
interação. Também estão evoluindo bastante o Senai, o Sesi e o Senac na
oferta de cursos a distância, apoiando-se em material impresso, Internet e
algumas vídeo ou teleconferências. A dificuldade maior é conseguir atingir
uma gestão ágil e coordenada dentro e entre as instituições.
O Governo brasileiro assume a EAD
O Ministério de Educação está implantando uma política de
democratização da educação a distância no ensino superior e na educação
básica de forma sólida e pro-ativa, nestes últimos anos. Um dos programas
mais consolidados da Secretaria de Educação a Distância do MEC é o
Proformação que já capacitou 30 mil professores desde 1999.
O Programa de Formação de Professores em Exercício - Proformação é um
curso a distância, em nível médio, com habilitação para o magistério na
modalidade Normal, realizado pelo MEC em parceria com os estados e
municípios. Destina-se aos professores que, sem formação específica,
encontram-se lecionando nas quatro séries iniciais, classes de
alfabetização, ou Educação de Jovens e Adultos - EJA, nas redes públicas
de ensino do país.
O Ministério da Educação está implementando o projeto Programa de Formação
Inicial para Professores em Exercício no Ensino Fundamental e no Ensino
Médio (Pró-Licenciatura).
O Programa apóia o oferecimento de cursos de licenciatura a distância para
professores da rede pública em exercício nos anos/séries finais do ensino
fundamental e no ensino médio, sem habilitação na disciplina em que
estejam exercendo a docência.
Estão participando Instituições de Ensino Superior (IES) públicas,
comunitárias ou confessionais interessadas, em parceria.
O MEC criou em outubro de 2005 a UAB - a universidade aberta do Brasil. Não é uma universidade tradicional, mas uma coordenadora de projetos de ensino superior, que serão executados por universidades públicas com pólos locais instalados por prefeituras e com incentivo financeiro de empresas estatais e privadas. A UAB (Universidade Aberta do Brasil) anunciou a abertura de um curso piloto com 10 mil vagas em um curso inédito de graduação em administração, ministrado a distância, com início ainda em 2006. Em cada Estado estão sendo definidos, pelas universidades, locais dos pólos regionais e infra-estrutura para atendimento dos estudantes nas aulas presenciais. O candidato terá um processo de tutoria ativa, em pólos regionais que, aliado ao uso da informática, permite o monitoramento do desempenho e fluxo de atividades, facilitando a identificação de possíveis dificuldades de aprendizagem. A intenção é abrir outros cursos de graduação em áreas onde há demanda, podendo chegar em pouco tempo a mais de cem mil alunos a distância.
Mudanças que a EAD está
provocando na educação presencial
Como avaliador do MEC de cursos superiores a distância, tenho ouvido,
repetidas vezes, testemunhos de professores e coordenadores sobre o
impacto inesperado dos bons cursos de educação a distância nos cursos
regulares presenciais. Na implantação da EAD costuma haver, nas
universidades, uma certa desconfiança inicial e até um distanciamento
generalizado. Alguns professores, chamados para escrever textos, percebem
que não basta serem especialistas em sua área; precisam aprender a
escrever de forma coloquial para os alunos, a comunicarem-se afetivamente
com eles, a preparar atividades detalhadas. Mais tarde, convidados a
gerenciar alguns módulos a distância ou a supervisionar as atividades de
professores-assistentes ou tutores, constatam que a organização de
atividades a distância exige planejamento, dedicação, comunicação e
avaliação bem executados; caso contrário, os alunos se desmotivam e
desaparecem.
Esses mesmos professores, ao voltar para as salas de aula presenciais,
costumam ter uma sensação de estranhamento, de que no presencial falta
algo; de que o planejamento é muito menos rigoroso, que as atividades em
sala são muito menos previstas, que o material poderia ser mais adequado e
que a avaliação é decidida, muitas vezes, ao sabor dos acontecimentos.
Professores e alunos, ao ter acesso a bons materiais a distância, costumam
trazê-los também para a sala de aula presencial e isso vem contribuindo
para a diminuição da separação que ainda há entre os que fazem cursos a
distância e os presenciais, nas universidades.
Um exemplo claro da influência
de um curso a distância no ensino presencial o testemunhei em Belo
Horizonte, no reconhecimento do curso Veredas, de formação superior para
professores em serviço, realizado por 18 instituições de Ensino Superior
de Minas Gerais.
Estavam presentes as equipes de coordenação das três universidades de Belo
Horizonte participantes: A UFMG - Universidade Federal, a UEMG -
Universidade Estadual - e a FUMEC -
Fundação Mineira de
Educação e Cultura. Todas as pessoas destacaram a importância do Projeto
Veredas para a melhoria dos cursos presenciais de educação. Um impacto
importante acontece na relação entre professores e alunos.
O conceito de tutoria desloca o foco da aprendizagem para os alunos e
exige um contato freqüente, um acompanhamento individual bem diferente da
forma como habitualmente o professor age em relação aos alunos
presenciais, onde costuma focar o grupo, a maioria, a média.
A EAD online, que utiliza
tecnologias interconectadas, está contribuindo para superar a imagem de
individualismo, de que o aluno em EAD tem que ser um ser solitário,
isolado em um mundo de leitura e atividades distantes do mundo e dos
outros.
A Internet traz a flexibilidade de acesso junto com a possibilidade de
interação e participação. Combina o melhor do off line, do acesso
quando a pessoa quiser com o online, a possibilidade de conexão, de estar
junto, de orientar, de tirar dúvidas, de trocar resultados.
A EAD online nos mostra a importância do planejamento, da organização, da
preparação de bons materiais. Bons materiais, fáceis de compreender, de
navegar, facilitam imensamente o trabalho do aluno.
A EAD nos mostra a importância do auto-estudo, da aprendizagem dirigida. O
professor não precisa concentrar toda a sua energia em transmitir a
informação. Pode disponibilizar materiais para leitura individual e
realização de atividades programadas, pesquisas, projetos, combinando o
seu papel de informador com o de mediador e o de contextualizador. Os
cursos presenciais poderiam ter um mix de informação, pesquisa
(individual e grupal) e auto-estudo.
Ela nos faz descobrir como é importante estarmos juntos, e como, ao
estarmos juntos, podemos resolver facilmente os problemas de aprendizagem,
as dúvidas.
O estar juntos facilita a criação de confiança, de laços afetivos. Destaca
o papel fundamental do tutor na criação de laços afetivos. Os cursos que
obtêm sucesso, que tem menos evasão, dão muita ênfase ao atendimento do
aluno, à criação de vínculos, de laços afetivos.
A educação online a distância nos liberta do modelo de um professor para
um grupo de alunos como o único possível. É um luxo ter um grande
profissional somente para poucos alunos.
O grande especialista, o professor brilhante, pode ter hoje muitas mais
chances de mostrar o seu valor. Pode participar de cursos em que é o
professor responsável, com aulas magistrais, que são completadas e
atualizadas por professores assistentes em vários estados e grupos.
Os grandes professores podem transformar-se em orientadores, em
palestrantes, em coordenadores de atividades de muitos grupos.
A educação
on-line de qualidade reafirma um princípio por demais conhecido de que o
foco principal está na aprendizagem mais do que no ensino.
E o faz concentrando toda a proposta pedagógica em que o aluno aprenda
sozinho e em grupo, com leituras, pesquisas, projetos e outras atividades
propostas de forma equilibrada, progressiva e bem dosadas ao longo do
curso.
Na EAD a maior parte do tempo do professor não é “lecionar”, mas
acompanhar, gerenciar, supervisionar, avaliar o que está acontecendo ao
longo do curso. O papel do professor muda claramente: orienta, mais do que
explica.
Isto também pode acontecer na educação presencial; mas até agora
desenvolvemos a cultura da centralidade do papel do professor como o
falante, o que informa, o que dá as respostas. A EAD de qualidade nos
mostra algumas formas de focar mais a aprendizagem do que o ensino.
Um bom curso a distância possui um equilíbrio entre atividades individuais
e a aprendizagem colaborativa, em grupos.
Esse equilíbrio pode ser incorporado no ensino presencial: Os alunos podem
desenvolver atividades sozinhos e outras em grupos, participando de
projetos, pesquisas e outras atividades compartilhadas. Para isso, não
precisam ir todos os dias para uma mesma sala, estar com professores em
tempos e horários totalmente previsíveis.
Alunos com acesso em outros locais que a universidade, podem realizar as
atividades colaborativas sem estar juntos, mas conectados. Alunos com
dificuldades de acesso, o encontrarão na própria universidade em salas
conectadas, como bibliotecas e laboratórios.
Justifica-se assim uma maior flexibilidade de organização dos horários e
tempos de sala de aula e de outros tempos de aprendizagem supervisionada,
sem necessariamente obrigar os alunos a estarem no mesmo lugar e tempo com
o professor.
O design educacional de um curso a distância também pode ser adaptado, em
determinados momentos, ao presencial. Algumas disciplinas mais básicas ou
comuns a vários cursos podem ser colocadas na WEB depois de um bom
planejamento e desenho do curso.
Esse material, leve, atraente e comunicativo pode servir de base para a
informação necessária do aluno, para que o aluno o acesse pessoalmente,
antes de realizar algumas atividades. Essas disciplinas com o material na
WEB podem ser compartilhadas por mais de um professor ou tutor, quando são
muitos os alunos. Isso permite que essas disciplinas possam ser oferecidas
quase integralmente a distância.
Muitas instituições hoje estão colocando algumas disciplinas a distância
em cursos presenciais como parte dos vinte por cento possíveis. Em geral
as universidades começam por disciplinas de recuperação como forma de
poder atender aos alunos com mais dificuldades e evitar também o inchaço
de turmas.
Depois, oferecem a distância disciplinas comuns a vários cursos como
Metodologia de Pesquisa, Sociologia e outras semelhantes.
O currículo pode ser
flexibilizado, segundo as portarias 2253 e
4.059 do MEC, em 20% da carga total. Algumas disciplinas podem ser
oferecidas total ou parcialmente a distância. O vinte por cento é uma
etapa inicial de criação de cultura online.
Mais tarde, cada universidade irá definir qual é o ponto de equilíbrio
entre o presencial e o virtual em cada área do conhecimento. Não podemos
definir a priori uma porcentagem aplicável de forma generalizada a todas
as situações.
Algumas disciplinas necessitam de maior presença física, como as que
utilizam laboratório, as que precisam de interação corporal (dança,
teatro....). O importante é experimentar diversas soluções para diversos
cursos. Todos estamos aprendendo.
Mudanças que a
educação presencial conectada está provocando na educação a distância
A combinação de tecnologias em rede e inovações no ensino presencial estão
modificando as formas de organização da educação a distância.
Até pouco tempo atrás o importante era o conteúdo. Toda a ênfase era dada
ao design dos materiais, para que fossem auto-instrucionais, para que o
aluno, sozinho, conseguisse acompanhar e se motivar para continuar
aprendendo.
Agora muitos cursos de EAD estão percebendo que o material sozinho não é
suficiente para a maior parte dos alunos. Bons materiais
auto-explicativos, mesmo feitos com multimídia, não costumam ser
suficientes para que os alunos se motivem, aprendam, a longo prazo.
Em cursos de longa duração e com alunos jovens, a interação é cada vez
mais importante: a assessoria, a tutoria, ter alguém por perto, a
participação em grupo, o sentimento de pertença a um grupo é fundamental.
Hoje há uma revalorização do contato, do estarmos juntos, dos momentos
presenciais significativos, porque isso contribui para diminuir o índice
tradicional de evasão. Quanto mais interação, atenção ao aluno, menor é a
desistência.
A EAD online está permitindo a combinação de ter professores perto do
aluno (presenciais), professores que orientam pela Internet
(professores-assistentes) e professores autores, professores com maior
experiência, responsáveis por todo o processo, e que, direta ou
indiretamente, atingem a centenas ou milhares de alunos, quando antes só
podiam, no presencial, fazê-lo com grupos restritos.
São muitos os
cursos que destacam a importância da interação com o aluno como elemento
fundamental do sucesso de um curso a distância. Destaco este de Bioquímica
da Unicamp:
“Ainda que geograficamente
distantes, os alunos não se sentiram isolados e/ou desamparados. O intenso
diálogo estabelecido foi a principal variável que contribuiu para este
resultado. Declarações dos alunos sobre as interações (estabelecimento de
diálogo) fortalecem essas conclusões.”
Além da interação online, os cursos a distância estão redescobrindo a
importância de, quando possível, os alunos se conhecerem também
presencialmente. É freqüente a organização de semanas presenciais, no
começo e no fim de um módulo ou de um curso.
A EAD está aprendendo também com os novos cursos presenciais a
importância de que o aluno pesquise, sozinho e em grupo, o que é
importante.
O texto serve como guia, como ponto de partida, mas a pesquisa é um
componente fundamental da aprendizagem a distância. A Internet facilita
muito as possibilidades da pesquisa, de encontrar materiais
significativos, embora, esta mesma quantidade complica a escolha do que é
mais relevante. Os textos impressos são rígidos, difíceis de atualizar
pelo custo da impressão. Com a Internet, a possibilidade de atualização é
imediata e barata.
Isso permite combinar materiais programados, impressos com atualizações
online, constantes. Isso está trazendo um dinamismo inédito para a EAD,
uma possibilidade de competir, pela primeira vez, com o presencial na
oferta de condições para o aluno acessar materiais atualizados. Antes os
materiais de EAD estavam melhor planejados, mas ficavam rapidamente
desatualizados. Hoje, não mais.
A EAD atual, com o avanço dos cursos online, está podendo desenvolver
estratégias variadas de aprendizagem: Hoje há muitos jogos online,
principalmente em cursos ligados a empresas, como forma de experimentar
situações possíveis na vida profissional, unindo o lúdico e a simulação de
experiências diferentes.
Há uma combinação maior de estratégias individuais e grupais, de
atividades programadas, previstas e outras adaptadas aos grupos
específicos.
Hoje existem cursos com alunos em vários países, ou que permitem o seu
acompanhamento online mesmo em deslocamento constante pelo país ou pelo
exterior.
Isto é novo, é algo que as tecnologias o permitem agora, e que antes seria
muito mais caro e precário.
A EAD atual, com a Internet, está podendo diversificar as formas de
avaliação. Pode combinar momentos de avaliação a distância com os
presenciais, de avaliação do conteúdo e do processo, das atividades
individuais e grupais, da construção individual (pesquisa, portfólio) com
a coletiva.
Isso é novo e até há pouco, sem a Internet, seria muito mais difícil de
realizar e gerenciar.
Avanços e problemas em EAD
Há avanços significativos. Diante das dificuldades em atender a
milhares de pessoas sem formação adequada, o Governo vem aderindo e
incentivando ações a distância. Ao assumir o governo a Universidade Aberta
a Distância - idéia antiga que nunca vingou no Brasil e que agora renasce
não como uma universidade própria, mas como apoio às iniciativas das
universidades públicas na formação de professores e na interação entre
empresas e universidades para formação profissional - entra o Brasil numa
etapa de amadurecimento da Educação a Distância, de legitimação e de
consolidação das instituições competentes.
Os recursos econômicos da Secretaria de Educação a Distância -SEED são
importantes para que as universidades públicas superem as dificuldades
internas de gestão e atuem em conjunto para atender às especificações das
licitações do MEC.
Constato que muitas universidades estão se capacitando para atuar, estão
buscando responder rapidamente às demandas oficiais.
É importante garantir recursos não só para a produção de materiais para
novos cursos, mas também para a sua implementação e continuidade
posterior.
Apesar do preconceito ainda existente, hoje há muito mais compreensão de
que a EAD é fundamental para o país.
Temos mais de 70 instituições de ensino superior atuando de alguma forma
em EAD. O crescimento exponencial dos últimos três anos é um indicador
sólido de que a EAD é mais aceita do que antes. Mas ainda é vista como um
caminho para ações de impacto ou supletivas.
É vista como uma forma de atingir quem está no interior, quem tem poucos
recursos econômicos, quem não pode freqüentar uma instituição presencial
ou para atingir rapidamente metas de grande impacto.
O Brasil passou da fase importadora de modelos, para a consolidação de
modelos adaptados à nossa realidade. Os cursos por tele-aulas tornam a EAD
menos “distante” dos presenciais, porque ampliam e multiplicam a aula ao
vivo e isso diminui a sensação de individualismo e solidão que muitos
alunos sentem em cursos só baseados em conteúdos impressos ou na WEB.
Há cursos baseados em colaboração, em participação real e grupal na
aprendizagem. O foco em projetos colaborativos também se desenvolve com
rapidez e traz um dinamismo novo para a EAD. Outros se apóiam em cases, em
análise de situações concretas, o que lhes confere uma ligação grande com
o mercado e com uma pedagogia participativa.
Já foi apontado antes que nos cursos de grande número de alunos costuma
diminuir a qualidade, as exigências de capacitação da equipe pedagógica,
principalmente tutoria. Em alguns cursos de tele-aulas, o acesso à
Internet é importante para a pesquisa, a realização e o envio de
atividades. Em alguns estados, esse acesso à Internet é muito mais
complicado e não há computadores suficientes para os alunos, nos encontros
presenciais.
E os alunos em cidades grandes dificilmente voltam para o pólo local,
depois das tele-aulas, para fazer pesquisa e atividades on-line. Em um
desses sistemas de tele-aulas um coordenador me disse que em alguns
estados o índice dos alunos que acessavam à Internet em alguns estados não
chegava ao cinqüenta por cento. Como o curso exigia esse acesso, significa
que metade dos alunos deixava de realizar atividades importantes de
aprendizagem e eram aprovados. Assim como no presencial, em alguns pólos
locais, tenho observado bastantes alunos fora da sala de aula, que marcam
a presença e depois saem durante as tele-aulas. Por outro lado, prestar
atenção durante duas horas em um monitor de 29 polegadas para uma sala
grande, não é fácil (esse problema fica amenizado quando há na sala um
projetor multimídia com projeção em tela grande).
As instituições estão aprendendo rapidamente a fazer EAD e isso é uma
grande vantagem. Queimamos etapas, aprendemos fazendo. Mas os modelos
costumam caminhar para uma certa simplificação, um nível de exigência
menor que o inicial, diante de demandas grandes. A avaliação presencial
tende a ser feita na forma de prova, em geral de múltipla escolha, o que
levanta dúvidas se esse instrumento é eficaz para verificar a aprendizagem
significativa. O argumento de alguns responsáveis por EAD é que no
presencial também acontece a banalização do ensino e que é difícil avaliar
milhares de alunos simultaneamente com provas dissertativas. As críticas
ao presencial mal feito não eximem a EAD de tentar formas de avaliação
mais formativas do que somativas e conteudísticas.
Quando se critica o nível de exigência ao aluno em alguns cursos de EAD,
apresentam-se pesquisas de grau de satisfação dos alunos, em geral alto.
Considero importante esse feedback de satisfação dos alunos. Tenho eu
feito com freqüência esse contato com alunos em diversos estados
brasileiros e constato que para muitos deles a EAD é um grande caminho de
inclusão e de crescimento. Aumenta a sua auto-estima e isso é muito
importante. Tenho, porém, dúvidas de se o aluno se torna um pesquisador,
se caminha para a autonomia intelectual (essa mesma dúvida tenho em
relação a muitos cursos presenciais). O material didático em EAD é muito
desigual. Algumas instituições, como o Cederj, têm um processo de produção
bastante rigoroso, enquanto outras oferecem aos alunos um material barato
impresso, com pouca interação ou é disponibilizado na WEB para muitos
alunos sem acesso regular à rede.
É comum também a confusão dos alunos, principalmente nos cursos de
especialização, com certos nomes de autores de conteúdo famosos, que são
apresentados para os alunos como participantes da equipe de gestão do
curso, quando, na prática, esses autores costumam só participar na fase da
elaboração do conteúdo ou na gravação de algum vídeo pontual. Há muito
marketing em alguns campos, que beira a propaganda enganosa.
Algumas universidades, principalmente públicas, têm uma dificuldade grande
de gerenciar seus cursos, pessoas e recursos em EAD. Em duas universidades
grandes, como avaliador, encontrei cursos de especialização funcionando
sem que os diversos responsáveis e grupos se conhecessem e, muito menos,
interagissem dentro da mesma universidade. Utilizavam plataformas
diferentes, pessoas em funções semelhantes, duplicadas. Cursos como esses
surgiram de iniciativas individuais, isoladas, dentro de departamentos,
sem um planejamento institucional.
Outro grande problema, principalmente das públicas, é a continuidade da
gestão. Muitas iniciativas perdem força quando o responsável pela
iniciativa se aposenta ou se afasta. Alguns cursos são oferecidos
esporadicamente, sem continuidade, o que impede um crescimento
significativo.
Precisa, na EAD como no presencial, conciliar duas dimensões
contraditórias, em parte: participação, descentralização de decisões,
flexibilidade na gestão com comando, liderança, visão estratégica. Em
universidades grandes, principalmente de gestão pública, a quantidade de
instâncias intermediárias (Conselhos representativos em vários níveis
hierárquicos), de um lado, garante uma maior participação dos vários
segmentos representados, mas, na prática, se tornam fins em si mesmos, não
possuem visão de conjunto, privilegiam seus grupos de apoio e retardam
decisões estratégicas. Em universidades com forte liderança de gestão, as
decisões são mais rápidas, se avança mais rapidamente, mas costumam ser
tomadas sem real consenso, sem consulta verdadeira e levando em conta mais
as questões administrativo-financeiras do que as inovações didáticas
necessárias.
Conclusão
Tanto na educação a distância acadêmica como na presencial é
importante organizar processos de ensino-aprendizagem adaptados a cada
tipo de curso, a cada tipo de aluno. Muitos alunos têm dificuldade de
trabalhar sozinhos só com o computador, sem interação. Quanto mais adulto
e avançado no nível de aprendizagem, mais o aluno está pronto ou para a
aprendizagem individualizada ou para a colaborativa. Tem pessoas que
gostam de seguir seu próprio caminho, de sentir-se livres para escolher o
que lhes parece melhor. São auto-dirigidos. Com poucas indicações eles
avançam. Outros alunos são extremamente dependentes, precisam de
monitoramento constante, de sentir um orientador por perto. Outros
aprendem melhor juntos, física e virtualmente. É claro que uma instituição
de ensino superior ou organização não pode personalizar tanto suas
propostas. Mas parece sensato seguir algumas tendências:
Alunos jovens, em fase de formação, como em um curso de graduação, são
sensíveis a estratégias que combinem presença física e virtual, atividades
individuais e grupais, desenvolvimento de projetos, atividades, práticas,
produções. Se possível o curso ideal é o bimodal, o mix de presencial e
virtual, que é o caminho de muitos cursos nos próximos anos. Se houver um
predomínio de atividades a distância individuais, convém marcar atividades
grupais com certa freqüência para manter os vínculos, a motivação, o
sentimento de grupo. Mesmo nas atividades virtuais são importantes as
formas de comunicação como listas, fóruns e chats, onde eles possam se
expressar, participar, se tornar visíveis para os demais.
Conclusão
Reconhecendo as inúmeras vantagens da educação a distância, continuo
preocupado com os modelos da maioria dos cursos focados, tanto a distância
como presenciais, mais no conteúdo do que na pesquisa; na leitura pronta
mais do que na investigação e em projetos. O ensino superior, tanto no
presencial como no a distância, reproduz, ainda, um modelo inadequado para
a sociedade da informação e do conhecimento, onde nos encontramos.
Com as tecnologias cada vez mais rápidas e integradas, o conceito de
presença e distância se altera profundamente e as formas de ensinar e
aprender também. Estamos caminhando para uma aproximação sem
precedentes entre os cursos presenciais (cada vez mais semi-presenciais) e
os a distância. Os presenciais começam a ter disciplinas parcialmente
a distância e outras totalmente a distância. E os mesmos professores que
estão no presencial-virtual começam a atuar também na educação a
distância. Teremos inúmeras possibilidades de aprendizagem que combinarão
o melhor do presencial (quando possível) com as facilidades do virtual.
Em poucos anos dificilmente teremos um curso totalmente presencial. Por
isso caminhamos para fórmulas diferentes de organização de processos de
ensino-aprendizagem. Vale a pena inovar, testar, experimentar, porque
avançaremos mais rapidamente e com segurança na busca destes novos modelos
que estejam de acordo com as mudanças rápidas que experimentamos em todos
os campos e com a necessidade de aprender continuamente
Caminhamos para uma flexibilização forte de cursos, tempos, espaços,
gerenciamento, interação, metodologias, tecnologias, avaliação. Isso nos
obriga a experimentar pessoal e institucionalmente modelos de cursos, de
aulas, de técnicas, de pesquisa, de comunicação. É importante que os
núcleos de educação a distância das universidades saiam do seu isolamento
e se aproximem dos departamentos e grupos de professores interessados em
flexibilizar suas aulas, que facilitem o trânsito entre o presencial e o
virtual. Todas as universidades e organizações educacionais, em todos os
níveis, precisam experimentar como integrar o presencial e o virtual,
garantindo a aprendizagem significativa.
(*)Doutor em Comunicação pela USP e professor aposentado da ECA-USP
Coordenador de educação on-line da Faculdade Sumaré-SP e Professor de Novas Tecnologias na Uniban-SP. Membro do comitê de avaliação de cursos superiores a distância do MEC. Autor do livro Mudanças na comunicação pessoal (2001) e Co-autor de Novas Tecnologias e mediação pedagógica (10a ed. 2006) e Educação Online (2003).
Página: www.eca.usp.br/prof/moran
(IPAEduc
Referenciais de qualidade para educação a distância
0 trabalho que a seguir
é apresentado traz a orientação do Ministério da Educação para se atingir
qualidade nos programas de educação a distância.
Elaborado sob a liderança da Professora Carmen Neves, da Secretaria de EAD
do MEC, o texto mantém-se atualizado, mesmo tendo sido elaborado há algum
tempo, sendo utilizado como base para a análise de projetos de
credenciamento de instituições de ensino superior.
Ao elaborar a primeira versão deste documento em 1998 e publicá-lo na
página do MEC, meu propósito era o de aprofundar um primeiro texto
escrito em 1997 e publicado na revista Tecnologia Educacional n° 144/98, da Associação
Brasileira de Tecnologia Educacional – ABT, bem como o de colher sugestões para seu
aperfeiçoamento e de subsidiar discussões mais pragmáticas sobre elaboração de projetos de cursos a
distância. Sua aceitação pela comunidade acadêmica e educadores, no
entanto, foi imediata e, mesmo informalmente, o documento passou a ser uma
referência para as comissões que analisavam processos de autorização de cursos de graduação
a distância. Em 2002, uma Comissão de Especialistas nomeada pela Secretaria de
Educação Superior baseou-se neste documento para elaborar o Capítulo 2 de seu Relatório. Esta nova versão procura para dar-lhe um caráter mais
amplo. As mudanças são para que possa servir de orientação também para outros cursos
que não sejam apenas os de graduação. Continua sendo um texto que trata de um
referencial básico, sem a pretensão de esgotar a complexidade e abrangência de um projeto de
curso a distância. De fato, a educação
a distância com todo o potencial das novas tecnologias da
informação e da comunicação ainda é um objeto de aprendizado para nós, educadores. Ou seja,
parodiando Umberto Eco, é uma
obra aberta, e como tal deve ser apreendida e
enriquecida por cada um de nós. Com criatividade, conhecimento e competência, caminhos mais
complexos podem ser trilhados. O pano de fundo do texto é minha crença na necessidade de
democratizar a educação e na capacidade que temos todos nós, educadores, de fazer
educação com elevado padrão de qualidade, independente de distâncias.
Brasília, 02 de abril de 2003.
CARMEN MOREIRA DE CASTRO NEVES
Diretora de Política de Educação a Distância
REFERENCIAIS DE QUALIDADE PARA CURSOS A DISTÂNCIA “Qualidade não é obra do acaso. Resulta de intenção, esforço e competência.” George Herbert
Considerações Gerais
A educação a distância vem crescendo rapidamente em todo o
mundo. Incentivados
pelas possibilidades decorrentes das novas Tecnologias da Informação e das
Comunicações-
TICs e por sua inserção em todos os processos produtivos,
cada vez mais cidadãos e instituições vêem nessa forma de educação um meio de
democratizar o acesso ao conhecimento e de expandir oportunidades de trabalho e
aprendizagem ao longo da vida. Ocasionalmente, debate-se, nacional e internacionalmente,
qual a terminologia mais apropriada, já que, com os inúmeros recursos tecnológicos,
eliminam-se as distâncias e fronteiras e torna-se enorme a diversidade de arranjos e
combinações possíveis. Não é intenção desse documento discutir esta questão. Mais
proveitoso é encararmos educação a distância como
uma expressão idiomática que significa, na verdade, educação independente de distâncias. E o tempo do debate em torno de um nome
mais adequado pode ser dedicado ao desenvolvimento de projetos de qualidade – este sim, um
grande desafio. Assim, para efeito desses referenciais, considera-se que a
diferença básica entre educação presencial e a distância está no fato de que,
nesta, o aluno constrói conhecimento – ou seja, aprende - e desenvolve competências, habilidades,
atitudes e hábitos relativos ao estudo, à profissão e à sua própria vida, no tempo e local
que lhe são adequados, não com a ajuda em tempo integral da aula de um professor, mas com a
mediação de professores (orientadores ou tutores), atuando ora a distância, ora em
presença física ou virtual, e com o apoio de sistemas de gestão e operacionalização
específicos, bem como de materiais didáticos intencionalmente organizados, apresentados em
diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados
através dos diversos meios de comunicação. O desafio de educar e educar-se a distância é grande, por
isso o objetivo deste documento é apresentar referenciais que orientem alunos,
professores, técnicos e gestores na busca por maior qualidade dessa forma de educação ainda
pouco explorada no Brasil.
A base sobre a qual se fundamenta este trabalho é a de que
o compromisso ético daquele que educa a distância é o de desenvolver um
projeto humanizador, capaz de livrar o cidadão da massificação, mesmo quando dirigido a grandes
contingentes. Para isso, é preciso ter como foco a aprendizagem do aluno e superar a
racionalidade tecnológica que valoriza meios em detrimento dos fins.
A superação da racionalidade tecnológica, todavia, exige
domínio das linguagens e tecnologias de que vamos dispor e abertura para a mudança
de modelos “presenciais”, no que diz respeito a aspectos culturais, pedagógicos,
operacionais, jurídicos, financeiros, de gestão e de formação dos profissionais envolvidos com a preparação
e implementação desses cursos.
As técnicas, tecnologias e métodos de educação a distância
têm sido incorporados pelas melhores universidades do mundo em seus cursos
presenciais. Essa forte tendência sinaliza, para um futuro próximo, o crescimento da
educação combinada - a que harmoniza presença e distância, balanceando-as de acordo com a
natureza do curso e as necessidades do alunado. Em outras palavras, em algum tempo, não mais
usaremos essa distinção tão comum hoje em nosso vocabulário: falaremos em educação,
sabendo que ela incorpora atividades de aprendizagem presenciais e atividades de
aprendizagem a distância.
A Portaria 2.253/2001 incentiva as instituições superiores
brasileiras a um trabalho nessa direção. Espera-se que os referenciais sugeridos a seguir possam
colaborar na construção de cursos e disciplinas a distância de qualidade.
Muitas vezes o leitor achará que um referencial já está
subentendido em um item anterior. De fato, todos eles estão intrinsecamente
ligados, como os pontos de uma rede de pesca. E se em uma rede é tão forte quanto seu elo mais
fraco, é necessário que a instituição adote uma abordagem global na construção de seu projeto,
evitando que a falha em um ponto possa comprometer o bom desenvolvimento do todo. Outras vezes, os referenciais se assemelham aos que se
exigem para os cursos presenciais. Isto é fato e reflete uma visão de que, com
mais ou menos presença em uma sala de aula, o que importa para o cidadão e para a sociedade
brasileira é ter uma formação pautada em inquestionável padrão de qualidade.
II. Referenciais de Qualidade de Cursos a Distância
Os referenciais aqui sugeridos não têm força de lei, mas
servirão para orientar as Instituições e as Comissões de Especialistas que forem
analisar projetos de cursos a distância.
O princípio-mestre é o de que não se trata apenas de
tecnologia ou de informação: o fundamento é a educação da pessoa para a vida e o mundo do
trabalho. São dez os itens básicos que devem merecer a atenção das
instituições que preparam seus cursos e programas a distância:
1. compromisso dos gestores;
2. desenho do projeto;
3. equipe profissional multidisciplinar;
4. comunicação/interação entre os agentes;
5. recursos educacionais;
6. infra-estrutura de apoio;
7. avaliação contínua e abrangente;
8. convênios e parcerias;
9. transparência nas informações;
10. sustentabilidade financeira.
Além dos aspectos aqui apontados, a Instituição poderá
acrescentar outros mais
específicos e que atendam a particularidades de sua
organização e necessidades sócioculturais de sua clientela, cidade, região.
1. COMPROMISSO DOS GESTORES
A decisão de oferecer cursos a distância exige muitos
investimentos. São investimentos em preparação de pessoal (muitas vezes incluindo
contratação de profissionais com perfis e competências diversas ou complementares ao quadro da
instituição), em infra-estrutura tecnológica, em produção de materiais didáticos, em
sistemas de comunicação, monitoramento e gestão, em implantação de pólos descentralizados, em
logística de manutenção e de distribuição de produtos, entre outros. Conforme o caso,
são necessárias alterações no arcabouço normativo, pois a legislação existente nem
sempre contempla profissionais que se dedicam ao trabalho a distância e alunos que não
freqüentam regularmente os campi das instituições. Todos esses investimentos envolvem recursos financeiros e
tempo. Não se montam cursos a distância de qualidade em dois ou três meses. Portanto, a decisão e o compromisso dos gestores das
instituições e dos sistemas educacionais é fundamental para o sucesso de uma política
de cursos a distância. O Brasil é pródigo em exemplos de professores muito
competentes no uso de tecnologias e educação a distância. Mas quase sempre eles
foram vistos como grupos de excêntricos ou visionários, que se dedicaram às pesquisas
nesse campo sem apoio oficial –quando muito, alcançavam a piedosa complacência dos
gestores. Algumas vezes, os grupos que atuavam na área, disputavam entre si, em vez de,
unidos, buscarem a sensibilização dos dirigentes. O resultado disso foi que a educação a
distância ficou sendo uma ilha em nossas universidades e instituições.
Neste momento histórico, desprezar ou mesmo minimizar a
importância das tecnologias na educação presencial e a distância é errar de século.
Todo gestor – de instituição e de sistema de ensino – precisa refletir sobre o compromisso
que significa educar no século XXI. Décadas atrás, o grande mestre Paulo Freire alertava para
uma educação “identificada com as condições de nossa realidade. Realmente instrumental,
porque integrada ao nosso tempo e ao nosso espaço e levando o homem a refletir sobre sua
ontológica vocação de ser sujeito”. Nosso tempo hoje é o das crianças e jovens que nasceram,
vivem e irão trabalhar numa sociedade em permanente desenvolvimento tecnológico. Nosso
espaço é o de um mundo plugado a uma rede que afeta a todos, mesmo àqueles que
não estão diretamente conectados.
A educação que oferecemos deve livrar o homem da
massificação e da manipulação e contribuir para que cada um possa ser o autor de sua
própria história de forma competente, responsável, crítica, criativa e solidária. Dessa forma, cabe ao gestor:
• informar-se sobre o potencial das tecnologias na
educação presencial e a distância;
• avaliar com clareza o que é novo e o que é permanente em
educação (tecnologias de ponta não eliminam a necessidade do
domínio escrito e falado da língua; do desenvolvimento do raciocínio lógico; da
aquisição dos conceitos matemáticos, físicos e químicos básicos; dos
conhecimentos, competências, hábitos, atitudes e habilidades necessários para trabalhar
e usufruir plena e solidariamente a vida);
• sensibilizar sua equipe para as mudanças necessárias;
• identificar, em conjunto com os profissionais da
instituição, quais as áreas com maior probabilidade de sucesso para iniciar o processo de
inserção das tecnologias nos cursos de sua instituição e sua oferta a
distância;
• coordenar a definição de um plano estratégico de
trabalho e seu cronograma;
• identificar possíveis parceiros nas áreas pública e
privada;
• buscar financiamento para apoiar todas as ações que
sejam necessárias, em especial: preparação e contratação de pessoal, aquisição
de infra-estrutura tecnológica, produção de materiais didáticos,
desenvolvimento de sistemas de comunicação, monitoramento e gestão, implantação de pólos
descentralizados, preparação da logística de manutenção e de distribuição de
produtos.
2. DESENHO DO PROJETO
Para começo de conversa, educação a distância não é
sinônimo de redução de tempo de integralização de currículos, cursos e programas.
Um curso ou programa a distância inserido nos propósitos
da educação escolar do país, com ela entrelaça seus objetivos, conteúdos,
currículos, estudos e reflexões. Portanto, deve oferecer ao aluno referenciais teórico-práticos que
colaborem na aquisição de competências cognitivas, habilidades e atitudes e que
promovam o seu pleno desenvolvimento como pessoa, o exercício da cidadania e a
qualificação para o trabalho. Ou seja, precisa estar integrado às políticas, diretrizes,
parâmetros e padrões de qualidade definidos para cada nível educacional e para o curso
específico. Dessa maneira, se a carga horária para um determinado
curso é de 3.000 horas, o desenho do curso a distância deve equivaler a essa carga
horária. Cabe ao aluno, em função de sua experiência e conhecimentos prévios, encurtar o
tempo de estudos. Sua chance de aprender não pode ser cortada a priori pela instituição.
Quando se fala em flexibilidade da educação a distância,
não se quer dizer eliminar objetivos, conteúdos, experimentações, avaliações.
Flexibilidade em educação a distância diz respeito ao ritmo e condições do aluno para aprender tudo
o que se vai exigir dele por ter completado aquele curso, disciplina ou nível de ensino.
Obviamente, a instituição tem que estar preparada para esse conceito de flexibilidade que
vai exigir dela grande maleabilidade para responder a diferentes ritmos.
Programas, cursos, disciplinas ou mesmo conteúdos
oferecidos a distância exigem administração, desenho, lógica, linguagem, acompanhamento,
avaliação, recursos técnicos, tecnológicos e pedagógicos, que não são mera transposição
do presencial. Ou seja, a educação a distância tem sua identidade própria.
Uma referência fundamental é a natureza do curso aliada às
características da clientela. De fato, o uso das novas tecnologias da
informação e das comunicações pode tornar mais fácil e eficaz a superação das distâncias,
mais intensa e efetiva a interação professor-aluno, mais educativo o processo de
ensino-aprendizagem, mais verdadeira e veloz a conquista de autonomia pelo aluno. Nem sempre, porém,
será possível sua utilização, dadas as possibilidades de acesso da clientela (alunos sem
linhas telefônicas, computadores etc...) Programas a distância podem, portanto, apresentar
diferentes desenhos e múltiplas combinações de linguagens e recursos educacionais e
tecnológicos, respeitando sempre o fato de que não podem abrir mão da qualidade em todo o
processo. Certificado ou diploma recebido por um curso feito a
distância deve ter o mesmo valor que um realizado de forma presencial. A educação a
distância, portanto, não é sinônimo de curso supletivo de ensino fundamental ou médio a
distância. Tendo em vista as considerações anteriores, uma
instituição que deseje ofertar cursos ou programas a distância com qualidade deverá:
1 De acordo com o artigo da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, educação escolar abrange a educação básica (infantil, fundamental e média) e a
superior.
2 Material televisivo, por exemplo, não representa um
problema para a quase totalidade dos alunos brasileiros, visto que, segundo o IBGE, 87,7% das casas
brasileiras têm aparelho de televisão. O percentual, entretanto, não se estende a aparelhos de
videocassete.
• conhecer a legislação sobre educação a distância e todos
os instrumentos legais que regem a educação escolar brasileira, em especial os
das áreas escolhidas;
• atender às orientações do Conselho Nacional de
Educação-CNE, dos Conselhos Estaduais de Educação e aos padrões de qualidade traçados
para cada curso ou programa, respeitando objetivos, diretrizes curriculares
nacionais, critérios de avaliação, perfil do profissional, dentre outros, além de
explicitar a flexibilização da carga horária e do período previsto para integralização do
currículo;
• considerar também sugestões das entidades de classe,
conforme a área do curso proposto;
• somente começar a oferta do curso ou programa com o
parecer do Conselho de Educação competente;
• participar das avaliações nacionais, como Provão, SAEB,
ENEM e estaduais, quando houver;
• respeitar as exigências que a Lei 9.394/96 estabelece
para ingresso no ensino superior: classificação em processo seletivo e conclusão
do ensino médio ou equivalente (artigo 44, inciso II).
• estabelecer as bases filosóficas e pedagógicas de seu
curso ou programa a distância;
• iniciar a oferta somente quando tiver testado sua capacidade de atender
tanto às atividades comuns quanto resolver questões contingenciais,
de forma a garantir continuidade e o padrão de qualidade estabelecido para o
curso;
• distribuir responsabilidades de administração, gerência
e operacionalização do sistema a distância;
• identificar características e situação dos alunos
potenciais;
• preparar seus recursos humanos para o desenho de um
projeto que encontre o aluno onde ele estiver, oferecendo-lhe todas as
possibilidades de acompanhamento, tutoria e avaliação, permitindo-lhe
elaborar conhecimentos/saberes, adquirir hábitos, habilidades e
atitudes, de acordo com suas possibilidades;
• analisar o potencial de cada meio de comunicação e
informação (impressos, televisão, Internet, teleconferência, computador, rádio,
fitas de audiocassete,videocassete, momentos presenciais, dentre outros),
compatibilizando-os com a natureza do curso a distância que deseja oferecer e as
características de seus alunos;
• pré-testar materiais didáticos e recursos tecnológicos a
serem usados no programa, oferecendo manuais de orientação aos alunos;
• providenciar suporte pedagógico, técnico e tecnológico
aos alunos e aos professores/tutores e técnicos envolvidos no projeto,
durante todo o desenrolar do curso, de forma a assegurar a qualidade no processo;
• apresentar aos alunos o cronograma completo do curso,
cumprindo-o para garantir a tranqüilidade durante o processo;
• prever os espaços para estágios supervisionados
determinados pela legislação, oferecer a estrutura adequada aos professores responsáveis
por esse exercício, inclusive considerando alunos fora da sede, garantindo
momentos privilegiados de articulação teoria-prática;
• preparar plano de contingência para que não falte ao
aluno o suporte necessário;
• comprometer-se formalmente ante os alunos a, em caso de
descontinuidade do programa, motivada pela própria instituição,
assegurar-lhes as condições/certificações necessárias para que possam pedir
aproveitamento de estudos em outro estabelecimento ou programa.
3. EQUIPE PROFISSIONAL MULTIDISCIPLINAR
“Como a senhora sabe, cursos a distância não têm
professores.” Essa frase foi dita a mim por uma diretora de instituição que desejava trabalhar
a distância. É um grande equívoco considerar que programas a distância
podem dispensar o trabalho e a mediação do professor. Nos cursos a
distância, os professores vêem suas funções se expandirem. Segundo Authier (1998), “são
produtores quando elaboram suas propostas de cursos; conselheiros, quando acompanham os
alunos; parceiros, quando constroem com os especialistas em tecnologia abordagens
inovadoras de aprendizagem”. Importantes mudanças acontecem quando os professores
decidem trabalhar com tecnologias na educação presencial ou a distância. Em
primeiro lugar, passam a ser aprendizes de novo: aprendizes de diferentes tecnologias,
linguagens e modos de comunicação. Aprendem a gerenciar a sala de aula –
presencial ou virtual – de uma outra forma. Aprendem, também, a conhecer a Lei de Direitos
Autorais: o direito dos autores nos quais desejam se basear e os próprios direitos, já que
passam a ser produtores de impressos, CDRoms e páginas na Internet. Aprendem, ainda, a conviver
com alunos que eventualmente conhecem mais a tecnologia do que eles mesmos,
estabelecendo uma relação de aprendizado recíproco. É importante ter clareza de que educação se faz com e para
pessoas. Por trás de um software inteligente, de um impresso instigante, de uma
página multimídia bem montada, de um vídeo motivador, existem a competência e criatividade
de educadores e de outros profissionais comprometidos com a qualidade da educação. A instituição que oferece curso ou programas a distância,
além dos professores especialistas nas disciplinas ofertadas e parceiros no
coletivo do trabalho político-pedagógico do curso, deve contar com as parcerias de profissionais
das diferentes TICs, conforme a proposta do curso e ainda:
• dispor de educadores capazes de:
a) estabelecer os fundamentos teóricos do projeto;
b) selecionar e preparar todo o conteúdo curricular de
articulado a procedimentos e atividades pedagógicas, inclusive interdisciplinares;
c) identificar os objetivos referentes a competências
cognitivas, habilidades e atitudes;
d) definir bibliografia, videografia, iconografia,
audiografia etc., básicas e complementares;
e) elaborar textos para programas a distância;
f) apreciar avaliativamente o material didático antes e
depois de ser impresso, videogravado, audiogravado, etc, indicando correções e
aperfeiçoamentos;
g) motivar, orientar, acompanhar e avaliar os alunos;
h) auto-avaliar-se continuamente como profissional
participante do coletivo de um projeto de curso ou programa a distância;
i) fornecer informações aos gestores e outros membros da
equipe no sentido de aprimorar continuamente o processo;
• apresentar currículo e documentos necessários que
comprovem a qualificação dos diretores, coordenadores, professores, tutores,
comunicadores, pesquisadores e outros profissionais integrantes da equipe
multidisciplinar responsável pela concepção, tecnologia, produção, marketing, suporte
tecnológico e avaliação decorrentes dos processos de ensino e aprendizagem a
distância;
• considerar, na carga horária de trabalho dos
professores, o tempo necessário para atividades de planejamento e acompanhamento das atividades
específicas de um programa de educação a distância;
• indicar a política da instituição para capacitação e
atualização permanente dos profissionais contratados;
• estabelecer uma proporção professor - alunos que garanta
boas possibilidades de comunicação e acompanhamento.
4. COMUNICAÇÃO/INTERATIVIDADE ENTRE PROFESSOR E ALUNO
O aluno é sempre o foco de um programa educacional e um
dos pilares para garantir a qualidade de um curso a distância é a comunicação entre
professores e alunos, hoje enormemente facilitada pelo avanço das TICs. A relação via correio, sozinha, típica dos cursos por
correspondência antigos, não mais reflete o estágio atual de desenvolvimento tecnológico no
campo da comunicação. Assim, para atender às exigências de qualidade do processo
pedagógico atual - salvo em algum caso muito específico, de aluno que resida em local isolado e
sob condições muito peculiares em que sempre será admitida esta forma de comunicação –
também devem ser oferecidas as atuais condições de telecomunicação (telefone, fax,
correio eletrônico, teleconferência, fórum de debate em rede, etc...). Junto com a interação professor-aluno, a relação entre
colegas de curso, mesmo a distância, é uma prática muito valiosa, capaz de
contribuir para evitar o isolamento e manter um processo instigante, motivador de aprendizagem,
facilitador de interdisciplinaridade e de adoção de atitudes de respeito e de solidariedade ao
outro. Sempre que necessário, os cursos a distância devem prever
momentos presenciais.
Sua freqüência deve ser determinada pela natureza da área
do curso oferecido. O encontro presencial no início do processo tem se mostrado
importante para que os alunos conheçam professores, técnicos de apoio e seus próprios colegas,
facilitando, assim, contatos futuros a distância.
Para assegurar a comunicação/interatividade
professor-aluno, a instituição deverá:
• apresentar como se dará a interação entre alunos e
professores, ao longo do curso a distância e a forma de apoio logístico a ambos;
• quantificar o número de professores/hora disponíveis
para os atendimentos requeridos pelos alunos;
• informar a previsão dos momentos presenciais planejados
para o curso e qual a estratégia a ser usada;
• informar aos alunos, desde o início do curso, nomes,
horários, formas e números para contato com professores e pessoal de apoio;
• informar locais e datas de provas e datas-limite para as
diferentes atividades (matrícula, recuperação e outras);
• garantir que os estudantes tenham sua evolução e
dificuldades regularmente monitoradas e que recebam respostas rápidas a suas
perguntas bem como incentivos e orientação quanto ao progresso nos estudos;
• assegurar flexibilidade no atendimento ao aluno,
oferecendo horários ampliados e/ou plantões de atendimento;
• dispor de centros ou núcleos de atendimento ao aluno
–próprios ou conveniados - inclusive para encontros presenciais;
• valer-se de modalidades comunicacionais sincrônicas como
teleconferências, chats
na Internet, fax, telefones, rádio para promover a
interação em tempo real entre docentes e alunos;
• facilitar a interação entre alunos, sugerindo
procedimentos e atividades, abrindo
sites e espaços que incentivem a comunicação entre
colegas de curso;
• acompanhar os profissionais que atuam fora da sede,
assegurando a esses e aos alunos o mesmo padrão de qualidade da matriz;
• orientar todos os profissionais envolvidos no programa e
organizar os materiais educacionais de modo a atender sempre o aluno, mas também
a promover autonomia para aprender e para controlar o próprio
desenvolvimento;
• abrir espaço para uma representação de estudantes que
estudam a distância, de modo a receber feedback e aperfeiçoar os processos.
5. RECURSOS EDUCACIONAIS
A experiência em cursos presenciais não é suficiente para
assegurar a qualidade de materiais educacionais que serão veiculados por diferentes
meios de comunicação e informação. Cada recurso utilizado - material impresso,
vídeos, programas televisivos,radiofônicos, videoconferências, páginas Web e outros –
tem sua própria lógica de concepção, de produção, de linguagem, de uso do tempo. Seu
uso combinado deve ser harmônico e traduzir a concepção de educação da
instituição de ensino, possibilitando o alcance dos objetivos propostos.
Não há um modelo único para o Brasil. Com sua pluralidade
cultural e diversidade sócio-econômica, o país pode conviver com diferentes
projetos, desde os mais avançados em termos tecnológicos até os mais tradicionais, como os
impressos. O importante na hora de definir a mídia é pensar naquela que chega ao aluno onde
quer que ele esteja. Com o avanço e disseminação das TICs e o progressivo
barateamento dos equipamentos, as instituições podem elaborar seus cursos a
distância baseadas não só em material impresso mas, na medida do possível, também em
material sonoro, visual,audiovisual, incluindo recursos eletrônicos e telemáticos.
Assim, na construção de um curso ou programa a distância é
necessário:
• definir quais as mídias serão utilizadas na construção
da proposta pedagógica;
• considerar que a convergência dos equipamentos e a
integração entre materiais impressos, radiofônicos, televisivos, de informática, de
teleconferências, dentre outros, acrescida da mediação dos professores - em
momentos presenciais ou virtuais - criam ambientes de aprendizagem ricos e
flexíveis;
• considerar que a educação a distância pode levar a uma
centralização na disseminação do conhecimento e, portanto, na elaboração do
material educacional, abrir espaço para que o estudante reflita
sobre sua própria realidade,possibilitando contribuições de qualidade educacional,
cultural e prática ao aluno;
• associar os materiais educacionais entre si e a
módulos/unidades de estudos/séries, indicando como o conjunto desses materiais
se inter relaciona, de modo a promover a interdisciplinaridade e a evitar uma
proposta fragmentada e descontextualizada do programa.
• incluir no material educacional um guia - impresso e/ou
disponível na rede– que:
a) oriente o aluno quanto às características da educação a
distância e quanto a direitos, deveres e atitudes de estudo a serem adotadas,
b) informe sobre o curso escolhido e a caracterização dos
equipamentos necessários ao desenvolvimento do curso, nos casos das
propostas on line,
c) esclareça como se dará a comunicação com professores,
colegas, pessoal de apoio tecnológico e administrativo,
d) apresente cronograma, períodos/locais de presença
obrigatória, o sistema de acompanhamento e avaliação, bem como todas as
orientações que lhe darão segurança durante o processo educacional.
• informar, de maneira clara e precisa, que meios de
comunicação e informação serão colocados à disposição do aluno (livros-textos,
cadernos de atividades,leituras complementares, roteiros, obras de referência,
Web-sites, vídeos, ou seja, um conjunto - impresso e/ou disponível na rede - que se
articula com outros meios de comunicação e informação para garantir flexibilidade e
diversidade);
• detalhar nos materiais educacionais que competências
cognitivas, habilidades e atitudes o aluno deverá alcançar ao fim de cada unidade,
módulo, disciplina,oferecendo-lhe oportunidades sistemáticas de
auto-avaliação;
• utilizar plataformas de aprendizagem - no caso de cursos
por meio de redes (intranet ou Internet) - que favoreçam trabalhos
colaborativos, unindo alunos fisicamente distantes;
• desenvolver laboratórios virtuais de Física, Química,
Matemática, Biologia, línguas e outros ambientes virtuais que favoreçam a aprendizagem
das diversas disciplinas do currículo e facilitem a experimentação nos
momentos presenciais em laboratórios reais;
• definir critérios de avaliação de qualidade dos
materiais;
• estimar o tempo que o correio leva para entregar o
material educacional e considerar esse prazo para evitar que o aluno se atrase ou
fique impedido de estudar, comprometendo sua aprendizagem;
• dispor de esquemas alternativos mais velozes para casos
eventuais;
• respeitar, na preparação de material, aspectos relativos
à questão de direitos autorais, da ética, da estética, da relação
forma-conteúdo.
6. INFRA-ESTRUTURA DE APOIO
Além de mobilizar recursos humanos e educacionais, um
curso a distância exige a montagem de infra-estrutura material proporcional ao
número de alunos, aos recursos tecnológicos envolvidos e à extensão de território a ser
alcançada, o que representa um significativo investimento para a instituição.
A infra-estrutura material refere-se aos equipamentos de
televisão, videocassetes, audiocassetes, fotografias, impressoras, linhas
telefônicas, inclusive dedicadas para Internet
e serviços 0800, fax, equipamentos para produção
audiovisual e para videoconferência, computadores ligados em rede e/ou stand alone e
outros, dependendo da proposta do curso. Fique-se atento ao fato de que um curso a distância não
exime a instituição de dispor de centros de documentação e informação ou mediatecas (que
articulam bibliotecas, videotecas, audiotecas, hemerotecas e infotecas etc.),
inclusive virtuais, para prover suporte a alunos e professores.
Compõem, ainda, a infra-estrutura material de um curso a
distância os núcleos para atendimento ao aluno, inclusive em cidades e pólos que
estejam distantes da sede da instituição.
Esses núcleos ou pólos devem ser adequadamente equipados
para que os alunos distantes da sede tenham a mesma qualidade de atendimento
que aqueles que residem perto e podem beneficiar-se eventualmente da
infra-estrutura física da instituição. Na construção de um programa ou curso a distância, a
instituição deverá:
• indicar e quantificar os equipamentos necessários para
instrumentalizar o processo pedagógico e a relação proporcional aluno/meios
de comunicação
• dispor de acervo atualizado, amplo e representativo de
livros e periódicos, acervo de imagens, áudio, vídeos, sites na Internet, à
disposição de alunos e professores;
• definir política de reposição, manutenção, modernização
e segurança dos equipamentos da sede e dos pólos ou núcleos
descentralizados;
• adotar procedimentos que garantam o atendimento a cada
aluno, independente do local onde ele esteja (por exemplo: confeccionar
embalagens especiais para entrega e devolução segura dos livros, periódicos e
materiais didáticos);
• definir onde serão feitas as atividades práticas em
laboratórios e os estágios supervisionados, inclusive para alunos fora da localidade,
sempre que a natureza e currículo do curso exigir;
• oferecer, sempre que possível, laboratórios, bibliotecas
e museus virtuais bem como os muitos recursos que a informática torna
disponível;
• organizar e manter os serviços básicos, como:
a) cadastro de alunos e de professores;
b) serviços de controle de distribuição de material e de
avaliações;
c) serviço de registros de resultados de todas as
avaliações e atividades realizadas pelo aluno, prevendo-se, inclusive recuperação e a
possibilidade de certificações parciais;
d) serviço de manutenção dos recursos tecnológicos
envolvidos;
• designar pessoal de apoio para momentos presenciais e de
provas,
• selecionar e capacitar pessoal dos pólos ou núcleos para
atendimento ao aluno, inclusive os que ficam fora da sede.
Cursos e programas a distância, pelo seu caráter
diferenciado e pelos desafios que enfrentam, devem ser acompanhados e avaliados em todos os
seus aspectos, de forma sistemática, contínua e abrangente. Duas dimensões devem ser contempladas na proposta de
avaliação:
(1) a que diz respeito ao aluno e (2) a que se refere ao curso como um
todo, incluindo os profissionais que nele atuam.
Na educação a distância, o modelo de avaliação da
aprendizagem do aluno deve considerar seu ritmo e ajudá-lo a desenvolver graus
ascendentes de competências cognitivas, habilidades e atitudes, possibilitando-lhe
alcançar os objetivos propostos, conforme indicado no item 1 deste documento.
Mais que uma formalidade legal, a avaliação deve permitir
ao aluno sentir-se seguro quanto aos resultados que vai alcançando no processo de
ensino-aprendizagem. A avaliação do aluno feita pelo professor deve somar-se à
auto-avaliação, que auxilia o estudante a tornar-se mais autônomo, responsável, crítico, capaz de
desenvolver sua independência intelectual.
A avaliação responsável é fundamental para que o diploma
conferido seja legitimado pela sociedade.
Reconhecendo na avaliação um dos aspectos fundamentais
para a qualidade de um processo de ensino e aprendizagem, a instituição deve:
• estabelecer o processo de seleção dos alunos;
• informar, quando houver, a existência de um módulo
introdutório – obrigatório ou facultativo - que leve ao domínio de conhecimentos e
habilidades básicos, referente à tecnologia utilizada e/ou ao conteúdo
programático do curso, assegurando a todos um ponto de partida comum;
• definir como será feita a avaliação da aprendizagem do
aluno, tanto no processo como as finais – estas, presenciais, conforme exige a
legislação em vigor;
• definir como será feita a recuperação de estudos e as
avaliações decorrentes dessa recuperação;
• considerar a possibilidade de aceleração de estudos
(artigo 47, parágrafo 2º da Lei 9.394/96) e a forma de avaliação, caso haja implicações no
período de integralização e no cronograma estabelecidos a priori
pela instituição;
• considerar como será feita a avaliação de alunos que têm
ritmo de aprendizagem diferenciado e a possibilidade de avaliar as competências
e conhecimentos adquiridos em outras oportunidades;
• tornar públicas todas as informações referentes às
avaliações desde o início do processo, para que o aluno não seja surpreendido;
• tomar todas as precauções para garantir sigilo e
segurança nas avaliações finais, zelando pela confiabilidade dos resultados;
• desenhar um processo contínuo de avaliação quanto:
a) à aprendizagem dos alunos
b) às práticas educacionais dos professores ou tutores;
c) ao material didático (seu aspecto científico, cultural,
ético e estético, didático-pedagógico, motivacional, de adequação aos alunos
e às TIC e informação utilizadas, a capacidade de comunicação, dentre
outros) e às ações dos centros de documentação e informação (midiatecas);
d) ao currículo (sua estrutura, organização, encadeamento
lógico, relevância, contextualização, período de integralização, dentre
outros);
e) ao sistema de orientação docente ou tutoria (capacidade
de comunicação através de meios eficientes; de atendimento aos alunos em
momentos a distância e presenciais; orientação aos estudantes;
avaliação do desempenho dos alunos; avaliação de desempenho como
professor; papel dos núcleos de atendimento; desenvolvimento de pesquisas e acompanhamento do estágio, quando houver);
f) à infra-estrutura material que dá suporte tecnológico,
científico e instrumental ao curso;
g) ao projeto de educação a distância adotado (uma soma
dos itens anteriores combinada com análise do fluxo dos alunos,
tempo de integralização do curso, interação, evasão, atitudes e
outros);
h) à realização de convênios e parcerias com outras
instituições;
i) à meta-avaliação (um exame crítico do processo de
avaliação utilizado: seja do desempenho dos alunos, seja do desenvolvimento do
curso como um todo).
• considerar as vantagens de uma avaliação externa;
• avaliar a participação dos alunos em avaliações
nacionais como Provão, SAEB, ENEM.
8. CONVÊNIOS E PARCERIAS
Implantar um curso a distância exige alto investimento em
profissionais, conhecimento, material didático, infra-estrutura tecnológica e serviços
de apoio e manutenção dos mesmos, inclusive nos pólos ou núcleos de atendimento.
Assim, na fase inicial, e mesmo na seqüência, pode ser
aconselhável a celebração de convênios, parcerias e acordos técnicos com e entre
universidades, instituições de ensino superior, secretarias de educação, empresas privadas e
outros, de forma a garantir elevado padrão de qualidade ao curso e legitimidade ao certificado
ou diploma oferecido.
Na implantação de um curso ou programa a distância, a
instituição:
• poderá celebrar convênios, parcerias e acordos,
identificando qual o papel de cada conveniado ou parceiro no projeto;
• deverá orientar instituições estrangeiras com as quais
eventualmente estabeleça parceria quanto ao processo de credenciamento e
autorização de curso e demais aspectos da legislação brasileira, visto que esta é a que
prevalece nas relações contratuais entre instituição-aluno e é a instituição
nacional que responde perante as autoridades constituídas, devendo ficar explícito que a
responsabilidade e direção do processo cabe a esta;
• deverá informar a instituição responsável pela
certificação do curso;
• deverá comprovar, em caso de acordo internacional, que a
tecnologia utilizada seja passível de absorção pela instituição nacional,
buscando-se a independência tecnológica.
9. TRANSPARÊNCIAS NAS INFORMAÇÕES
Para muitos alunos, parece ser fácil estudar a distância.
Na verdade não é. Estudar a distância exige perseverança, autonomia, capacidade de
organizar o próprio tempo, domínio
de leitura, interpretação e, eventualmente, de tecnologia. Taxas de evasão elevadas muitas vezes decorrem da falta de
informação prévia e são prejudiciais tanto para os alunos como para as
instituições que oferecem cursos.
Toda a publicidade e o edital de um curso a distância têm
uma função importante de esclarecimento à população interessada e devem:
• informar os documentos legais que autorizam o
funcionamento do curso;
• estabelecer direitos que confere e deveres que serão
exigidos:
a) pré-requisitos para ingresso;
b) número ideal de horas que o aluno deve dedicar por
dia/semana aos estudos;
c) tempo limite para completar o curso;
d) necessidade de deslocamentos para provas, estágios ou
laboratórios e locais onde serão realizadas;
e) preço e condições de pagamento;
f) quais os custos cobertos pela mensalidade e que outros
custos os alunos deverão arcar durante o programa (tais como deslocamentos
para participação em momentos presenciais, provas, estágios, etc)
g) materiais e meios de comunicação e informação e outros
recursos que estarão disponíveis aos alunos;
h) no caso de cursos on line, indicar as
características mínimas que o equipamento do aluno deve ter;
i) modos de interação e de comunicação oferecidos para
contato com o professor orientador ou tutor;
j) condições para interromper temporariamente os estudos;
k) informações sobre como poderá ser abreviada a duração
do curso, para alunos que tenham demonstrado extraordinário aproveitamento nos
estudos, conforme prevê o artigo 47, parágrafo 2º da Lei 9.394/96.
10. SUSTENTABILIDADE FINANCEIRA
O investimento em educação a distância – em profissionais,
materiais educacionais, equipamentos, tempo, conhecimento - é alto e deve ser
cuidadosamente planejado e projetado de modo a que um curso não tenha que ser
interrompido antes de finalizado, prejudicando a instituição e, principalmente, os
estudantes. Para que um curso ou programa a distância possa ser
ofertada com elevado grau de segurança, a instituição deverá:
• desenvolver uma projeção de custos e de receitas
realista, levando em consideração o tempo de duração do programa, todos os
processos necessários à implementação do curso e uma estimativa de evasão;
• considerar os processos de recuperação e aceleração de
estudos e as avaliações extraordinárias – se houver – e seu impacto na previsão de
receitas;
• considerar a necessidade de revisão e reedição de
materiais didáticos e de reposição, manutenção e atualização de tecnologia e outros
recursos educacionais;
• prever os gastos e investimentos na sede e nos pólos ou
núcleos fora da localidade;
• divulgar qual a política e procedimentos a serem
adotados pela instituição em caso de evasão elevada, de modo a garantir a continuidade e
qualidade do curso para os alunos que permanecem no processo.
BIBLIOGRAFIA:
AUTHIER, Michel. Le bel avenir du parent pauvre. In
Apprendre à distance. Le Monde de L’Éducation, de la Culture et de la Formation – Hors-série
– France, Septembre, 1998.
CASTRO NEVES, Carmen Moreira de. Critérios de
Qualidade para a Educação a Distância. In
Tecnologia Educacional – ABT: Rio de Janeiro – v. 26, no.
141, abr/jun, 1998.
Departament of Education/ Distance Education, Media and
Technological Services. A Distance Education Quality Standards Framework for South Africa – A
discussion document.
South Africa, december, 1996.Higher Education Quality Council.
(IPAEduc
144-02/06)
Virtual Educa: uma nova entidade que se projeta no mundo
Um grupo
de especialistas em tecnologias da informação e da educação vem
possibilitando uma trajetória vitoriosa, reunindo profissionais em vários
países do continente americano e europeu.
Trata-se do grupo Virtual Educa que é um programa adstrito à Cúpula
Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo que tem iniciativas
inovadoras multisetoriais nos âmbitos da educação, da capacitação
profissional e na formação permanente.
0 acordo marco da entidade foi celebrado em 2003, muito embora desde o
início dessa década diversos trabalhos vem sendo realizados.
As atividades são coordenadas pela Associação Internacional Virtual Educa,
com sede na Espanha e a elas filiam-se organizações da Argentina, Brasil,
Chile, Costa Rica, Equador, México, Peru, República Dominicana e
Venezuela.
Anualmente são realizados os Encontros Internacionais sobre Educação,
Formação Profissional, Inovação e Cooperação.
0s primeiros foram em 2000 e 2001, na cidade de Madrid; seguiram-se
Valência (2002), Miami (2003), Barcelona (2004) e Cidade do México (2005).
A cidade espanhola de Bilbao será a anfitriã do VII Encontro, no período
de 20 a 23 de junho de 2006.
No ano seguinte, de 18 a 22 de junho, será a vez do Brasil e a cidade
escolhida foi São José dos Campos, no Estado de São Paulo.
Dentro do contexto de estruturação nos países surgiu a Associação Virtual
Educa Brasil responsável por quatro encontros nacionais, sendo o último de
5 a 7 de abril de 2006.
A responsabilidade aumentará em 2007, quando educadores de vários países
estarão no Brasil para debater os principais temas da atualidade.
Informações
completas sobre a entidade podem ser obtidas no site
www.virtualeduca.org
(IPAEduc
145-02/06)
CREDENCIAMENTO DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
O Conselho
Nacional de Educação vem credenciando instituições para desenvolvimento de
programas de ensino superior.
Na presente edição transcreveremos mais alguns pareceres aprovados pelo órgão e
homologados pelo Ministro da Educação.
1- Centro Universitário do Sul de Minas

I – RELATÓRIO
Histórico
Em 24 de janeiro de 2002, o Centro Universitário do Sul de Minas – UNIS
protocolizou o Processo nº 23000.000531/2002-78 junto ao Ministério da
Educação solicitando seu credenciamento institucional para a oferta de
cursos superiores a distância, com autorização experimental do Curso
Normal Superior – Educação Infantil e Magistério dos Anos Iniciais do
Ensino Fundamental, no âmbito do Projeto Veredas, da Secretaria de Estado
da Educação de Minas Gerais. Uma vez que o Projeto Veredas foi avaliado
favoravelmente para fins de reconhecimento, com a publicação da Portaria
nº 4.417/2004, a SESu encaminhou, em agosto de 2004, o Ofício nº
6.433/2004, solicitando que a Instituição se manifestasse a respeito da
continuidade da tramitação deste processo, com vistas ao credenciamento
individual para oferta de curso de graduação a distância, pois até então
as instituições vinculadas ao Projeto Veredas tinham apenas uma
autorização experimental para a oferta do curso. Em 8 de setembro de 2004,
o Centro Universitário do Sul de Minas – UNIS enviou o Ofício nº 55/2004
respondendo positivamente ao ofício da SESu e manifestando seu interesse
em receber uma comissão de verificação in loco para avaliar seu projeto de
educação a distância. Em 9 de maio de 2005, a SESu/MEC designou uma
Comissão de Verificação, por meio do Despacho DEPES nº 749/2005, composta
pelos professores Maisa Brandão Kullok, da Universidade Federal de Alagoas
e Roberta Pimenta Vieira, da Universidade do Vale do Itajaí, que visitou
in loco as instalações da instituição e
analisou o projeto apresentado para o curso pretendido.
Mérito
2-Instituto Superior Tupy
I – RELATÓRIO
Trata-se de pedido do Instituto Superior Tupy – IST, mantido pela
Sociedade Educacional de Santa Catarina, para que seja autorizado o
funcionamento do Curso Superior de Tecnologia em Sistemas de Gestão
Empresarial, cuja nova denominação passa a ser: Curso Superior de
Tecnologia em Gestão de Sistemas de Informação, na modalidade a distância
(Área Profissional: Gestão), com 2.000 (duas mil) vagas anuais, e carga
horária de 1.825 horas, a ser ministrado nos estados do Paraná, de Santa
Catarina e do Rio Grande do Sul.
A solicitação foi apreciada pelo Relatório CGAEPT/SETEC nº 338/2005,
conforme os seguintes termos:
Histórico
Neste
processo, o Instituto Superior Tupy, por meio do seu diretor-executivo, o
Sr. Sandro Murilo Santos, solicita autorização para o funcionamento do
Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Sistemas de Informação –
Modalidade a Distância (Área profissional: Gestão) com duas mil vagas
totais anuais, a serem ofertadas nos estados da Região Sul (Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul), em duas entradas, nos turnos diurno e
noturno, matrícula modular, com uma carga horária total de um mil,
oitocentas e vinte e cinco horas, a ser ministrado pela referida
Faculdade. O projeto apresenta as informações da solicitante no que
concerne à portaria MEC n° 1.647/99, no artigo 2° incisos II (da
mantenedora - pessoa jurídica), III (da instituição de ensino) e IV (do
projeto para o curso proposto). A Secretaria de Educação Profissional e
Tecnológica – SETEC/MEC, por meio da Comissão Técnica da Área Profissional
de Gestão, designada pela Portaria SETEC n° 136, de 2 de outubro de 2002,
verificou a adequação técnica e a conformidade à legislação educacional do
projeto, à luz da legislação supracitada. Finalizada esta fase do
processo, atendidas as alterações solicitadas, a Secretaria, por meio da
Portaria SETEC n° 23, de 11 de fevereiro de 2005, designou a Comissão de
Verificação
in
loco
[para
avaliação]
das
condições iniciais de oferta do curso, procedendo, assim, à análise do
mérito do projeto pedagógico em tela. Compuseram esta última Comissão os
seguintes especialistas: Ana Maria Cardoso Lucena (CEFET Pelotas-RS),
presidente; Domingos Ricca (Faculdade Trevisan), membro; Paulo Henrique
Asconavieta da Silva (CEFET Pelotas-RS), membro. A visita da comissão
ocorreu no período de 22 a 24 de fevereiro de 2005, resultando no parecer
final, com comentários e recomendações, na versão final do formulário, com
todas as correções necessárias, e na assinatura, pela instituição, dos
seguintes termos de compromisso:
Provisão
da infra-estrutura de acessibilidade às pessoas portadoras de necessidades
especiais para alunos com deficiência auditiva e/ou visual;
Provisão
e adequação de acessibilidade das pessoas portadoras de necessidades
especiais ou com mobilidade reduzida com os parceiros da instituição e nos
pólos onde o curso será ofertado;
Garantia que todos os pólos apresentem a infra-estrutura física geral e
específica adequada para o curso, conforme exposto no projeto do curso;
Garantia da disponibilidade de, no mínimo, uma sala específica para os
professores do curso, equipada com recursos tecnológicos necessários para
a preparação de aulas, materiais didáticos e acompanhamento dos alunos;
Garantia
da manutenção e atualização dos equipamentos/computadores e softwares,
além da instalação de programas específicos da área do curso proposto;
Contratação de um tutor local para cada cinqüenta alunos. Manter uma
equipe de tutores centrais, com graduação na área de cada disciplina, para
cada duzentos e cinqüenta alunos;
Aquisição para cada pólo da bibliografia básica prevista no projeto
pedagógico de todo o curso a fim de dispor de acervo atualizado e
representativo de livros à disposição dos alunos em todos os pólos;
Contratação de um bibliotecário para a unidade de São Bento do Sul;
Implementação de convênios com bibliotecas virtuais possibilitando a
consulta e/ou utilização de materiais na área do curso;
Garantia de um perfil de corpo docente com, no mínimo, pós-graduação "lato-sensu",
em conformidade com o Art. n° 66 da Lei Federal n° 9.394/96 e Parecer CNE
/CES 1.070/1999;
Capacitação em educação a distância para o coordenador, professores e
tutores;
Implementação de convênios e parcerias visando à consolidação da qualidade
do curso em questão e dos cursos superiores de tecnologia da instituição
como um todo;
Publicação das informações sobre a instituição de ensino, conforme
indicado no Decreto n° 3.860, de 9/7/2001, artigo 15°, antes de cada
processo seletivo;
Informação no Edital do processo seletivo dos documentos legais que
autorizam o funcionamento do curso; estabelecer direitos que confere e
deveres que serão exigidos, tais como:
a) pré-requisitos para ingresso;
b) número ideal de horas que o aluno deve dedicar por dia/semana aos
estudos;
c) tempo limite para completar o curso;
d)necessidade de deslocamentos para provas, estágios ou laboratórios e
locais onde serão realizadas;
e) preços e condições de pagamento;
f) quais os custos cobertos pela mensalidade e que outros custos os alunos
deverão arcar durante o programa (tais como deslocamentos para
participação em momentos presenciais, provas, estágios, etc);
g) materiais e meios de comunicação e informação e outros recursos que
estarão disponíveis aos alunos;
h) indicar as características mínimas que o equipamento do aluno deve ter;
i) modos de interação e comunicação oferecidos para contato com o
professor orientador e tutor;
j) condições para interromper temporariamente os estudos;
k)
informações
como poderá ser abreviada a duração do curso, para alunos que tenham
demonstrado extraordinário aproveitamento nos estudos, conforme prevê o
artigo 47, parágrafo 2o
da Lei 9.394/96.
Cumprimento do regimento interno/estatuto da instituição devidamente
aprovado, a minuta da prestação de serviços educacionais e os planos
contidos no formulário apresentado no processo n° 23000.014756/2002-10,
que integram este Termo de Compromisso como se nele estivesse transcrito.
Disposição aos alunos e interessados, na secretaria da instituição de
ensino, o presente Termo de Compromisso, o Parecer Final e as Sugestões da
Comissão ao processo n° 23000.014756/2003-10.
O projeto final, pós-análise técnica e visita da Comissão Avaliadora, e
anexos, acompanham este relatório.
Mérito
A
análise do projeto do curso, pela Comissão Verificadora, revelou que a
organização curricular, coordenador e corpo docente, infra-estrutura
física, de recursos materiais, de acessibilidade às pessoas portadoras de
necessidades especiais, de informática, de laboratórios específicos à área
do curso e biblioteca atendem, no todo, aos padrões de qualidade
constantes no instrumento de avaliação utilizado pela SETEC, conforme
descrição a seguir:
Organização Curricular
Os
objetivos e finalidades do Curso Superior de Tecnologia em Gestão de
Sistemas de Informação – Modalidade a Distância (Área profissional:
Gestão) apresentam-se coerentes com a realidade do mercado de trabalho dos
estados da Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e estão
adequados ao perfil profissional previsto no projeto; sua justificativa
foi apresentada de forma indireta. As sugestões da Comissão para superação
dos diversos problemas apontados na proposta original da organização e
desenvolvimento curricular -fluxograma, formatação do currículo,
conteúdos, entre outros – foram acatadas pela Instituição. As finalidades
e objetivos, o perfil profissional, a organização e desenvolvimento
curricular dentro de uma proposta de profissionalização da Área
Profissional de Gestão. A organização curricular também reflete um
segmento crescente desta Área, em conformidade com o Parecer CES/CNE
436/2001.
Coordenador e Corpo Docente
Coordenador e corpo docente pretendidos atendem às condições necessárias
quanto à titulação e experiência profissional relevante no mercado de
trabalho. Todos atuam como docentes na instituição nos cursos técnicos e
muitos nos cursos superiores de tecnologia, bacharelado e pós-graduação. A
Comissão Verificadora analisou os currículos dos docentes das disciplinas
do primeiro ano e realizou a verificação dos documentos apresentados,
reafirmando o compromisso do atendimento da titulação de especialista para
o reconhecimento do curso. Os docentes apontados no projeto para as
disciplinas do primeiro ano do curso foram entrevistados pela comissão
verificadora, que concluiu que estes reúnem condições técnicas e
pedagógicas para ministrá-las. A Comissão apontou que o coordenador do
curso "apresenta conhecimento e larga experiência na área profissional do
curso"; porém necessita ter mais aproximação com a proposta dos cursos
superiores de tecnologia e metodologias da educação a distância. O corpo
docente "possui pouca experiência em educação a distância”, no entanto, a
instituição comprometeu-se a oferecer capacitação nessa modalidade de
ensino e proporcionar a vivência de docência em curso de curta duração a
distância até o início das aulas do curso proposto. A instituição foi
orientada no sentido de que a capacitação também contemple aspectos
conceituais e legais da educação a distância e que seja dirigida
especialmente para a educação profissional, com ênfase nas novas
metodologias de ensino, inclusive nas novas tecnologias educacionais,
também, com o propósito de garantir a qualidade do curso, sugere-se que
essa capacitação ocorra de forma continuada durante o curso, permitindo a
constante atualização, contínua, para a totalidade dos professores, bem
como dos tutores, de modo a garantir que não haja mera transposição do
curso da modalidade presencial para a modalidade a distância. Recomenda-se
que a capacitação seja dirigida especialmente para a educação
profissional, com ênfase nas novas metodologias de ensino, inclusive nas
novas tecnologias educacionais.
Em relação aos tutores, a instituição compromete-se a disponibilizar um
tutor local para cada cinqüenta alunos e um tutor central, em todas as
disciplinas, para cada duzentos e cinqüenta alunos.
Infra-Estrutura
Com
relação à infra-estrutura, a Comissão Verificadora teceu os seguintes
comentários:
Infra-Estrutura Física e de Materiais
"A
infra-estrutura física e de recursos materiais dos pólos visitados
encontra-se em bom estado de conservação e limpeza", com salas iluminadas
adequadamente, com espaços e ventilação "adequados e agradáveis".
Infra-Estrutura de Acessibilidade às Pessoas Portadoras de Necessidades
Especiais "A instituição atende às exigências legais referentes à
acessibilidade aos portadores de deficiência física ou com mobilidade
reduzida”, e firmou termo de compromisso para providenciar essa
infra-estrutura em todos os pólos conveniados onde ofertar o curso.
Infra-Estrutura de Informática "A instituição possui os recursos
tecnológicos de informática e telecomunicações necessários à produção e ao
acompanhamento das atividades, de acordo com o processo pedagógico
proposto", possui, também, "toda a infra-estrutura de informática,
inclusive com acesso à Internet, para o desenvolvimento das atividades
presenciais”, além disso firmou compromisso em informar, no edital do
processo seletivo, que os alunos, para ingresso e permanência no curso,
deverão possuir acesso a computador conectado à Internet. Na unidade de
Curitiba não há infra-estrutura de informática suficiente, no entanto, a
instituição apresentou plano de expansão, o qual foi comprovado "in loco"
pela Comissão. Infra-estrutura de Laboratórios Específicos à Área do Curso
e Biblioteca Segundo a Comissão, "a infra-estrutura de laboratórios
específicos é a mesma existente para uso geral e atende às necessidades do
curso já que existe comprometimento em informar, no edital do processo
seletivo, que os alunos, para ingresso e permanência no curso, deverão
possuir acesso a computador conectado à Internet". A instituição conta com
uma bibliotecária graduada e registrada no conselho profissional. Segundo
a Comissão, a instituição assumiu compromisso em disponibilizar a
bibliografia básica prevista no projeto do curso em todos os pólos, em
quantidade suficiente para atendimento dos alunos; além disso, está
prevista a elaboração de material didático impresso para todas as
disciplinas.
No que tange às bibliotecas virtuais, a Comissão recomenda que sejam
firmados convênios que possibilitem a consulta e/ou utilização de
materiais da área do curso. Na unidade de São Bento do Sul ainda não há
bibliotecária contratada, o que deve ser feito até o início do curso.
Infra-Estrutura de Ensino a Distância "A instituição possui as condições
necessárias de infra-estrutura de ensino a distância", o que possibilitará
o bom desenvolvimento do projeto pedagógico.
Conclusão
A
Coordenação-Geral de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica,
tendo em vista o disposto no artigo 14, inciso XIII do Decreto n° 5.159,
de 28 de julho de 2004, e considerando o parecer da Comissão Avaliadora da
Área Profissional de Gestão, designada pela Portaria SETEC n° 023, de 11
de fevereiro de 2005, encaminha, para deliberação, o presente processo ao
Conselho Nacional de Educação, com recomendação favorável à autorização
para o funcionamento do Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Sistemas
de Informação – Modalidade a Distância (Área Profissional: Gestão), com
duas mil vagas totais anuais, em duas entradas, nos turnos diurno e
noturno, matrícula modular, a ser ministrado nos Estados da Região Sul
(Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), com uma carga horária de um
mil, oitocentas e vinte e cinco horas, a ser ministrado pelo Instituto
Superior Tupy, com sede estabelecida à rua Albano Schmidt, n° 3.333,
Bairro Boa Vista, na cidade de Joinville, Estado de Santa Catarina,
mantido pela Sociedade Educacional de Santa Catarina.
II – VOTO
DA RELATORA
Diante do exposto no Relatório CGAEPT/SETEC nº 338/2005, voto
favoravelmente à autorização para o funcionamento do Curso Superior de
Tecnologia em Gestão de Sistemas de Informação, na modalidade a distância
(Área Profissional: Gestão), com 2.000 (duas mil) vagas totais anuais, em
2 (duas) entradas, carga horária de 1.825 (mil oitocentas e vinte e cinco)
horas, a ser ministrado, nos Estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio
Grande do Sul, pelo Instituto Superior Tupy – IST, estabelecido na Rua
Albano Schmidt, nº 3.333, Bairro Boa Vista, na cidade de Joinville, no
Estado de Santa Catarina, mantido pela Sociedade Educacional de Santa
Catarina, com sede na mesma cidade e Estado.
Brasília (DF), 24 de novembro de 2005.
Conselheira Marilena de Souza Chaui – Relatora
Conselheiro Roberto Cláudio Frota Bezerra – Relator
ad hoc
III –
DECISÃO DA CÂMARA
A
Câmara de Educação Superior aprova por unanimidade o voto da Relatora.
Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2005.
Conselheiro Edson de Oliveira Nunes – Presidente
Conselheiro Antônio Carlos Caruso Ronca – Vice-Presidente
3- Faculdade Candido Mendes

I – RELATÓRIO
Em 25 de abril de 2002, a
Faculdade Cândido Mendes do Maranhão (FACAM – MA) protocolizou o Processo
nº 23000.007814/2002-41 junto ao Ministério da Educação solicitando seu
credenciamento institucional para a oferta de cursos superiores à
distância, com autorização para o curso Normal Superior, licenciatura, à
distância.
Ao verificar e analisar a documentação mencionada no art. 20 do Decreto n°
3.860/01, a Coordenação-Geral de Regulação da Educação Superior – COREG
emitiu a seguinte recomendação:
A Mantenedora atendeu
às exigências referentes à documentação fiscal e parafiscal, estabelecidas
no artigo 20 do Decreto nº 3.860/2001. Recomenda-se a continuidade da
tramitação do processo, tendo em vista o atendimento da legislação vigente
até a presente fase.
Já a análise do Plano de
Desenvolvimento Institucional concluiu-se com o seguinte parecer:
Recomendo a
continuidade da tramitação do processo, tendo em vista a adequação do
Plano de Desenvolvimento Institucional às exigências da legislação e aos
critérios de coerência e factibilidade.
Em 9 de junho de
2004, por meio do Ofício nº 5 DA/FACAM – MA, a Instituição solicitou o
adiamento da designação da Comissão de Verificação, e comunicou que
informaria à SESu/MEC, oportunamente, o pedido de Comissão, após
modificações no projeto pedagógico.
Em 27 de agosto de 2004, a SESu/MEC designou uma Comissão de Verificação,
por meio do Despacho DESUP nº 1.521/2004, composta pelos professores
Fernando José Spanhol, da Universidade Federal de Santa Catarina e
Patrícia Lupion Torres, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, que
visitou in
loco as
instalações da Instituição e analisou o projeto apresentado para o curso
pretendido.
O relatório conclusivo da Comissão de Verificação, apresentado em dezembro
de 2004, definiu várias recomendações a serem atendidas pela a Faculdade
Cândido Mendes do Maranhão. O parecer constante do relatório da vista da
Comissão assim se manifesta:
A Comissão de
Avaliação após análise dos documentos apresentados, projeto do curso,
materiais das disciplinas, manual do Tutor, manual do Aluno, PDI da
Instituição, currículos dos professores, PDI do Instituto de Educação
Superior e visita às instalações, recomenda a constituição de diligência
para que no prazo máximo de 75 dias a referida IES reformule o projeto e
incorpore as recomendações descritas pelos avaliadores e se proceda a nova
visita incluindo no mínimo um pólo que ira receber o referido curso.
Diante das
recomendações da Comissão, a SESu/MEC encaminhou o Ofício MEC/SESu/DESUP/COSI
nº 6.528/2004, solicitando a manifestação formal da FACAM em relação ao
atendimento desta diligência. Como a Comissão colocou o processo em
diligência de 75 dias e, nesse período, não foi possível a IES atender
todas as recomendações necessárias, a Instituição formalizou junto ao
Secretário de Educação Superior pedido de adiamento do retorno da Comissão
de Verificação. Tal pedido foi deferido. Em resposta ao ofício encaminhado
pela SESu/MEC, a Faculdade Cândido Mendes do Maranhão enviou nova proposta
de curso Normal Superior, licenciatura, que foi avaliada pela Comissão nos
dias 11 e 12 de novembro de 2005, no intuito de observar o cumprimento das
recomendações do relatório de 30 de dezembro de 2004.
Mérito
Os
avaliadores relataram que a IES apresentou uma visão estratégica do
cenário no qual pretende atuar, bem como os gestores e professores da
Instituição demonstraram envolvimento com os programas e projetos de
educação superior à distância. Embora a Instituição possua uma equipe
dedicada ao projeto do Normal Superior, em um primeiro momento,
verificou-se a ausência de uma equipe, especializada, de gestão permanente
para as ações de EAD e a falta de definição do plano de gestão de EAD na
IES. Na 1º visita
in loco,
os verificadores observaram que o curso, em relação à organização
curricular, apresenta coerência dos conteúdos curriculares de forma a
atender às orientações do Conselho Nacional de Educação – CNE, dos
Conselhos Estaduais de Educação e aos padrões de qualidade traçados para o
curso, respeitando objetivos e diretrizes curriculares nacionais. No
entanto, a Comissão recomenda um detalhamento das metodologias a serem
utilizadas nas disciplinas e um detalhamento da distribuição temporal das
atividades presenciais e a distância. No que se refere ao corpo docente, a
1ª verificação
in loco
comprovou
motivação para os desafios da implementação desta modalidade na IES, porém
constatou-se a falta de um investimento maior na capacitação da equipe de
EAD, fator essencial para que a mesma faça as correções necessárias ao
projeto. Com relação à Infra-estrutura material, a Comissão relatou que
falta à Instituição formalizar os convênios para a utilização da
infra-estrutura de outras instituições, bem como definir como serão
disponibilizados os acessos nos pólos aos acervos de livros e periódicos,
imagens, áudio, vídeos,
sites
na internet,
além de laboratórios, bibliotecas, museus virtuais e outros recursos que a
informática torna disponíveis. O sistema de gestão acadêmico
administrativo apresentado durante a primeira visita dos verificadores é
desenvolvido pela própria Instituição, atende às necessidades atuais da
IES e permite a incorporação de outras funções, devendo buscar integração
com a ferramenta de aprendizagem. De acordo com as recomendações do
primeiro relatório da Comissão de Verificação, a Instituição reformulou o
projeto pedagógico do curso e procurou demonstrar sua estrutura curricular
e condições de sua implementação, a fim de se ajustarem à modalidade de
EAD. Este projeto reformulado foi analisado e a Comissão realizou uma 2ª
verificação
in loco.
A
organização
curricular,
descrita pela
Instituição, passou a especificar a prática de ensino e como será
acompanhada a distância, além de explicitar a interdisciplinaridade. A IES
detalhou as metodologias que serão utilizadas nas disciplinas, o
desenvolvimento dos estágios, bem como definiu os modelos de avaliação, a
adequação das ementas e programas das disciplinas e bibliografia. Desta
forma, demonstrou-se aos verificadores que foram feitas as correções
solicitadas quando da primeira visita. No que se refere à composição da
equipe multidisciplinar,
a Comissão considerou que as equipes de coordenação de EAD, professores,
tutores e técnica na área administrativa e da informação, são adequadas
para o planejamento, desenvolvimento e realização do curso proposto. Sendo
importante ressaltar que a FACAM atendeu à recomendação da Comissão no que
diz respeito a um investimento maior na capacitação da equipe de EAD. Em
relação aos equipamentos e
materiais
didáticos de apoio ao curso,
previstos para o
desenvolvimento da proposta que envolve o uso de materiais impressos, a
Comissão considera que os mesmos apresentam conteúdos específicos e
orientam o aluno na trajetória de cada disciplina e no curso como um todo.
Nesta 2º verificação
in loco,
a Instituição atendeu à recomendação de definir no projeto quais as mídias
e em que momento as mesmas serão utilizadas. A Comissão constatou a
existência de Núcleos de Apoios Pedagógicos (NAPs) que serão responsáveis
pelos meios de comunicação e informação que serão colocados à disposição
do aluno e pelo acompanhamento dos profissionais que atuam fora da sede.
Também foi informado que, para os alunos com acesso à internet, será
utilizada a WEBAULA como apoio. Conforme solicitado, a Instituição
apresentou detalhamento no projeto de como se dará à
interação entre
professores e alunos,
sendo esta com o auxílio dos NAPs e do plantão de atendimento por meio de
uma linha telefônica de 0800, considerada pelos avaliadores adequada às
necessidades e características da modalidade de EAD.
A Comissão relatou que a Instituição possui em seu PDI um programa de
avaliação institucional, um projeto de EAD e um projeto de gestão que
apresentam como acontecerá a avaliação das práticas educacionais, dos
produtos e processos, da infra-estrutura e do modelo de educação superior
a distância adotado. As condições
infra-estruturais
previstas para o atendimento e orientação dos discentes (em especial,
através dos núcleos especificamente organizados para tanto),bem como a
gestão acadêmica administrativa, também foi considerada adequada e
pertinente à proposta. Após analisar todas estas dimensões, a Comissão de
Verificação encaminhou seu relatório, em 12 de novembro de 2005, com
parecer final favorável ao pleito da Instituição, manifestando-se da
seguinte maneira: A
Comissão de Avaliação, em processo de diligência, após análise dos
documentos apresentados, projeto do curso, materiais das disciplinas, guia
geral do curso, PDI da Instituição, currículos dos professores, PDI do
Instituto de Educação Superior e visita as instalações da sede no
município de São Luis e do pólo de São Luis no município de São José de
Ribamar, recomenda o credenciamento da referida IES.
Conclusão
Considerando o resultado da avaliação apresentado no relatório da Comissão
de Verificação sobre o projeto do curso a distância, proposto pela
Instituição, bem como o disposto no Decreto n° 2.494/98, na Portaria n°
4.361/2004, na Resolução CNE/CES n° 10/2001 e no Parecer CNE/CES nº
301/2003, submetemos à consideração superior o despacho do presente
Processo ao Conselho Nacional de Educação, com as seguintes recomendações:
- Favorável ao credenciamento da Faculdade Cândido Mendes do Maranhão,
pelo período de 3 (três) anos, para oferta de cursos superiores à
distância.
- Favorável a autorização do Curso Normal Superior, na modalidade a
distância, com 1.800 vagas anuais, a ser ofertado pela Faculdade Cândido
Mendes do Maranhão, no Estado do Maranhão.
- Favorável ao acompanhamento do primeiro ano da implantação da oferta do
curso de Normal Superior, licenciatura, à distância, da Faculdade Cândido
Mendes do Maranhão, pela Secretaria de Educação Superior do MEC.
Como se pode depreender
do Relatório MEC/SESu/DESUP/COSI n° 728/2005, parcialmente transcrito
acima, a Instituição possui as condições necessárias para ofertar o curso
Normal Superior a distância. Os aspectos essenciais para a realização de
cursos desse tipo estão satisfeitos: organização curricular, equipe
multidisciplinar, materiais didáticos, condições infraestruturais e corpo
docente. Sendo assim, endosso o parecer da SESu, favorável ao
credenciamento da Faculdade Cândido Mendes do Maranhão, e também
manifesto-me favoravelmente à autorização do curso Normal Superior.
II- VOTO
DO RELATOR
Tendo em vista as considerações acima, voto favoravelmente ao
credenciamento da Faculdade Cândido Mendes do Maranhão, pelo período de 3
(três) anos, para oferta de cursos superiores a distância e também
favoravelmente à autorização do curso Normal Superior, na modalidade a
distância, com 1.800 (um mil e oitocentas vagas anuais), no Estado do
Maranhão. Determino à SESu o acompanhamento do primeiro ano da implantação
da oferta do curso Normal Superior.
Brasília (DF), 14 de dezembro de 2005.
Antônio Carlos Caruso Ronca – Relator
III – DECISÃO
DA CÂMARA
A Câmara de
Educação Superior aprova por unanimidade o voto do Relator.
Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2005.
Conselheiro Edson de Oliveira Nunes – Presidente
Conselheiro Antônio Carlos Caruso Ronca – Vice-Presidente
4- Universidade Metropolitana de Santos

I – RELATÓRIO
Histórico
Em 22 de abril de
2004, a mantenedora da Universidade Metropolitana de Santos protocolizou o
Processo nº 23000.003879/2004-89 (Registro SAPIEnS nº 20041001371) junto
ao Ministério da Educação solicitando seu credenciamento institucional
para oferta de cursos superiores a distância, e em 30 de março de 2005,
embora sendo instituição com prerrogativa universitária, complementou o
processo de credenciamento com o protocolo dos pedidos de “autorização” –
Processos nos 23000.006729/2005-16
(SAPIEnS nº 20050003183) e 23000.006734/2005-11 (SAPIEnS nº 20050003188) –
para oferta dos cursos de Pedagogia e de Administração de Empresas, ambos
na modalidade a distância, conforme procedimento definido pela SESu/MEC.
Em sua solicitação, a Instituição ainda explicitou a oferta inicial de
4.500 (quatro mil e quinhentas) vagas anuais em cada um desses cursos. A
Instituição apresentou os documentos fiscais necessários para comprovar
sua regularidade fiscal, exigidos no artigo 20 do Decreto nº 3.860/2001, e
de acordo com a análise da COSUP teve o seguinte parecer:
A Mantenedora atendeu
às exigências fiscais e parafiscais, conforme estabelece o artigo 20 do
Decreto nº 3.860/2001. Para comprovar a disponibilidade do imóvel a ser
utilizado pela Instituição de Ensino Superior, a Mantenedora apresentou
documentação do imóvel situado na Av. Conselheiro Nébias, nº 536 – Santos/
SP.
Na análise do PDI, a Instituição recebeu o seguinte parecer de
recomendação da continuidade do trâmite do processo:
Considerando a análise
da Comissão e tendo em vista a adequação às exigências da legislação e aos
critérios de coerência e factibilidade, recomendamos a aprovação do PDI e
a continuidade da tramitação do Processo de Credenciamento de EAD n°
20041001371-A. Ressaltamos que a aprovação do referido PDI não desobriga a
Instituição de cumprir integralmente a Legislação específica para cada
ação proposta em seu Plano de Desenvolvimento Institucional.
O despacho da Coordenação Geral de Legislação e Normas da SESu explicitou
que o Estatuto da Universidade Metropolitana de Santos foi aprovado pela
Portaria MEC n° 3.748, de 12 de dezembro de 2003, tendo em vista o Parecer
n° 277/2003, da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de
Educação. Assim,
Recomendo a
continuidade da tramitação do processo, tendo em vista a adequação do
Estatuto da IES à Lei n° 9.394/96 (LDB) e legislação correlata. As
análises das dimensões específicas dos cursos superiores a distância ficam
prejudicadas e serão analisadas
in loco
pela
Comissão de Verificação designada pela SESu, conforme Memorando MEC/SESu/DESUP
n° 2.769/2004, de 18 de agosto de 2004.
Finalmente, o processo foi
recomendado na análise do artigo 20 da Resolução CNE/CES n° 10/2002, com o
seguinte parecer:
Trata-se de processo
de autorização de curso em IES credenciada, cujo PDI foi recomendado. No
Exame Nacional de Cursos de 2003 obteve conceito
C
nos cursos de
Administração, Medicina e Pedagogia, conceito
D
nos cursos de
Direito e Medicina Veterinária, e conceito
E
no curso de
Odontologia. Os registros de avaliação das condições de ensino atendem ao
mínimo necessário. Não há também registros de relatórios anteriores que
evidenciem ocorrências de irregularidades ou deficiências acadêmicas não
sanadas, o que permite concluir que a IES atende ao disposto no art. 20,
da Resolução nº 10/2002.
Em 22 de agosto de 2005, a SESu/MEC designou uma Comissão de Verificação,
por meio do Despacho DESUP nº 808/2005, composta pelos professores
Fernando Spanhol, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Eduardo
Lobo, da Faculdade Bahiana de Ciências Contábeis, que visitou as
instalações da Instituição e analisou o projeto apresentado para os cursos
pretendidos.
Mérito
Em relação à
presença da estratégia de educação a distância no
Plano de Desenvolvimento
Institucional, a
Comissão julgou que a IES tem PDI aprovado para o período de 2005 a 2014,
prevendo a implantação do Núcleo de EAD, bem como a oferta de cursos de
graduação e pós-graduação na modalidade a distância. O núcleo de educação
a distância – NEAD faz parte da estrutura organizacional da IES e a
avaliação da Comissão verificou que há compromisso da mantenedora com o
projeto a ser implementado, tendo sido sugerida a criação da função de
Coordenação de EAD. Embora a IES não possua experiência anterior em EAD, a
Comissão ressaltou que alguns professores-autores já atuam nesta
modalidade EAD e estavam integrados na elaboração do Projeto Pedagógico
para o Núcleo de Educação a Distância, cujos coordenadores pedagógicos já
haviam sido definidos para a concepção dos programas dos cursos de
Administração e Pedagogia. A Comissão considerou a organização curricular
dos cursos bem estruturada e de acordo com as deliberações do CNE,
recomendando que, sob a ótica do currículo, os professores possam
organizar trabalhos integrados ao desenvolvimento dos cursos. A IES
obedeceu à legislação vigente e às diretrizes curriculares nacionais,
sendo que o curso de administração já considera a Resolução CNE nº 4/2005,
com carga horária atual de 3.500 horas. O curso de Pedagogia acompanha
permanentemente o processo de discussão das diretrizes curriculares da
área e está proposto com carga horária total de 4.000 horas. De acordo com
a Comissão, a estrutura curricular dos cursos está pautada em bases
pedagógicas consistentes, o que assegura a integração entre disciplinas e
metodologia. A IES conta com regulamento e estrutura própria para
supervisão do estágio profissional, tendo demonstrado formulários e
regulamento adequados. A IES pretende atender, em geral, a uma população
estudantil dispersa geograficamente e, em particular, àquela que se
encontra em zonas periféricas, que não dispõem das redes das instituições
convencionais e apresenta um formato de aula gerada via satélite e apoio
da internet, disponibilizando biblioteca, conteúdos detalhados aula por
aula, textos virtuais, ferramentas para comunicação síncronas e
assíncronas, tais como,
chats
e fórum de debates. A IES
apresentou cronograma para ambos os cursos pleiteados com a organização
das semanas letivas, com tele-aulas,
chat
e fórum. Em termos de
Equipe
Multidisciplinar,
a Comissão considerou que a IES apresenta capacidade técnica e operacional
para a execução dos cursos de graduação em Pedagogia e de Administração.
O curso de bacharelado em Administração – Área: Gestão do Empreendedorismo
– será coordenado pelo professor Dr. José Perez Bezzi, e o curso de
licenciatura em Pedagogia, pela professora Ms. Elisabeth Tavarez. Toda a
documentação das pastas funcionais foi analisada pela Comissão, que
constatou a formação profissional e acadêmica dos docentes e sua aderência
à cada área. O curso de Administração conta com 9 especialistas, 14
mestres e 5 doutores, e o curso de Pedagogia com 9 especialistas, 10
mestres e 4 doutores. A estrutura do Núcleo de EAD conta com Diretor
Administrativo, Coordenador Administrativo, Coordenador de Tecnologia da
Informação, Coordenadores Pedagógicos dos cursos,
web-designer,
Produção /Edição de imagens e demais técnicos de suporte específico à EAD.
A equipe técnico-administrativa conta com profissionais contratados que
atuam em jornada de 40 horas semanais. A IES dispõe de política de apoio e
capacitação dos professores, bem como, de corpo técnico-administrativo, e
para a implantação do Núcleo de Educação a Distância foram programadas
ações específicas para capacitação dos profissionais envolvidos. De acordo
com a Comissão, a
elaboração dos materiais
didáticos para EAD
inclui programas
desenvolvidos a partir de aplicativo elaborado para gerenciar os conteúdos
das disciplinas, organizar
chats
e fórum de discussões,
permitir a integração de alunos com tutores e professores, possibilitar o
acesso às informações acadêmicas, consultar dados e avaliações além de
criar condições para a formação da comunidade virtual de aprendizagem. O
NEAD conta com equipe composta por docentes qualificados para a gestão
educacional, revisores de textos (docentes), profissionais técnicos para a
produção e edição,
web-designers
e corpo
administrativo. Os projetos pedagógicos dos cursos de Administração e
Pedagogia foram desenvolvidos de forma modular, considerando a
interdisciplinaridade dos conteúdos, descrito no guia de informações para
divulgação aos alunos. Essas informações estão disponibilizadas no formato
digital, em página
web
aguardando autorização dos
cursos para publicação. A Comissão sugeriu um maior detalhamento do guia,
com sua impressão para entrega aos alunos no ato da matrícula, ou em aula
inaugural. Foi desenvolvido um
Ambiente Virtual de
Aprendizagem para
gerenciar o conteúdo das disciplinas, servindo também como sistema de
controle e registro acadêmico, que conta com diversos recursos e utiliza o
conceito de comunidade virtual de aprendizagem, favorecendo a troca de
informações entre os alunos.
O projeto de EAD da Universidade Metropolitana de Santos prevê a oferta
dos cursos em parcerias com instituições educacionais a serem conveniadas,
que deverão contar com laboratórios de informática, disponibilizando
outras facilidades, conforme modelo de convênio/ contrato apresentado à
Comissão.
Os materiais didáticos referentes aos dois primeiros semestres dos cursos
de Administração e Pedagogia já foram consolidados, sendo que a IES
executou pré-testes dos materiais didáticos e das tele-aulas com a
organização de gravações em estúdio e externas, e avaliação entre os
pares. A coordenação pedagógica de cada curso avalia periodicamente o
material educacional, bem como, o desempenho das tele-aulas gravadas ou
“ao vivo”.
A logística foi fundamentada na tecnologia de internet de banda-larga e
sinal via satélite, porém, em caso de uma eventual impossibilidade de
recepção de sinais e falhas de energia, está prevista a distribuição de
materiais por CD-ROM, via correio postal. A IES tem realizado jornadas de
capacitação com os professores, voltada para a questão dos direitos
autorais, distribuindo a legislação pertinente e estudo de casos,
demonstrando seriedade na celebração dos contratos com os professores de
forma a preservar / garantir os direitos autorais.
A Comissão verificou que o projeto de EAD da Universidade Metropolitana de
Santos garante a
interatividade entre
professores e alunos
por meio de aplicativo para
gestão da educação a distância, com ambientes voltados à interação de sua
“comunidade virtual”. Constatou-se que há infra-estrutura adequada para
receber docentes e tutores, equipes de produção e edição, pessoal de
suporte técnico e atendimento ao aluno, proporcionando apoio logístico.
Existe um ambiente específico com informações sobre os professores e
orientações para contato com tutoria e equipe de suporte. A IES apresentou
cronograma específico para as aulas presenciais, que deverá constar no
Guia do Aluno.
A IES disponibilizará, por meio de
web-site,
as informações completas a partir do processo seletivo, no desenvolvimento
do programa, que também estarão no Guia do Aluno.
O aplicativo oferece automaticamente relatórios individuais que são
diariamente monitorados pelos professores e também informa aos alunos os
resultados das atividades (exercícios, testes, trabalhos, etc). A
resolução das avaliações (provas) ocorre acompanhada do padrão de
respostas esperado e demais esclarecimentos dos professores.
As equipes de tutores trabalham em três turnos de seis horas, totalizando
18 horas de atendimento contínuo, com modelo reproduzindo os convênios com
Instituições Educacionais nas cidades onde pretende atuar, por meio de
contrato padrão apresentado à Comissão.
O projeto prevê a utilização de
chats
e fóruns
streaming
de vídeo e aula ao vivo, via
satélite, com recepção organizada. O
web-site
conta, ainda, com espaço
próprio para desenvolvimento da comunidade virtual de aprendizagem,
possibilitando a troca de informações. Segundo a Comissão, o projeto da
IES pressupõe ações de
avaliação
do processo, proporcionando
meios para a organização da “comunidade virtual de aprendizagem”, em que
os alunos poderão trocar informações e experiências educacionais e
profissionais. A Comissão constatou que o projeto de EAD da Universidade
Metropolitana de Santos contém previsão de avaliação contínua e
cumulativa, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os
quantitativos sendo representada por notas compreendidas na escala de zero
a 10,0 (dez inteiros). Os alunos serão avaliados por meio de participação
em chats;
fóruns; trabalhos; pesquisas; leituras suplementares ou de outros
instrumentos planejados pelo professor e de conhecimento do aluno.
Os alunos com aproveitamento insuficiente serão submetidos ao processo de
recuperação, considerado como processo dinâmico, objetivando garantir aos
alunos oportunidade de superação de lacunas na aprendizagem.
Processar-se-á de forma contínua, ao longo do período de efetivo trabalho
escolar, por ação do professor, à medida que observa defasagem na
aprendizagem dos alunos; e intensiva, ao final do semestre letivo,
destinada aos alunos que não tenham logrado aprovação em componentes
curriculares.
O sistema acadêmico conta com recursos de segurança específicos para a
aplicação de exercícios, testes e provas, sendo que as instituições
educacionais conveniadas respondem conjuntamente com a IES pela segurança
nas avaliações, pois as mesmas serão presenciais.
Os coordenadores pedagógicos deverão atuar na avaliação periódica dos
professores e tutores. O sistema acadêmico oferece a possibilidade de
avaliações periódicas. A IES conta com comissão própria de avaliação e,
essa, com procedimentos detalhados para avaliação docente e tutoria,
avaliando também o desempenho das instituições conveniadas. Mensalmente
serão analisadas as informações que o sistema acadêmico oferece quanto ao
fluxo de alunos, participação nas atividades educacionais, interatividade
nos chats
e fóruns, além de
informações sobre interrupção de atividades previstas e evasão.
No que se refere à infra-estrutura para educação a distância, a
Instituição conta com uma biblioteca central e bibliotecas setoriais que
administram o acervo de livros e periódicos.
As instituições educacionais conveniadas deverão ter bibliotecas setoriais
com a bibliografia básica necessária ao desenvolvimento dos cursos de
Administração e Pedagogia, conforme contrato padrão apresentado. Todas as
atividades que necessitem da presença do aluno serão realizadas nas
instituições educacionais conveniadas e na sede, com atendimento aos
requisitos e padrões de qualidade, estando a IES solidária e responsável
pelo acompanhamento e cumprimento dessas exigências, estando previsto que
a IES, quando necessário, enviará equipes às instituições educacionais
conveniadas.
As Instituições Conveniadas serão parceiras educacionais da IES, devendo
cumprir obrigações contratuais e obrigações didático-pedagógicas
estabelecidas por contrato, cabendo à Instituição Educacional Conveniada
oferecer a infra-estrutura de apoio para a realização das tele-aulas, bem
como, aplicar as avaliações de aproveitamento.
Após analisar as diferentes dimensões do projeto apresentado, a Comissão
de Verificação manifestou-se nos seguintes termos:
A Comissão
de Avaliação instituída por DESPACHO DESUP para avaliar as condições de
credenciamento da Universidade Metropolitana de Santos para a oferta de
cursos superiores a distância a partir do projeto dos cursos de graduação
em Pedagogia e de graduação em Administração, na modalidade a distância,
foi instalada em 9 de setembro, ocasião da definição de sua pauta de
trabalho. Foram realizadas várias reuniões, com a Direção da IES, do NEAD
e mantenedora, com a Coordenação dos cursos, com o corpo docente dos
cursos e com a equipe técnica de suporte. Foram realizadas visitas às
instalações físicas, laboratórios de informática, estúdios, biblioteca,
sala de professores, estúdios de gravação. Foram analisados e consultados
diversos documentos. Diante do examinado, a Comissão se manifesta
favoravelmente ao credenciamento da Universidade Metropolitana de Santos
para a oferta de cursos superiores a distância, bem como a autorização do
Curso de Pedagogia e do Curso de Administração, com a seguinte ressalva:
Recomendação de oferta de 1.500 vagas anuais para o curso de Pedagogia e
de 1.500 vagas anuais para o Curso de Administração, tendo em vista a
garantia do atendimento ao aluno com qualidade.
Recomendo à Instituição que
observe a homologação das Diretrizes Curriculares de Pedagogia aprovadas
pelo Conselho Pleno do CNE.
II – VOTO DO
RELATOR
Considerando o
resultado da avaliação, apresentado no bem fundamentado Relatório da
Comissão de Verificação, bem como a manifestação favorável da SESu, voto
favoravelmente ao credenciamento da Universidade Metropolitana de Santos
para oferta de cursos superiores a distância, nos termos do art. 80 da Lei
nº 9.394/96, pelo prazo de 4 (quatro) anos, no Estado de São Paulo, a
partir da oferta inicial dos cursos de graduação em Pedagogia e em
Administração, ambos na modalidade a distância. Determino à SESu o
acompanhamento do primeiro ano de implantação da oferta do curso de
Pedagogia.
Brasília (DF), 14 de dezembro de 2005.
Conselheiro Antônio Carlos Caruso Ronca – Relator
III – DECISÃO
DA CÂMARA
A Câmara de
Educação Superior aprova por unanimidade o voto do Relator.
Sala das Sessões, em 14 de dezembro de 2005.
Conselheiro Edson de Oliveira Nunes – Presidente
Conselheiro Antônio Carlos Caruso Ronca – Vice-Presidente
(IPAEduc
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Revista Brasileira de Educação a Distância
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FICHA
CATALOGRÁFICA |
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