Editorial
Uma das grandes virtudes da legislação brasileira é o respeito à autonomia dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
A União não tem poderes para dizer o que cada ente federativo pode ou não fazer. Deve haver uma cooperação e integração mas sem subordinação.
Dentro desse contexto é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que prevê os chamados Sistemas de Ensino.
Isso faz com que muitas medidas tenham que ser negociadas e, um caso típico, é o constante no desejo do Ministério da Educação em regular o funcionamento dos cursos ministrados por EAD na educação básica.
A Revista Brasileira de Educação a Distância antecipa uma provável nova portaria que foi elaborada pelo governo federal mas que pretende ter a aquiescência dos Conselhos Estaduais de Educação.
O periódico prossegue na edição de relatos de práticas de EAD em mais três instituições: uma universidade, um centro universitário e uma faculdade isolada trazem importantes revelações acerca dos métodos adotados para consolidar seus projetos.
Também consta um artigo relevante sobre os dez anos da LDB com o fóco na educação a distância.
Esperamos que a revista possa ter, também em 2006, contribuido para que se difundissem os bons exemplos da educação a distância em nosso país.
João Roberto Moreira Alves
(IPAEduc- 125- 12/06)
Os dez anos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e seus aspectos peculiares na educação a distância
(*) José Manuel Moran
A LDB – Lei de Diretrizes e Bases - surgiu no momento em que a Internet sai das universidades para ser apropriada pela sociedade em todos os setores. Ambas provocaram mudanças significativas na organização da educação presencial e a distância.
A educação vem adquirindo uma importância dramática na modernização do país e há uma percepção crescente do descompasso entre os modelos tradicionais de ensino e as novas possibilidades que a sociedade já desenvolve em muitas empresas e em outros espaços informais de aprendizagem, com o apoio das tecnologias conectadas.
Estamos numa fase de consolidação da educação presencial e da educação a distância no Brasil, principalmente no ensino superior. Na educação presencial, muitas instituições flexibilizam o tempo de sala de aula com atividades a distância, num processo que começou com a Portaria 2253 de 2001, revista em 2004 (Portaria nº 4.059). O sistema bi-modal, semi-presencial – parte presencial e parte a distância - se mostra o mais promissor para o ensino nos diversos níveis. Combina o melhor da presença física com situações em que a distância pode ser mais útil, na relação custo-benefício. Um dos principais desafios de hoje, nas universidades e escolas, é tornar mais flexível o currículo de cada curso, direcionando-o mais para pesquisa, projetos, atividades colaborativas no formato semi-presencial e a distância.
Apesar do preconceito ainda existente contra a EAD, hoje há muito mais compreensão de que ela é fundamental para o país. Temos mais de 150 instituições de ensino superior atuando de alguma forma na educação a distância.
O Brasil aprende rápido e os modelos de sucesso se multiplicam. Passamos de importadores de modelos de EAD para desenvolvedores de novos projetos, de programas complexos implantados com rapidez. Podemos enumerar algumas razões para esse crescimento expressivo:
- · O artigo 80 da LDB que legalizou a Educação a Distância em todos os níveis. Isso deu segurança jurídica para a EAD, o que antes não acontecia.
- · A demanda reprimida de milhões de alunos não atendidos, principalmente por dificuldades financeiras.
- · A política de democratização do governo federal e de inclusão de muitos alunos pela educação a distância, principalmente com a criação da Universidade Aberta do Brasil (UAB).
- · O fato de não ter um modelo tradicional consolidado de EAD, como em outros países, permite ao Brasil desenvolver formatos mais flexíveis e adequados para cada situação, com poucos ou muitos alunos, recursos e mídias.
- · O brasileiro é aberto à adoção de novas tecnologias.
O crescimento exponencial dos últimos anos é um indicador sólido de que a EAD é mais aceita do que antes. Mas ainda é vista como uma solução para ações de grande impacto social (certificar milhares de pessoas simultaneamente) ou supletivas (educação de adultos). É vista como uma forma de atingir quem está no interior, longe dos grandes centros ou que tem poucos recursos econômicos.
Predominam os cursos de formação de professores, principalmente na graduação. A maior parte das instituições utiliza o material impresso em EAD como mídia predominante (84%) e a Internet em segundo lugar, com 63%. As instituições atuam de forma isolada ou em parceria, de forma regional ou nacional.
O MEC criou em outubro de 2005 a UAB - a universidade aberta do Brasil. Não é uma universidade tradicional, mas uma coordenadoria de projetos de ensino superior, que são executados por universidades públicas, com pólos locais instalados por prefeituras e com incentivo financeiro de empresas estatais e privadas. A UAB começou em meados de 2006, um curso piloto de graduação em Administração a distância, para mais de dez mil alunos. Em cada Estado foram definidos, pelas universidades, locais dos pólos regionais e infra-estrutura para atendimento dos estudantes nas aulas presenciais. O candidato tem um processo de tutoria ativa, em pólos regionais que, aliado ao uso da informática, permite o monitoramento do desempenho e fluxo de atividades, facilitando a identificação de possíveis dificuldades de aprendizagem. Está desenvolvendo outros cursos de graduação em áreas onde há demanda, o que provocará, em poucos anos, um re-equilíbrio maior entre a oferta das universidades públicas e privadas.
Há um crescimento gigantesco dos cursos por satélite com tele-aulas ao vivo e tutoria presencial mais apoio da Internet. Estas instituições operam com o modelo de aulas ao vivo para dezenas ou centenas de tele-salas, simultaneamente, onde em cada uma há uma turma de até cinqüenta alunos que assiste a essas aulas, sob a supervisão de um tutor local e que realiza algumas atividades complementares na sala.
Há alguma interação entre alunos e professores através de perguntas mandadas via Internet pelo chat e que podem ser respondidas ao vivo via teleconferência, depois de passarem por um filtro de professores auxiliares ou tutores. Essas aulas são complementadas com atividades de leitura e pesquisa, coordenadas por um tutor eletrônico, um tutor a distância. Os alunos têm professores das disciplinas, um tutor presencial e um outro virtual que os acompanham ao longo do curso. Além das aulas e das atividades presenciais, os alunos desenvolvem atividades de leitura e pesquisa individualmente, a partir de material impresso recebido ou disponibilizado na WEB.
É um modelo que está sendo utilizado mais na formação de professores, e que, diante da demanda existente, tem se espalhado com incrível rapidez nestes últimos anos, dada a facilidade de criar tele-salas em parceria com instituições regionais. Atingem fundamentalmente alunos que têm dificuldade de pagar um curso presencial ou que moram longe dos grandes centros. Algumas destas instituições abrem milhares de vagas para cada oferta de curso. É um fenômeno novo, de grande impacto na educação e que precisa de maior acompanhamento e pesquisa.
O sucesso da tele-aula se deve a que consegue fazer uma passagem mais fácil para a EAD, retoma o contato com o professor, a relação olho-no-olho. Mesmo uma parte das atividades são feitas localmente, em grupo, com um mediador (tutor ou professor assistente).
Os alunos não precisam de tanta autonomia para gerenciar o tempo. Parece um curso presencial, com menos aulas e é mais barato. O custo sem dúvida é outro enorme atrativo. Muitos alunos de cursos de formação de professores me disseram que era a única forma de acesso ao ensino superior, diante da impossibilidade de bancar os custos dos cursos presenciais.
Outro fator de sucesso é que o custo das transmissões por satélite vem diminuindo e torna cada vez mais viável a abertura de novas salas. A infra-estrutura local é relativamente simples e econômica. Costumam ser utilizados prédios ou salas ociosos, principalmente à noite, de colégios que só funcionam no período diurno.
Com o crescimento rápido do número de alunos, de pólos, de tele-salas fica, na minha avaliação, muito difícil manter a qualidade. Com o tempo, o projeto original apresentado ao MEC vai sendo adaptado, modificado e, em geral, banalizado. Os cursos de grande número de alunos costumam ir diminuindo o processo e tempo de qualificação dos professores tutores ou assistentes, o seu acompanhamento. Esse tutor costuma ser chamado para agir de forma generalista, isto é, é tutor de todas as disciplinas. Na prática o seu papel de orientação de aprendizagem e de facilitador, intelectual e emocional, implica em conhecimentos superiores aos exigidos. O crescimento rápido e a multiplicação do número de alunos, com a equipe de coordenação praticamente idêntica, sobrecarrega algumas pessoas que, por serem competentes, são cada vez mais solicitadas, tornando o seu trabalho mais superficial pela quantidade de demandas que são obrigadas a assumir.
Outras instituições partem do material impresso e o combinam com o CD e a Internet como apoio à tutoria e à interação. Predominam os cursos baseados em conteúdos prontos, mas há também cursos baseados em colaboração, em participação real e grupal na aprendizagem. O foco em projetos colaborativos também se desenvolve com rapidez e traz um dinamismo novo para a EAD. Outros se apóiam em cases, em análise de situações concretas ou em jogos, o que lhes confere uma ligação grande com o mercado e com uma pedagogia participativa.
A EAD em rede está contribuindo para superar a imagem de individualismo, de que o aluno em EAD tem que ser um ser solitário, isolado em um mundo de leitura e atividades distantes do mundo e dos outros. A Internet traz a flexibilidade de acesso junto com a possibilidade de interação e participação. Combina o melhor do off line, do acesso quando a pessoa quiser com o online, a possibilidade de conexão, de estar junto, de orientar, de tirar dúvidas, de trocar resultados. É fundamental o papel do tutor na criação de laços afetivos. Os cursos que obtêm sucesso, que tem menos evasão, dão muita ênfase ao atendimento do aluno, à criação de vínculos, de laços afetivos.
A EAD mostra para a educação, em todos os níveis e formas, a importância do auto-estudo, da aprendizagem dirigida. O professor não precisa concentrar toda a sua energia em transmitir a informação. Pode disponibilizar materiais para leitura individual e realização de atividades programadas, pesquisas, projetos, combinando o seu papel de informador com o de mediador e o de contextualizador. Os cursos presenciais poderiam ter um mix de informação, pesquisa (individual e grupal) e auto-estudo.
Ela nos faz descobrir como é importante estarmos juntos, e como, ao estarmos juntos, podemos resolver facilmente os problemas de aprendizagem, as dúvidas. O estar juntos facilita a criação de confiança, de laços afetivos.
A educação online a distância nos liberta do modelo de um professor para um grupo de alunos como o único possível. É um luxo ter um grande profissional somente para poucos alunos. O grande especialista, o professor brilhante, pode ter hoje muitas mais chances de mostrar o seu valor. Pode participar de cursos em que é o professor responsável, com aulas magistrais, que são completadas e atualizadas por professores assistentes em vários estados e grupos. Os grandes professores podem transformar-se em orientadores, em palestrantes, em coordenadores de atividades de muitos grupos.
A educação on-line de qualidade reafirma um princípio por demais conhecido de que o foco principal está na aprendizagem mais do que no ensino. E o faz concentrando toda a proposta pedagógica em que o aluno aprenda sozinho e em grupo, com leituras, pesquisas, projetos e outras atividades propostas de forma equilibrada, progressiva e bem dosadas ao longo do curso.
Na EAD a maior parte do tempo do professor não é “lecionar”, mas acompanhar, gerenciar, supervisionar, avaliar o que está acontecendo ao longo do curso. O papel do professor muda claramente: orienta, mais do que explica. Isto também pode acontecer na educação presencial; mas até agora desenvolvemos a cultura da centralidade do papel do professor como o falante, o que informa, o que dá as respostas. A EAD de qualidade nos mostra algumas formas de focar mais a aprendizagem do que o ensino.
Um bom curso a distância possui um equilíbrio entre atividades individuais e a aprendizagem colaborativa, em grupos. Esse equilíbrio pode ser incorporado no ensino presencial: Os alunos podem desenvolver atividades sozinhos e outras em grupos, participando de projetos, pesquisas e outras atividades compartilhadas. Para isso, não precisam ir todos os dias para uma mesma sala, estar com professores em tempos e horários totalmente previsíveis. Alunos com acesso em outros locais que a universidade, podem realizar as atividades colaborativas sem estarem juntos, mas conectados. Alunos com dificuldades de acesso o encontrarão na própria universidade em salas conectadas, como bibliotecas e laboratórios. Justifica-se assim uma maior flexibilidade de organização dos horários e tempos de sala de aula e de outros tempos de aprendizagem supervisionada, sem necessariamente obrigar os alunos a estarem no mesmo lugar e tempo com o professor.
O design educacional de um curso a distância também pode ser adaptado, em determinados momentos, ao presencial. Algumas disciplinas mais básicas ou comuns a vários cursos podem ser colocadas na WEB depois de um bom planejamento e desenho do curso. Esse material leve, atraente e comunicativo pode servir de base para a informação necessária do aluno, para que o aluno o acesse pessoalmente, antes de realizar algumas atividades. Essas disciplinas com o material na WEB podem ser compartilhadas por mais de um professor ou tutor, quando são muitos os alunos. Isso permite que essas disciplinas possam ser oferecidas quase integralmente a distância.
As instituições estão aprendendo rapidamente a fazer EAD e isso é uma grande vantagem. Queimamos etapas, aprendemos fazendo. Mas os modelos costumam caminhar para uma certa simplificação, um nível de exigência menor que o inicial, diante de demandas grandes. A avaliação presencial tende a ser feita na forma de prova, em geral de múltipla escolha, o que levanta dúvidas se esse instrumento é eficaz para verificar a aprendizagem significativa.
Para onde caminhamos na educação
A educação caminha, fundamentalmente, em duas direções diferentes, uma mais centrada na transmissão de informações e outra mais focada na aprendizagem e em projetos. Ambas terão muita interferência das tecnologias e formatos diferentes dos que conhecemos, principalmente no presencial.
Modelo 1: A multiplicação do ensino centrado no professor, na transmissão da informação, de conteúdo e na avaliação de conteúdos aprendidos.
Esse modelo terá diversos formatos tanto no ensino presencial como no a distância.
· Multiplicação de aulas de transmissão em tempo real (tele-aulas) e atividades de leitura, pesquisa, compreensão de textos, avaliação de conteúdo.
- · Aulas simultâneas para várias salas (vários campi), com um professor principal e tutores locais.
- · Aulas gravadas e acessadas a qualquer tempo e de qualquer lugar através da Internet ou da TV digital, focando conteúdo, compreensão e avaliação dessa compreensão.
Os cursos presenciais se tornarão cada vez mais semi-presenciais, focados no conteúdo (neste primeiro modelo). Exigirão um ou dois dias de aula presencial por semana e o restante do tempo será dedicado a atividades de aprendizagem baseadas em leituras, compreensão de textos, tirar dúvidas e realizar processos de avaliação de compreensão de conteúdo.
Nos cursos a distância haverá modelos pela TV digital, WEBTV com alguns momentos de aulas ao vivo ou gravadas, atividades de leitura, pesquisa, com alguns momentos de orientação dos professores e avaliação de compreensão de conteúdo.
Modelo 2: O foco na aprendizagem, no aluno, na pesquisa, na colaboração, na flexibilidade, na integração.
Em instituições educacionais mais focadas no aluno e na aprendizagem do que no professor e na transmissão de informação, teremos alguns momentos de informação ao vivo ou gravada, mas predominarão a experimentação, o desenvolvimento de atividades individuais e grupais de aprendizagem teórico-prática, projetos de pesquisa acadêmicos, de inserção no ambiente de trabalho, de intervenção e modificação de uma realidade social, de criação de contextos. Os professores orientarão mais que ensinarão, acompanharão mais do que informarão. Organizarão, orientarão e avaliarão processos e “não darão aula” no sentido tradicional de foco na transmissão da informação. Teremos algumas escolas ou universidades mais inovadoras, que trabalharão sem disciplinas, por solução de problemas, por projetos transdisciplinares, sem um currículo totalmente predeterminado.
A maior parte das instituições fará um mix de conteúdo e pesquisa, de algumas aulas informativas e de orientação de pesquisa, de um mix entre disciplinas e projetos interdisciplinares integrados.
A formatação destes modelos centrados no aluno e na aprendizagem incluirá o uso freqüente de tecnologias para grupos pequenos e grandes.
Os modelos serão semi-presenciais, com muita ênfase no planejamento, desenvolvimento e avaliação de atividades de pesquisa, de projetos. As aulas presenciais servirão para planejar as etapas da pesquisa. Depois acontece a pesquisa através do acompanhamento virtual e, ao final, os alunos voltam ao presencial para avaliação e para organizar novas propostas de temas de pesquisa e assim sucessivamente.
O que têm em comum e em que diferem os dois modelos?
Os dois modelos têm em comum o formato semi-presencial ou a distância com soluções mediadas por tecnologias. Teremos os alunos nas salas de aula uma ou duas vezes por semana, a médio ou longo prazo.
Haverá cada vez mais o uso de tecnologias de comunicação em tempo real. No primeiro modelo pedagógico, mais para ouvir o professor; no segundo, mais para interagir, orientar e colaborar.
Nos cursos a distância teremos os que focam a transmissão via tele-aula, com alguma interação para perguntas, dúvidas e os que são oferecidos pela rede, a partir de aulas gravadas ou ao vivo, com alguma interação para dúvidas.
Os cursos a distância do segundo modelo, focadas mais no aluno, utilizam mais as ferramentas colaborativas, a pesquisa individual e grupal, a publicação compartilhada, o conceito de portfólio individual e grupal, construído ao longo do processo.
O primeiro modelo tende a ser mais barato, a ganhar mais em escala, a ter um efeito multiplicador maior. Por isso, será adotado por mais instituições, nos próximos anos, pela sua maior relação custo-benefício e por reforçar os padrões já conhecidos de ensino.
O segundo modelo, por precisar de mais orientação, é um modelo de mais qualidade, criativo e inovador; mas tende a ser mais caro, mas também pode ser rentável em pequena e grande escala. Precisará, porém, de gestão muito atenta e criteriosa. As instituições que souberem aplicar bem este modelo centrado no aluno e na colaboração terão um reconhecimento muito maior social e tenderão a crescer a médio e longo prazo.
Variações entre os modelos
A partir desses dois modelos básicos, teremos inúmeras variações, modelos híbridos, que procurarão equilibrar transmissão de informação e colaboração, conteúdo e pesquisa, informação pronta e conhecimento construído.
O que parece certo é que teremos cada vez menos aulas presenciais, fisicamente juntos e mais compartilhamento virtual das experiências de aprender com alguém mais preparado (os professores) e de aprender juntos, em rede.
Como toda a sociedade será uma sociedade educadora, porque está em contínua aprendizagem, haverá junto com os espaços mais oficiais educacionais (escolas, universidades), inúmeras outras instituições que também ensinam, que se integram parcialmente às oficiais, através de parcerias ou habilitações específicas. Os espaços, instituições sociais, ONGs, associações... serão muito mais ricos em ofertas de aprendizagem. Dificilmente teremos um curso de longa duração só na instituição escolar, haverá inúmeros momentos aprendizagem em parceria com organizações externas e que comporão o currículo. Aprenderemos na escola, em casa, no trabalho, na cidade, no mundo presencial e no ciberespaço ou mundo virtual.
Em poucas décadas os modelos atuais nossos de ensinar e aprender comporão um capítulo específico da História da Educação e mais adiante da pré-história dela. Nossos prédios e organização em salas de aula, de acesso diário, de tempos fixos e atividades iguais para todas serão considerados modelos totalmente antipedagógicos e anti-econômicos e analisados como a organização possível numa sociedade industrial do passado, já então totalmente superado e esquecido.
(*) Doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo e professor aposentado da ECA-USP. Diretor Acadêmico da Faculdade Sumaré-SP. Membro do comitê de avaliação de cursos superiores a distância do MEC. Autor do livro Mudanças na comunicação pessoal (2001) e Co-autor de Novas Tecnologias e mediação pedagógica (12 a ed. 2006) e Educação Online (2003). Página: www.eca.usp.br/prof/moran/textosead.htm
(IPAEduc- 126- 12/06)
A prática da EAD - Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina
(*)Elisa Netto Zanette
(**)Cleusa Ribeiro dos Santos
(***)Graziela Fátima Giacomazzo Nicoleit
(****)Patricia Jantsch Fiuza
Resumo: Neste artigo, relata-se a experiência vivenciada por um grupo multidisciplinar na Educação a Distância (EaD) no ensino superior. As reflexões iniciaram em 2000 e fundamentaram-se no Projeto Político Pedagógico (PPP) e na missão da Instituição, baseando-se em uma concepção pedagógica clara e definida, visando à constituição de um espaço acadêmico de planejamento, gerenciamento e avaliação dos projetos em EaD, em consonância com a legislação nacional vigente e os diversos órgãos instituídos na Unesc. Esse propósito evidenciou a necessidade da resignificação de paradigmas, da definição de possibilidades de desenvolvimento de materiais didáticos, privilegiando a construção coletiva e optando pelo uso de mídias agregadas. A definição do ambiente virtual de aprendizagem apoiou-se na concepção de softwares livres visando ampliar o espaço de pesquisa institucional, fortalecendo a disseminação do uso das tecnologias na educação presencial e a distância. A experiência obtida permitiu a evolução dos projetos subsidiando novas propostas de implantação de EaD.
Introdução
A Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), no contexto de inserção da educação nas suas diferentes formas e modalidades imprescindível à sociedade contemporânea, busca continuamente propiciar ambientes de aprendizagem que contribuam com a formação de sujeitos autônomos, críticos, reflexivos, atuantes e transformadores, visando promover o desenvolvimento do ambiente de vida. Localizada no extremo sul do estado de Santa Catarina, constitui-se como uma IES (Instituição de Ensino Superior) fortalecida na presencialidade dos seus alunos em seus cursos. Atua no âmbito da Graduação, Pós-Graduação lato e stricto sensu , Extensão e Colégio de Aplicação.
No presente artigo, apresenta-se o relato da experiência de profissionais da educação, envolvidos no processo de constituição institucional do Setor de Educação a Distância (Sead) da IES, objetivando a reflexão sobre a prática.
1 A Constituição do grupo de trabalho em educação a distância: Breve histórico
Os primeiros estudos sobre a EaD na Unesc, ocorreram em 2000, por iniciativa e reflexões empreendidas por um grupo multidisciplinar de estudo formado por docentes vinculados aos cursos de licenciatura. Esse movimento fortaleceu-se com a constituição nacional de consórcios
entre IES visando democratizar o acesso à educação de qualidade por meio da oferta de cursos a distância.
A demanda para novos cursos no âmbito de aperfeiçoamento e extensão provocou a necessidade de ampliação do grupo multidisciplinar e de espaço físico para a criação de um ambiente acadêmico de planejamento, gerenciamento e (re)avaliação da demanda em EaD, em consonância com a legislação nacional.
Nesse processo, emergiu a necessidade de políticas de efetivação da inserção das tecnologias no contexto educacional, presencial e a distância e o fortalecimento da cultura de EaD na IES. Optou-se, em 2002, por um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) que possibilitasse o fortalecimento dos espaços de pesquisa e com adequação ao contexto didático/pedagógico da IES, definido em seu PPP.
A implantação e utilização do AVA como instrumento pedagógico provocou a necessidade de superação de diversos obstáculos, desde a instalação e adequação dos recursos à formação dos professores e alunos no uso pedagógico do mesmo. A formação continuada dos professores no uso do AVA e das mídias agregadas, iniciou em 2002.
Os processos de organização, planejamento, execução e avaliação de projetos em EaD, agregando mídias diversas como o AVA, fomentou a ampliação do grupo de estudo para grupo de pesquisa, consolidando-se como grupo de trabalho, instituído na informalidade como Sead.
Esta organização provocou, além da necessidade institucional de criação do setor, o encontro dos profissionais que foram agregando-se por projetos, possibilitando troca de experiências, pois, em um novo processo, são muitas as vivências e desafios internos e externos. O trabalho de cooperação e colaboração foi bastante evidenciado, como cita Okada (2003, p.16) “[...] quando os sujeitos interagem e trabalham colaborativamente, constroem conhecimento de modo mais significativo, desenvolvem habilidades intra e interpessoais, deixam de ser dependentes para se independentes”.
Os desafios internos estão relacionados com a história individual de aprendizagem de cada integrante do grupo, que historicamente se constitui na presencialidade de quem ensina e de quem aprende. Não seria o fato de optar por outra modalidade de ensino não presencial, mas agregar a esta outra forma e novos recursos para promover uma educação atual, inovadora, contemporânea, respondendo aos apelos de uma sociedade da informação.
Os desafios externos mostram-se sempre os mais complexos, pois determinados pelas idéias coletivas criam as resistências positivas e negativas quanto às mudanças. As primeiras aparecem para questionar, problematizar, permitir o pensar a partir da perspectiva do outro, mostrando-se importante, produtiva e aberta a conhecer e vivenciar em algum momento a nova proposta.
As resistências negativas surgem para negar, rechaçar, excluir, sem ao menos conhecer de fato a proposta. Estas são as que limitam o processo, fazem emergir banalizações, generalizações que acabam afetando todo o esforço coletivo de trabalho, estudos e dedicação, pelo simples fato de não conseguir internamente vencer seus próprios desafios.
O grupo, constituído de profissionais de diversas áreas da IES agregados aos projetos e fortalecidos pelo acesso aos cursos de formação permanente promovidos pelo Sead, procurou organizar seu trabalho na modalidade de EaD, levando em conta a missão da Instituição e a sua cultura, com uma concepção pedagógica clara e definida que possibilitou o encontro de idéias. Essa concepção, definida no PPP da IES e dos cursos, embasa a construção dos projetos que reflete em todo o processo, desde a seleção das mídias e/ou ambiente de aprendizagem.
Nesse cenário, o Sead passou da informalidade para a institucionalização em 2003, regulamentado em portaria por órgão competente da IES, validando as ações até então desenvolvidas e reafirmando a intencionalidade de atuação nessa modalidade de educação. O Sead, como uma unidade vinculada à Pró-Reitoria de Ensino, consolida-se como setor responsável pela proposição, produção, difusão, gestão e avaliação de projetos e experiências inovadoras em EaD.
Composto por uma equipe multidisciplinar representativa das diversas áreas de conhecimento, foi concebido em consonância com a missão da Unesc que propõe “ Promover o desenvolvimento regional para melhorar a qualidade do ambiente de vida” .
As experiências pedagógicas desenvolvidas na modalidade de EaD, próprias e/ou em parceria com outras Instituições, no período de 2000 a 2003, coordenadas pelo Sead, permitiram a concretização do processo de credenciamento da IES na pós-graduação lato sensu. Viabilizaram a execução de novas ações com o estudo e a elaboração de novos projetos. O interesse dos docentes em conhecer e utilizar propostas de EaD e a procura por informações a respeito de disciplinas da graduação e cursos nesta modalidade de educação tem aumentado de forma considerável por acadêmicos e pessoas da comunidade.
Atualmente, o Sead desenvolve projetos de extensão e aperfeiçoamento, disciplinas na graduação e curso de Pós-Graduação lato sensu na modalidade semi-presencial e a distância, integra-se no desenvolvimento dos projetos a Diretoria de Informática, de Extensão, de Graduação e Pós-Graduação, os Cursos de Graduação e demais setores necessários. Também desenvolve material de multimídia em parceria com os profissionais especialistas em multimídia da Diretoria de Informática. Nesta mesma forma de parceria, acontecem as atividades de pesquisa, desenvolvimento e manutenção de outros recursos tecnológicos como o AVA da Instituição (Learnloop) que serão detalhados neste trabalho.
2 Princípios norteadores do SEAD
Para a realização de projetos em EaD, foram elencados alguns princípios norteadores que envolvem a compreensão dos marcos conceituais, refletindo sobre os componentes epistemológicos, as abordagens e as estratégias para viabilizar projetos nessa modalidade, tais como: diversidade; autonomia; investigação; relação teoria e prática; trabalho cooperativo e colaborativo; dialogicidade; construção e re-construção do conhecimento; interatividade e criticidade.
Neste contexto, insere-se a proposição de diretrizes, parâmetros e metas para o desenvolvimento da EaD em parceria com as Diretorias e Cursos, visando promover a ampliação de oportunidades educativas, de modo especial para as pessoas que não puderam iniciar ou concluir seus estudos. Sendo assim, promove-se a permanência dos educandos no seu meio cultural e natural, evitando êxodos que incidem negativamente no desenvolvimento regional e propicia-se o desenvolvimento de atividades de aprendizagem a partir das experiências dos educandos, às suas vidas profissionais e sociais, sem afastamento de seus locais de trabalho.
Logo os projetos de EaD, desenvolvidos no Sead devem considerar os projetos pedagógicos, as diretrizes curriculares, a flexibilização, e o processo de ensino aprendizagem, incluindo o planejamento do material didático e nas mídias utilizadas elaborados por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, de comprovada competência, visando à garantia da qualidade do processo de ensino e aprendizagem integrados a organização tutorial, monitoria, gerenciamento e apoio de salas remotas quando necessário. Avaliar esse sistema se faz necessário para diagnosticar, analisar e mensurar o alcance dos objetivos da IES e dos cursos em EaD. Na Unesc, esse processo tem o acompanhamento da COMAVI – Comissão Permanente de Avaliação Institucional.
3 Concepção Pedagógica norteadora
A concepção de EaD, adotada pelo Sead, insere-se numa proposta pedagógica que se sustenta no reconhecimento da educação como um sistema aberto que considera o ser humano em sua multidimensionalidade, na qual o ponto de partida de todo o processo ensino aprendizagem deve ser a realidade sócio-histórica do indivíduo, incluindo a compreensão da complexidade do conhecimento e de seu processo de construção, ou seja: o processo de aprendizagem é dinâmico, social e individual.
Nesse sentido, entende-se que os instrumentos tecnológicos potencializam a interação professor, educando e conhecimento e, conseqüentemente, o processo ensino aprendizagem. Ao utilizar-se de novas tecnologias que potencializam o ensino aprendizagem, a instituição cumpre sua função social e possibilita a formação da cidadania.
Por suas características, a EaD permite avançar de uma compreensão de educação como sistema fechado, voltado para a transmissão e transferência, para um sistema aberto, implicando processos transformadores que decorrem da experiência de cada um dos sujeitos da ação educativa. Nesse enfoque, o currículo é algo em processo, flexível, aberto, concebido como resultado da ação e da interação dos sujeitos do ato educativo com a realidade. Logo o desenvolvimento dos conceitos e teorias trabalhadas numa abordagem construcionista.
A proposta pedagógica da EaD, inserida num contexto de uso das diferentes mídias, oferece novos campos de desenvolvimento de competências atuais (PERRENOUD, 2000) e, aumenta o alcance das desigualdades no domínio das relações sociais, da informação e do mundo. É a educação, concebida como o elemento-chave na construção de uma sociedade baseada na informação, no conhecimento e no aprendizado.
4 A Gestão de sistemas de EAD no SEAD
A implementação da EaD no ensino cria novos sujeitos e redefine papéis, os quais requerem uma política de formação das pessoas para atuar nas diferentes dimensões, níveis ou sub-sistemas dessa modalidade de educação. Para tanto, faz-se necessária a formação de uma equipe multidisciplinar das diversas áreas do conhecimento com ênfase, interesse e estudos sobre EaD e os seus recursos mediatizadores. A organização dessa equipe deve atender as funções mínimas de: coordenação geral do SEAD, professores, monitores, secretaria, suporte técnico e apoio para produção de material.
A estrutura física do Sead está sendo implementada de forma gradativa, visando ao atendimento com qualidade dos projetos em andamento e dos futuros, aprovados pelos órgãos de competência da Instituição.
Os recursos tecnológicos elencados para essa modalidade devem contemplar sua aquisição e atualização, de acordo com a oferta nesta modalidade, adequando-se aos projetos desenvolvidos e atendendo aos critérios de qualidade mínimos para a oferta de cursos na modalidade de EaD. Nestes cursos e demais projetos são utilizados vários recursos de comunicação e interação tais como: Ambiente Virtual de Aprendizagem LearnLoop com ferramentas de comunicação síncrona e assíncrona, softwares de gerenciamento administrativo e pedagógico, como fórum, chat, Conferência online (Hot-Conference), lista de discussão, Internet, Telefone, fax e correio, TV e vídeo.
Em cada projeto desenvolvido, são observados os componentes de gestão de pessoas, recursos físicos e estrutura tecnológica que se organizam em: Desenho do projeto/programa de acordo com o PPP da IES; Formação de equipe multidisciplinar; Planejamento e organização do projeto; Desenvolvimento do material didático; Formação dos Professores; Organização dos mecanismos de apoio e formação da equipe de apoio; Utilização do AVA da IES; Estrutura física e tecnológica; Sistema de avaliação pedagógica; Sistema de avaliação do processo e de gestão pela Comavi. A gestão pedagógica e administrativa ocorre de forma compartilhada no âmbito do setor e das Diretorias e Cursos envolvidos nos projetos.
5 Cenário atual da educação a distância na UNESC
O Sead está articulado com a Diretoria de Graduação, de Pós-graduação, de Extensão, de Informática e de Pesquisa, desenvolvendo atividades que atendam as necessidades da instituição em termos administrativos e pedagógicos. Destacam-se a oferta e apoio pedagógico no desenvolvimento de disciplinas e cursos de extensão e pós-graduação lato sensu a distância; o suporte técnico e pedagógico no uso dos recursos tecnológicos oferecidos para professores e acadêmicos e a participação no Programa de Formação Continuada da Unesc.
5.1 Extensão
Os projetos e programas desenvolvidos em parceria com a Diretoria de Extensão são:
Prevenção ao uso indevido de drogas - O programa é desenvolvido em parceria com o COMAD - Conselho Municipal Antidrogas e PM de Criciúma. O curso de extensão “Drogas: saiba como evitar, educando para a vida e formando cidadãos” está na 5ª edição. Neste projeto, o cursista pode optar por 100% a distância ou semipresencial. Dentre outras ações, o curso propicia a formação de agentes multiplicadores, utilizando as mídias CD, material impresso, Internet e AVA. Carga Horária: 60h/a.
Operação e Programação com a Calculadora HP 48/49 GII/G/GX/G+ - O curso é promovido pelo SEAD em parceria com a Diretoria de Extensão e o Curso de Eng.Civil. É direcionado aos acadêmicos de engenharia, engenheiros e administradores e utiliza as mídias: material impresso, Internet e AVA Moodle para acesso ao material, publicação de atividades, participação em fóruns e tira-dúvidas. Também é utilizado os recursos do HotConference para as aulas online com o recurso de um simulador da HP. Carga Horária: 24h/a.
Educação Sexual na Escola - O projeto, desenvolvido em parceira com diversos cursos da graduação, prevê a pesquisa e a produção de objetos de aprendizagem e a oferta de um curso com objetivo de contribuir na formação dos professores para desenvolverem atividades de ensino relacionadas com a temática da sexualidade no ambiente escolar.
Utiliza as mídias: material impresso, Internet e AVA LearnLoop para acesso ao material, publicação de atividades, participação em fóruns e tira-dúvidas. Carga Horária: 60h/a.
Prática de Textos Argumentativos - Propõe módulos de prática que contribuem para o crescimento pessoal e profissional dos participantes, oportunizando a ampliação de sua produção escrita, especificamente em textos argumentativos, a fim de estruturar melhor o pensamento crítico e apresentar suas idéias de forma coerente e com fundamentação.
Utiliza as mídias: material impresso, Internet e AVA LearnLoop para acesso ao material, publicação de atividades, participação em fóruns e tira-dúvidas. Carga Horária: 30h/a.
Matemática Financeira - Esse curso a Distância da Unesc, desenvolvido em parceria com o Curso de Administração, busca ampliar os conhecimentos acerca do assunto, entre os participantes, por meio da utilização de uma calculadora das famílias HP120C ou HP48/49, ou ainda, no mínimo, uma calculadora científica com as funções yx e log(x). Utiliza as mídias: material impresso, Internet, simulador em rede da HP e o AVA LearnLoop para acesso ao material, publicação de atividades, participação em fóruns e tira-dúvidas. Carga Horária: 30h/a .
Formação Continuada para professores da rede pública – Projeto Salto para o Futuro - O programa é desenvolvido em parceria com a 21ª Gerei, SED-SC e MEC/SEED. É um programa de Educação a Distância realizado pela TV Escola (canal educativo do Ministério da Educação) e produzido pela TVE Brasil. A interação do cursista ocorre em momentos síncronos, via telefone, fax e e-mail. Atualmente, o projeto Salto para o Futuro é gerenciado na Unesc, pelo SEAD, em parceria com a Diretoria de Extensão e de Graduação nos aspectos pedagógicos, técnicos e tecnológicos. A SED-SC/Gerei responde pela contratação do professor mediador. A certificação dos cursistas participantes dos cursos de formação continuada vinculados ao projeto é emitida pela Unesc, onde acorrem os cursos.
Mídias utilizadas: material impresso, Teleconferência, Telefone, Fax, e-mail. Carga horária é adequada a Série/Temática, varia entre 20h/a e 40h/a.
Formação Continuada para professores e docentes da Unesc – Projeto Salto para o Futuro - Visa implantar e ou promover ações didático-pedagógicas nos cursos de licenciatura da Unesc e nos cursos de Extensão relacionados à formação de professores, usando os recursos dos Programas Salto para o Futuro e TV e vídeo na Escola. A proposta de utilização dos recursos de Teleconferência na formação continuada dos acadêmicos dos cursos de licenciatura e dos professores da Unesc é desenvolvida durante os semestres letivos, com a publicação da grade de programação dos programas da TV Escola, encaminhada aos coordenadores de cursos de Licenciatura para análise e seleção das teleconferências de interesse em conjunto com o colegiado do curso. O processo de interação dos acadêmicos e professores durante a teleconferência deve ocorrer com o uso de um telefone/fax 0800 disponível pela Secretaria de Educação a Distância do MEC e por um canal de comunicação via Internet.
Programa de Formação Continuada em EaD para docentes do ensino superior - O programa visa à formação dos docentes para atuarem na modalidade de Educação a Distância no contexto de produção de material didático, uso das atuais tecnologias e mediação pedagógica. São ações do programa : formação dos professores da Unesc no uso das atuais tecnologias (AVA, Internet, TV e vídeo) no contexto pedagógico, na modalidade presencial, esta ocorre em parceria com o Programa de Formação Continuada dos Docentes da Unesc, desenvolvido pela Diretoria de Graduação; formação dos professores para a produção de material didático para a EaD; formação dos professores para a mediação pedagógica em EaD e Seminário Interno de EaD.
5.2 Graduação
São desenvolvidos projetos e programas em parceria com a Diretoria de Graduação, os quais objetivam a oferta de disciplinas a distância em cursos presencias e a oferta de cursos de graduação a distância em parcerias e/ou próprios. Os programas em execução são:
Processo de credenciamento da IES, junto ao SEED/MEC, na oferta de curso de graduação a distância – Projeto Licenciatura em História;
Projeto Pró-Licenciatura vinculado ao MEC, em parceria com a Unerj e Unochapecó, na oferta de Curso de Graduação de Letras na modalidade a distância.
Projeto de oferta de disciplinas na modalidade a distância, nos cursos presenciais da Unesc, reconhecidos – até 20% da grade curricular do curso.
5.3 Pós-Graduação (Lato Sensu)
Os cursos de Pós-Graduação na modalidade a distância da Unesc objetivam, de forma geral, possibilitar o aprendizado em diferentes espaços e respeitar os horários disponíveis do aluno. Os projetos são desenvolvidos pela Diretoria de Pós-Graduação e o Sead em parceria com os cursos de graduação. A oferta de cursos nessa modalidade é regulamentada pelo MEC que credencia a IES. A Unesc é credenciada por meio do Parecer CNE/CES Nº 239/2004 e Portaria Nº 2.695/04. Os cursos desenvolvidos e/ou em execução, próprios e em parceria, são:
- Especialização em Gestão e Inovação Tecnológica na Construção Civil, na modalidade de Educação a Distância. Especialização em Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem.
- Especialização em Planejamento e Ação Docente, na modalidade Semi Presencial.
- Especialização em Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, na modalidade Semi Presencial.
5.4 Pesquisa
A pesquisa ocorre no processo de desenvolvimento, organização e execução dos projetos na modalidade de EaD. São vinculados a estes os projetos de Iniciação Científica, de Trabalhos de Conclusão de Cursos, de monografias e de grupos de pesquisa. Na categoria grupo de pesquisa, a quipe do Sead participa do projeto: o processo ensino e aprendizagem na graduação, modalidade de Educação a Distância, com ênfase nos conceitos matemáticos. O nome do Grupo, cadastrado no CNPq é Educação a Distância na Graduação.
Considerações finais
O modelo proposto na constituição do Sead, o qual é ratificado na prática, primou pela construção de um grupo multidisciplinar de estudo, pesquisa e trabalho no contexto colaborativo e cooperativo, priorizando os processo de aprendizagem coletiva e a interação social. Nesse tipo de processo, são importantes as habilidades de troca de conhecimento entre os sujeitos, comprometimento, negociação e entendimento no compartilhamento do problema, além da ajuda mútua em resolvê-lo. Por isso todos são aprendizes e podem contribuir um com o outro.
No processo de formação continuada dos professores, visando ao fortalecimento da cultura da EaD e a inserção nos cursos presenciais da Instituição, de propostas de utilização de inovações tecnológicas que contribuam com melhorias didático-pedagógicas a fim de permitir e familiarizar o acadêmico com as atuais tecnologias da informação e comunicação, verificou-se também que não é suficiente somente colocar a tecnologia à disposição dos professores integrantes do grupo e dos projetos.
A apropriação dos recursos tecnológicos, as concepções sobre as formas e o conteúdo didático-pedagógico - no contexto presencial e não-presencial - ocorreram em tempos distintos. Portanto é preciso dar espaço e tempo para que, a partir da rede de significados coletiva, cada um desenvolva seu potencial, reflita sobre sua prática e implemente mudanças que possam contribuir no processo educativo na Universidade.
A experiência vivenciada no Sead mostra a importância de um planejamento, organização e produção dos materiais no enfoque de um constante (re)pensar, porque estar envolvido em uma rede de colaboração auxilia e amplia os significados tanto no contexto de conhecimento quanto no contexto de comunicação. Isso não é apenas utilizado nas produções coletivas dos grupos, mas também nos trabalhos de mudança de prática dos envolvidos.
Dentro desse contexto, paralelo a toda essa operacionalização da modalidade, a equipe multidisciplinar busca, também, desenvolver a pesquisa, experimentação e aplicação de propostas pedagógicas/educativas na modalidade de EaD, promovendo e apoiando a realização de cursos de capacitação em EaD, simpósios, seminários, congressos, encontros, tendo em vista o acesso da comunidade às diversas áreas do conhecimento, na modalidade de Educação a Distância e em âmbito macro articular parcerias e convênios interinstitucionais para oferta de cursos semi-presenciais e não-presenciais.
Os projetos experimentados e reavaliados pelo grupo multidisciplinar comprovam que os desafios de implantação de EaD nas IES representam processos de avaliação e reavaliação. A relevância desses processos situa-se na importância de participar do desafio de trabalhar com uma modalidade de educação não presencial, numa IES constituída historicamente pela presencialidade. A experiência mostra que, além de contribuir na inserção das tecnologias nas práticas pedagógicas, contribui na formação de grupos multidisciplinares com idéias e concepções coerentes com a modalidade de EaD, fundamentados teoricamente, mas também que vão constituindo-se no processo a partir da reflexão da sua própria prática vivenciada em projetos próprios, em parcerias na IES e nas parcerias interinstitucionais.
(*)Matematicista, Mestre em Educação, Setor de Educação a Distância/Unesc, Professora, enz@unesc.net
(**)Pedagoga, Mestre em Educação, Setor de Educação a Distância/Unesc, Professora, csa@unesc.net
(***)Pedagoga, Mestranda em Educação/Ufrgs, Setor de Educação a Distância/Unesc, Professora, gfg@unesc.net
(****)Psicóloga, Mestre em Engenharia de Produção, Setor de Educação a Distância/Unesc, Professora, pjf@unesc.net
Referência:
LANDIM, Cláudia Maria das Mercês Paes Ferreira. Educação a distância: algumas considerações. Rio de Janeiro: [s.n.] 1997.
MAIA, Carmem. Guia brasileiro de educação a distância. São Paulo: Esfera, 2002.
MAIA, Nelly Aleotti e COSTA, Marly de Abreu. Avaliação. In: MARTINS, Onilza Borges (Org.). Curso de formação em educação a distância. Planejamento e gestão em EAD: organização curricular e material didático. Curitiba : UNIREDE, 2001. p.193-270
NEDER, Maria Lúcia Cavalli. Avaliação na Educação à Distância: significações para definição de percursos. In: PRETI, Oreste (org.) Educação à Distância : Início e indícios de um percurso. Cuiabá : NEAD/UFMT, 2000.
OKADA, Alexandra Lilavati Pereira. Desafios para EAD: Como fazer emergir a colaboração e a cooperação em ambientes virtuais de aprendizagem. In: SILVA, Marco (Org.) Educação online: Teorias, práticas, legislação e formação corporativa. São Paulo: Loyola, 2003. p.273-291.
OLIVEIRA, I.E.A. Didática do Ensino Superior. In: Martins, Onilza Borges (Org.). Curso de formação em educação a distância: Metodologia da Pesquisa e Didática do Ensino Superior. Módulo 5, Curitiba: MEC: UNIREDE, 2001. p. 89-139.
PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar . Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. UNESC, PRÓ-REITORIA DE ENSINO. Formalização do Setor de Educação a Distância. Criciúma: Unesc, 2003
(IPAEduc- 127- 12/06)
A prática da EAD - Faculdades Associadas de Uberaba
(*)PEREIRA, M.A.M. ;
(**)BORGES, M.
Resumo: Os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas duas últimas décadas do século XX impactaram profundamente as relações de produção da sociedade. As mudanças no processo de produção, no perfil dos trabalhadores, nas relações de trabalho, nos hábitos de consumo, por sua vez, apresentaram uma nova economia da educação, sustentada na inovação tecnológica e na difusão da informação, supondo bases mínimas de escolarização que o capital necessitaria para fazer frente às novas necessidades de qualificação e requalificação . A FAZU atua no ensino de graduação, na pós-graduação, na pesquisa, na extensão e na prestação de serviços, assumindo seu compromisso com o desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cidadania. Na sua essência, oferece subsídios à alteração da estrutura produtiva com modernização da economia regional e nacional. A FAZU é credenciada pelo MEC, desde março de 2004, para ministrar cursos de pós-graduação “lato sensu“ na modalidade a distância. Além disto, a partir de 2005, o curso de Licenciatura em Computação passou a fazer uso da portaria nº 2.253, oferecendo algumas disciplinas na modalidade a distância, até 20% da carga horária total dos seus cursos de graduação presenciais. Para 2007, a FAZU espera consolidar seu programa de pós-graduação oferecendo 11 cursos de especialização “lato sensu”, sendo que todos eles serão na modalidade semi-presencial, com diferentes cargas horárias presenciais e a distância. Também para 2006 esperamos a visita dos especialistas do MEC para autorização dos cursos de Licenciatura em Letras e Licenciatura em Computação a distância.
Palavras chave: administração acadêmica, ensino superior, educação a distância.
Introdução
Os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas duas últimas décadas do século XX impactaram profundamente as relações de produção da sociedade.
As mudanças no processo de produção, no perfil dos trabalhadores, nas relações de trabalho, nos hábitos de consumo, por sua vez, apresentaram uma nova economia da educação, sustentada na
inovação tecnológica e na difusão da informação, supondo bases mínimas de escolarização que o capital necessitaria para fazer frente às novas necessidades de qualificação e requalificação. O reconhecimento da importância das novas tecnologias da comunicação e informação na educação e seus impactos na vida pós-moderna passa a fazer parte das discussões em torno do papel da escola, diante desse novo contexto.
O uso da tecnologia na Educação não deve ser encarado apenas como uma inovação pedagógica – uso de novos meios e instrumentos. É necessário saber no que os diferentes recursos tecnológicos podem contribuir para a Educação, isto é, identificar “quando”, “por quê” e “como” a tecnologia pode auxiliar o ensino. Só assim os recursos tecnológicos podem ser colocados a serviço dos objetivos pedagógicos.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) salientam que “aprender a utilizar a tecnologia diz respeito a compreender e utilizar o conhecimento científico-tecnológico”.
Nesse sentido, a criação de cursos a distância é fundamental para a sociedade da informação e comunicação como possibilidade de formar de forma continuada profissionais que consigam a integração das novas tecnologias com suas áreas de atuação.
A história da FAZU
As Faculdades Associadas de Uberaba – FAZU têm como missão “Educação para o desenvolvimento humano, tecnológico e científico da sociedade, assumindo o compromisso de ser centro de referência nos avanços tecnológicos, na oferta de oportunidades e na prestação de serviços à comunidade”, na perspectiva de formar um profissional competente, criativo, solidário, humano e eficiente no uso das tecnologias.
A sua criação surgiu da aspiração de atender às demandas do rápido progresso na região de Uberaba, que em virtude de sua localização geográfica e da existência de excelentes pastagens e de terras férteis, desenvolveu uma forte tendência para a agropecuária.
Considerada uma região promissora, a partir do ano de 1886, é introduzido no município de Uberaba, o gado Zebu. O registro dessa informação é divulgado pela Sociedade Rural do Triângulo Mineiro – SRTM que obedecendo às novas orientações da legislação transformou-se em 25/03/1967 em Associação Brasileira dos Criadores de Zebu – ABCZ, como entidade especializada na prestação de serviços técnicos relacionados à pecuária zebuína.
Diante desse contexto, cresce a aspiração pela criação de um centro de ensino superior dedicado às Ciências Agrárias em Uberaba, já conhecida como tradicional centro universitário.
Assim, em 24 de agosto de 1973, a ABCZ – Associação Brasileira de Criadores de ZEBU, instituiu a Fundação Educacional para o Desenvolvimento das Ciências Agrárias – FUNDAGRI, com o objetivo de ser a entidade mantenedora da Faculdade a ser criada.
Em 30/06/1975 através do Decreto Federal nº 75.921 foi autorizado o funcionamento do curso de Zootecnia da Faculdade de Uberaba – FAZU, a primeira de Minas Gerais e a terceira do país. Seu primeiro vestibular ocorreu em julho de 1975, e o seu reconhecimento em 03/07/1979 pelo Decreto Nº 83.679.
A FAZU é uma Instituição que atua desde 1975 no ensino superior, na área das Ciências Agrárias, que superando tradições, pressupondo a construção da identidade institucional concebida permanentemente, extraindo da realidade regional e nacional suas necessidades sociais, instituiu em 2001, cursos da área de Ciências Humanas.
O desenvolvimento da instituição, com a oferta de outros cursos de graduação e alterações em sua denominação, é apresentado a seguir:
ANO |
CURSOS |
SITUAÇÃO |
1975 |
Zootecnia |
Faculdade de Zootecnia de Uberaba – FAZU |
1989 |
Agronomia |
Faculdade de Agronomia e Zootecnia de Uberaba – FAZU |
1997 |
Medicina Veterinária
|
Convênio entre a Universidade de Uberaba – Uniube, Associação Brasileira dos Criadores de Zebu – ABCZ, Fundação Educacional para o Desenvolvimento das Ciências Agrárias – FUNDAGRI e a Faculdade de Agronomia e Zootecnia de Uberaba – FAZU. |
2000 |
Engenharia de Alimentos |
Faculdade de Agronomia e Zootecnia de Uberaba – FAZU. |
2001 |
Licenciatura em Letras e Secretariado Executivo ( Noturno). |
Faculdade de Agronomia e Zootecnia de Uberaba – FAZU. |
2002 |
Licenciatura em Computação (Noturno)
|
Visando atender as novas áreas de atuação, a Faculdade solicitou ao MEC alteração no seu regimento e na sua denominação.
Conforme Portaria Nº. 1804 de 20 de Junho de 2002, publicada no Diário Oficial da União de 21/06/2002 – pág. 23 – Seção I, a faculdade passou a ser denominada: “Faculdades Associadas de Uberaba – FAZU” |
2004 |
Pós-Graduação Lato Sensu na Modalidade a Distância
|
Recebeu, em Março de 2004, o credenciamento do MEC para ministrar cursos de Pós-Graduação Lato Sensu na modalidade a distância, conforme Portaria Nº. 655, de 17/03/2004 e publicada no Diário Oficial da União do dia 18/03/2004. |
2005
|
|
Retificação de Portaria de Credenciamento para oferta de cursos de Pós-Graduação em todas as suas áreas de competência acadêmica, conforme Portaria nº 2787 de 17/08/2005 e publicada no Diário Oficial da União em 18/08/2005. |
2006 |
Sistemas de Informação(Noturno). |
Faculdades Associadas de Uberaba – FAZU |
Na área de pós-graduação “lato sensu” ofereceu os seguintes cursos:
1996 – Agribusiness, Gestão e Controle, parceria com a UNAERP.
1996/1997 – Análise de Sistemas, parceria com a UNAERP.
1999/2000/2001/2002 – Julgamento de Raças Zebuínas parceria com a ABCZ.
2001/2002 – Manejo da Pastagem.
2000/2001/2003 – Educação Ambiental.
2002/2003 – “Educação Ambiental” na cidade de Teófilo Otoni, resultado de um convênio de parceria com o Instituto de Engenharia Arquitetura e Agronomia da referida cidade;
2003 – Nutrição e Alimentação de Ruminantes, parceria com a UNESP/Jaboticabal.
A FAZU atua no ensino de graduação, na pós-graduação, na pesquisa, na extensão e na prestação de serviços, assumindo seu compromisso com o desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cidadania.
Na sua essência, oferece subsídios à alteração da estrutura produtiva com modernização da economia regional e nacional, possibilita a construção dos saberes, inserindo sem dificuldades, os egressos no mercado de trabalho.
O Campus da FAZU, onde funciona a sua sede, está instalado em uma vasta área que contempla 186 hectares. Compõem este complexo o Hospital Veterinário de Uberaba - HVU, laboratórios, salas de aulas, biblioteca, Núcleo de Excelência em Engenharia de Alimentos - NEEA, Oficina Acadêmica, área de convivência, e núcleo de moradias para funcionários da Fazenda Escola, onde são desenvolvidas atividades variadas do setor de produção rural.
Para o desenvolvimento dos cursos, a faculdade dispõe de amplos e modernos laboratórios, uma biblioteca totalmente informatizada dotada de completo acervo na área das Ciências Agrárias e Humanas e setor de informática interligado por rede e fibra ótica, permitindo ao aluno acessar as diversas fontes de informação on-line.
Convênios e parcerias com empresas e instituições de ensino, pesquisa e extensão, permitem aos alunos a realização de estágios, assim como possibilitam à Instituição o desenvolvimento de seus projetos de produção e de pesquisa.
Durante todo o ano, a FAZU realiza diversos eventos tais como, dias de campo nas áreas de pastagem e produção de silagem, oficinas de produção de texto e leitura, encontro com escritores, jornada científica, workshop de Computação, simpósios e projetos diversos voltados para a formação acadêmica, visando proporcionar ao futuro profissional um conhecimento amplo, dinâmico e atual.
A educação a distância na FAZU
A FAZU é credenciada pelo MEC, desde março de 2004, para ministrar cursos de pós-graduação “lato sensu“ na modalidade a distância. Além disto, a partir de 2005, o curso de Licenciatura em Computação passou a fazer uso da portaria nº 2.253, que autorizou as instituições de ensino superior do País a oferecerem, na modalidade a distância, até 20% da carga horária total dos seus cursos de graduação presenciais.
Segundo Maia (2003), esta Portaria será responsável pela transformação do ensino superior brasileiro. Primeiro, porque ela permitiu às Instituições de Ensino Superior (IES) a discussão de como desenvolver, pensar, propor e criar metodologias de ensino que utilizem novas maneiras de ensinar e aprender. Segundo, porque ela demonstra a ampla visão do Ministério da Educação e seu desejo de promover e ampliar o acesso à informação e ao conhecimento por intermédio de tecnologias interativas de ensino-aprendizagem, o que vai trazer potencialidades e possibilidades de otimização do tempo presencial de professores e alunos.
Segundo Moran (2003), os 20% são uma etapa inicial de criação da cultura do ensino-aprendizagem a distância. A tendência é que, com o passar do tempo, cada instituição de ensino vai definir qual é o ponto de equilíbrio entre o presencial e o virtual em cada área do conhecimento.
A FAZU está desta forma, formando uma cultura de EAD institucionalizada. Professores, alunos e dirigentes estão apreendendo as noções de transformação, vantagens e desvantagens desses novos meios e dessa nova pedagogia.
Segundo Wickert (2004), o processo educacional necessita estruturar-se não só para atender a uma demanda cada vez maior, mas também para atender às novas necessidades do estudante e ao novo perfil do profissional com mudanças no ambiente educacional, maior agilidade no trato da informação, ênfase na metacogniçãoe disponibilização de currículos mais flexíveis, o que exigirá esforços e trabalho das milhares de pessoas e instituições ligadas à educação.
A Declaração Mundial sobre a Educação Superior no Século XXI, promovida pela UNESCO, em Paris, com 4000 educadores de todas as partes do mundo (menos dos EUA), estabeleceu elementos essenciais em que é possível verificar:
- a preocupação com questões sociais;
- a ênfase em valores fundamentais;
- a valorização da diversificação na educação, com o uso de métodos educativos inovadores, que permitem o pensamento crítico e a expansão da criatividade e;
- a ampliação de oportunidades, via Educação a Distância, que envolve projetos de escolas virtuais.
Dentro deste contexto, a FAZU iniciou reuniões com os professores que atuam nos cursos de Licenciatura em Computação e Licenciatura em Letras para discutir a possibilidade de passá-los para a modalidade a distância. Após algumas reuniões, chegou-se a uma proposta que permite o acesso ao ensino superior para pessoas que antes não poderiam, possibilitando a ampliação de oportunidades para a região.
Não podemos esquecer que o que delimita os parâmetros da qualidade da educação é a concepção educacional e não o sistema operacional, que envolve os meios tecnológicos. É a interação das
visões dos componentes da equipe sobre o mundo, o homem e sua filosofia educacional que resulta no sistema de valores implícitos no planejamento e estabelece a diferença na utilização desses meios, como “máquinas de ensinar” sofisticadas, que somente informam, robotizam e massificam ou, ao contrário, como incentivadoras do desenvolvimento do potencial crítico e criativo do aluno.
Conclusão
A FAZU – Faculdades Associadas de Uberaba vem se posicionando no mercado de trabalho local como um núcleo fomentador deste tipo de profissional, através da aplicação intensa, no dia a dia de seus cursos, do princípio de que o aluno tem que se transformar em um profissional crítico e criativo.
Consideramos importante tanto os momentos presenciais como os de estudo e de reflexão individuais. Para que a aprendizagem ocorra é necessário que o estudante internalize e processe o conteúdo e, para isso, deve haver uma reflexão intrapessoal que lhe permita integrar as novas experiências com as já existentes e a organizá-las de acordo com um significado pessoal, pois, segundo Brunner (1971), “quando os estudantes têm a oportunidade de interação entre eles e com seus instrutores, em relação ao conteúdo, podem construir dentro deles mesmos o próprio sentido e encontrar um significado comum para o que estão aprendendo. Muito do aprendizado, inevitavelmente, acontece dentro de um contexto social, e o processo inclui a construção mútua de um entendimento”.
Quando o aluno compartilha conhecimentos, posicionamentos e até sentimentos, quando participa com o grupo da solução de um problema e verifica a diversidade de alternativas apresentadas, há um enriquecimento pessoal.
Portanto, os futuros cursos a distância da FAZU não se fundamentarão no estudo solitário, em que o indivíduo conte não somente com o material educativo para desenvolver a sua aprendizagem, mas também com ambientes em que a autonomia na condução do seu processo educativo conviva com a interatividade. Essa interatividade pode ser conseguida e prevista no planejamento, das mais diferentes formas: entre aluno/professor, aluno/com suas próprias experiências e conhecimentos anteriores, aluno/aluno, aluno/conteúdo e aluno/meio, com a utilização dos mais diversos recursos tecnológicos e de comunicação.
O que queremos ressaltar é que não é necessária a presença constante do professor, junto ao aluno, para que a aprendizagem se processe.
Para 2007, a FAZU espera consolidar seu programa de pós-graduação oferecendo 11 cursos de especialização “lato sensu”, sendo que todos eles serão na modalidade semi-presencial, com diferentes cargas horárias presenciais e a distância. Também para 2006 esperamos a visita dos especialistas do MEC para autorização dos cursos de Licenciatura em Letras e Licenciatura em Computação a distância.
Todos estes projetos partem da crença que em um futuro não muito distante, a distinção entre educação a distância e educação presencial não irá mais ser necessária, e todas as instituições ligadas à educação, estarão mais preocupadas com a qualidade do aprendizado e a transformação do ambiente pedagógico para atender às necessidades do aluno do que com a categorização das formas que "mediatizam” a ação educativa.
Estes projetos são, para a FAZU, um veículo para levá-la a este estágio.
(*)Mestre em Ciências da Informação pela PUCCAMP, coordenador de Educação a Distância das Faculdades Associadas de Uberaba, Av. do Tutunas, 720 – CEP 38061-500, Uberaba – MG, e-mail: marco@fazu.br.
(**)
Mestre em Educação pela UFU, professora dos cursos de Licenciatura em Letras, Licenciatura em Computação e Secretariado Executivo das Faculdades Associadas de Uberaba, Av. do Tutunas, 720 – CEP 38061-500, Uberaba – MG, e-mail: marisa@fazu.br.
Referências
BRUNNER, J. O Processo da educação. São Paulo: Nacional, 1971
FAZU – MG. PDI - Plano de Desenvolvimento Institucional. Uberaba - MG: FAZU, 2004.
MAIA, C. Portaria 2.253: oportunidades e desafios para o ensino superior. In: MAIA, C. (Org.). Guia brasileiro de educação a distância 2002/2003. São Paulo: Esfera, 2002.
MORAN, J.M. Contribuições para uma pedagogia da educação online. In: SILVA, M. (Org.). Educação online. São Paulo: Loyola, 2003.
ORTH, A.I; COSTA, C.M.; RUIZ, D.D.; AUDY, J.L.N. Uma proposta de Plano Pedagógico para a matéria de formação complementar dos cursos de Sistemas de Informação.IN: II CURSO: QUALIDADE DE CURSOS DE GRADUAÇÃO DA ÁREA DE COMPUTAÇÃO E INFORMÁTICA (CURITIBA: 15-16/07/2000). Anais… Curitiba-PR: Champagnat, 2000. P. 337-358.
SESu-MEC. Diretrizes Curriculares para cursos da área de Computação e Informática. Brasília - DF: MEC, 1998.
WICKERT, M.L. O Futuro da Educação a Distância no Brasil. Palestra apresentada na Mesa Redonda sobre o mesmo título na Universidade de Brasília, em 05/04/1999.
(IPAEduc- 128- 12/06)
A prática da EAD - Centro Universitário Claretiano
(*)
Prof. Dyjalma Antonio Bassoli
Localizado na cidade Batatais , no pujante nordeste paulista , o Centro Universitário Claretiano, dirigido pelos Missionários Claretianos, começou a sua atuação no ensino superior no ano de 1970, com a fundação da Faculdade de Educação Física de Batatais . Em março de 2001 transforma-se em Centro Universitário e passa a denominar-se Centro Universitário Claretiano – CEUCLAR.
A primeira ação educativa a distância do Centro Universitário Claretiano surgiu em 1997, com o programa de televisão “O assunto é...”, veiculado mensalmente pela Rede Vida de Televisão em rede nacional . O programa visava a informar a população a respeito de assuntos ligados à área da Saúde , especificamente Fisioterapia e foi exibido durante três anos .
Reconhecendo a Educação a Distância (EAD) como uma modalidade que democratiza o acesso à educação , flexibilizando os estudos e favorecendo o desenvolvimento da autonomia dos educandos , a mantenedora do CEUCLAR, Ação Educacional Claretiana, começou, em 1998, a desenvolver pesquisas e estudos a respeito da aplicação de recursos tecnológicos na educação . Em princípio , foram desenvolvidos ambientes virtuais para desenvolvimento de cursos de extensão ; em seguida foram iniciadas simulações de Salas de Aula Virtuais como complementos pedagógicos aos cursos presenciais.
No ano de 2002, iniciou-se a oferta de parte das disciplinas ministradas na modalidade a distância , nos cursos presenciais reconhecidos ( Portaria n° 2.253 de 18/10/2001 publicada no DOU de 19/10/2001, atualmente revogada pela Portaria n° 4.059, de 10 de dezembro de 2004). As primeiras ações aconteceram no Curso de Complementação Pedagógica para licenciados em outras áreas . Na mesma ocasião foi criado o Núcleo de Ensino a Distância (NEAD), o embrião do que seria a atual Coordenadoria Geral de Educação a Distância (CEAD). Prosseguindo na oferta de disciplinas semipresenciais em cursos presenciais reconhecidos, em 2003 o Centro Universitário Claretiano oferece na graduação presencial as disciplinas de Metodologia da Pesquisa Científica e Língua Portuguesa, prosseguindo suas ofertas até os dias atuais .
A educação a distância também veio prestar importante contribuição no acompanhamento dos alunos em dependência e adaptação de disciplinas ao
longo dos seus cursos de graduação presenciais. A maioria dos discentes dos cursos presenciais do CEUCLAR é de curso noturno , que trabalha durante o dia e viaja das cidades vizinhas a Batatais para cursar a faculdade à noite . Nestas circunstâncias , o aluno em dependência ou que necessita cursar uma adaptação curricular fica impossibilitado de comparecer a aulas presenciais fora do seu horário de estudos . Para eles , a Sala de Aula Virtual representa um grande avanço , à medida que o acompanhamento da disciplina pode ser feito no horário que melhor lhe aprouver, dispondo de um canal aberto de comunicação com o professor da disciplina . Pela Sala de Aula Virtual , os alunos podem entregar atividades , consultar o docente e acessar material de apoio aos estudos .
Toda esta atividade está embasada em um Sistema Gerenciador de Aprendizagem próprio , construído exclusivamente para as atividades em EAD institucionais da Mantenedora, viabilizando e dando suporte à implementação das disciplinas e tecnologias alternativas em programas e projetos educativos , semipresenciais ou a distância , em todos os níveis .
As primeiras ações da Instituição para criação de cursos superiores a distância aconteceram na pós-graduação . O NEAD, juntamente com a Coordenadoria Geral de Pós-Graduação , iniciou os estudos da proposta de cursos a distância a partir da área de Educação . A visita in loco de avaliadores do Ministério da Educação visando o credenciamento , aconteceu em 2002. Esta visita gerou o credenciamento da Instituição para a oferta de pós-graduação a distância pela Portaria MEC 3.100, de 31 de outubro de 2003 (publicada no D.O.U. em 03 de novembro de 2003).
Considerando o amadurecimento institucional e a perspectiva de crescimento da Educação a Distância , o Centro Universitário Claretiano inicia em 2003 seus estudos para oferta de graduação , iniciando com os cursos de Licenciatura em Filosofia e Licenciatura em Computação solicitando neste mesmo ano junto ao Ministério da Educação outra visita in loco para avaliação dos mesmos e credenciamento institucional para atuação na graduação à distância , uma vez que , a esta época , ainda as instituições eram avaliadas separadamente para ofertas de pós-graduação e graduação , e mesmo seqüenciais , a distância . Também as IES eram avaliadas para credenciamento e autorização de cada curso que viesse a ser oferecido.
No início de 2004 são iniciadas as ofertas de Cursos de Especialização a Distância . Os cursos oferecidos são : Educação Infantil e Alfabetização, Educação Especial , Nutrição e Condicionamento Físico . Ainda em 2004, após estudos entre a CEAD e a Coordenadoria Geral de Pesquisa , foi implantado o uso do Sistema Gerenciador de Aprendizagem, mais especificamente a ferramenta Blog ( atualmente denominada Portfólio), para orientação de monografias nos cursos de Graduação presenciais. Também foi introduzida a disciplina de Tecnologia Educacional para Educação a Distância , que era oferecida como suporte , para que houvesse um nivelamento junto aos alunos dos cursos de graduação
presenciais reconhecidos ou não , para que servissem de apoio à oferta de disciplinas oferecidas semipresencialmente.
Caminhando junto ao crescimento da modalidade EAD e do aprimoramento do Sistema Gerenciador de Aprendizagem, o Centro Universitário Claretiano investiu continuamente na capacitação de seus docentes para uso da tecnologia e inserção de seus docentes na nova modalidade de educação . Os integrantes da Coordenadoria de Educação a Distância (CEAD) são os responsáveis por ministrar continuamente cursos de capacitação docente .
Em maio do ano de 2004, o Centro Universitário Claretiano foi visitado pelo Ministério da Educação para a avaliação dos cursos a Distância em Licenciatura em Filosofia e em Licenciatura em Computação . Os projetos pedagógicos e a estrutura criada para a oferta dos cursos obtiveram uma avaliação muito positiva . Como , até então , as ofertas de cursos eram avaliadas uma a uma, a Instituição se preparava para que , no segundo semestre de 2004, acontecesse outra visita in loco para avaliar os cursos de Pedagogia e Letras à distância .
Em 10 de novembro de 2004, foi publicado no Diário Oficial da União a Portaria nº 3.635, de 9 de novembro de 2004, credenciando o Centro Universitário Claretiano no Ministério da Educação para oferecer cursos superiores à distância no Estado de São Paulo. Esta portaria , de modo inédito , garantiu autonomia universitária em EAD à Instituição .
Com a obtenção da autonomia universitária em EAD ao Centro Universitário Claretiano, foram oferecidos os seguintes Cursos de Graduação na modalidade à distância : Licenciatura em Filosofia , Licenciatura em Computação , Licenciatura em Letras , Licenciatura em Pedagogia com habilitações em Magistério da Educação Infantil e Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental , e Licenciatura em Pedagogia com habilitações em Administração , Orientação e Supervisão Escolar do Ensino Fundamental e Médio . Também são oferecidos os seguintes cursos no nível de Pós-Graduação : Psicopedagogia no Processo Ensino Aprendizagem, Psicopedagogia: Abordagem Clínica dos Processos de Aprendizagem, Educação Infantil e Alfabetização, Educação Especial , Metodologia da Língua Portuguesa, Direito Educacional e Gestão Ambiental.
Em agosto de 2004, o Centro Universitário Claretiano passa a integrar a Comunidade Virtual de Aprendizagem da Rede de Instituições Católicas de Ensino Superior (CVA-RICESU), um consórcio formado por Instituições de Ensino Superior renomadas. Dentre elas : PUC-Campinas, PUC-PR, PUC-RS, UCDB, UCB, UCSAL, UCG, UCPEL, UNISINOS, UNISANTOS, UNICAP, PUC-MG, PUC-SP, USC e UNILASSALE. Esta parceria conferiu maior credibilidade ao projeto de Educação a Distância do Centro Universitário Claretiano e com isso ampliou seus horizontes de atuação , reafirmando com intensidade o seu objetivo : a inclusão social e a democratização dos saberes .
A CVA-RICESU, comprometida com a diversidade e o pluralismo de idéias , visa a desenvolver processos e produtos educacionais que tenham como foco a interação entre os agentes da aprendizagem na busca permanente de inovação educacional . Dentre os principais produtos desta parceria está a Biblioteca Digital . Este é um espaço no qual , progressivamente , as instituições consorciadas disponibilizam suas produções científicas ( artigos , teses e dissertações ) para uso , como objetos de aprendizagem, de alunos de EAD das instituições consorciadas. Esta Biblioteca Digital é o resultado de um projeto cooperativo, cujo objetivo é facilitar e promover o acesso à produção científica das instituições da Rede pelos seus alunos da educação a distância . Atualmente , a Biblioteca Digital CVA-RICESU inclui teses , dissertações e artigos de periódicos publicados pelas instituições integrantes da Rede . Conjuntamente , as instituições presentes nessa parceria produzem uma revista digital (Colabor@), na qual são apresentados assuntos sobre educação e educação a distância . A revista , de caráter científico e acadêmico , é publicada em formato digital na Internet e editada trimestralmente pelas universidades componentes da CVA-RICESU. Essa revista é dedicada preferencialmente às áreas de educação distância , aprendizagem colaborativa, comunidades virtuais de aprendizagem e à educação mediada pelas tecnologias de comunicação e informação , tratadas sob enfoque multidisciplinar .
Como o credenciamento institucional do Centro Universitário Claretiano limitava suas ações em EAD no território paulista , a CEAD solicitou novamente avaliação do Ministério da Educação para ofertar seus cursos superiores na modalidade de Educação a Distância em outras unidades da federação .
Considerando as estruturas já existentes em Colégios e comunidades Claretianas em outros Estados , foi avaliada sistematicamente a possibilidade de o Centro Universitário Claretiano implantar estas atividades . A Portaria nº 557, de 20 de fevereiro de 2006, é o resultado deste processo e foi publicada no Diário Oficial da União em 21 de fevereiro de 2006, em que autoriza o Centro Universitário Claretiano a ofertar seus cursos a distância em pólos localizados em outras unidades da federação , estabelecendo parcerias com outras instituições para a realização de encontros presenciais.
Ainda em 2005, toda a atividade acadêmica em Educação a Distância do Centro Universitário Claretiano passa por outra avaliação sistemática . Por determinação do MEC ( Portaria nº 2.202, de 22 de junho de 2005) foram designadas comissões pelo Departamento de Supervisão do Ensino Superior da Secretaria de Educação Superior - DESUP/SESu, para a verificação in loco e o acompanhamento da oferta dos cursos superiores à distância do Centro Universitário Claretiano, avaliando o primeiro ano de seus cursos .
Esta avaliação resultou no Relatório n.º 730/2005-MEC/SESu/DESUP/ COSI, de 24 de novembro de 2005 , o qual , após a verificação in loco da oferta dos cursos superiores à distância oferecidos pelo Centro Universitário Claretiano, teve um parecer favorável , aprovando o prazo inicialmente concedido na portaria de credenciamento da Instituição para a oferta de cursos superiores à distância .
Continuando seu projeto de implantação de cursos de graduação a distância , a partir de 2006 nascem novos cursos em EAD no Claretiano. São oferecidos os cursos de Administração , Ciências Contábeis, Planejamento Administrativo e Programação Econômica e Programa Especial de Formação Pedagógica (nas áreas de Filosofia , Matemática , Letras e Biologia ).
No final do primeiro semestre de 2006, o Claretiano solicita ao MEC o reconhecimento de seis de seus doze cursos de graduação oferecidos a distância ( Programa Especial de Formação Pedagógica , com habilitação em Matemática , Filosofia , Letras e Biologia , e dos cursos de Pedagogia – Licenciatura em Pedagogia com habilitações em Magistério da Educação Infantil e Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental , e Licenciatura em Pedagogia com Habilitações em Administração , Orientação e Supervisão Escolar do Ensino Fundamental e Médio ). Obteve recomendação para reconhecimento de todos os cursos avaliados, tendo publicado, até este momento da redação deste artigo , as duas portarias de reconhecimento dos cursos de Pedagogia ( Portarias MEC 991 e 992, de 29 de Novembro de 2006, publicada no DOU em 01 de Dezembro de 2006).
Atendendo ao que propõe a Resolução nº 1, de 15 de maio de 2006, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Licenciatura em Pedagogia , o Claretiano reformula suas duas ofertas em Pedagogia , transformando seus cursos em uma única oferta , o curso de Licenciatura em Pedagogia , atendendo às orientações emanadas pelo Ministério da Educação e Conselho Nacional de Educação .
Outra ação implantada no Programa de EAD Claretiano em 2006, foi a realização da Avaliação Institucional on-line . Como regularmente acontece, a Comissão Própria de Avaliação (CPA) implanta as ações de avaliação institucional no CEUCLAR. Ao final de cada semestre , há uma nova etapa de avaliação, contemplando a análise das disciplinas cursadas no período . Simultaneamente a esta atividade , em 2006, a CPA disponibilizou aos alunos de EAD uma nova forma de responder a esta avaliação, utilizando o Sistema Gerenciador de Aprendizagem. Isto deu mais rapidez e agilidade na gestão dos resultados . Inicialmente os alunos tiveram à sua disposição um ambiente de on-line de testes e, posteriormente , a implantação e fase de coleta de dados . Esta avaliação, que contempla questões objetivas e subjetivas, visa a repensar os modos de atuação , os objetivos e os resultados possibilitados pelas ações realizadas para os cursos de graduação e pós-graduação na modalidade de EAD. Esta representa, portanto , um instrumento com o qual se procura identificar problemas , corrigir eventuais erros e introduzir mudanças que signifiquem uma melhoria imediata da qualidade de nossos cursos e confirmar acertos .
Em 2007, novos cursos serão oferecidos pelo Claretiano, somados àqueles em oferta atual . São eles : Teologia e Ciências da Religião e um grupo de cursos Tecnólogos , integralizados em dois anos , Gestão de Recursos Humanos , Gestão Financeira , Logística , Negócios Imobiliários , Comércio Exterior , Design Gráfico ,
Gestão Ambiental, Marketing , Processos Gerenciais e Produção Multimídia . Além dos cursos de Graduação semipresenciais e a distância , o Claretiano oferece cursos de Especialização nas modalidades semipresencial e a distância , e cursos de extensão a distância .
Os pólos , estruturas descentralizadas para execução dos momentos presenciais dos cursos , serão em número de 20 para as atividades do ano de 2007. No Estado de São Paulo, estão instalados nas cidades de Araçatuba, Barretos, Batatais , Bragança Paulista , Campinas , Caraguatatuba, Guaratinguetá, Mogi das Cruzes , Rio Claro , Santo André, São José do Rio Preto , São José dos Campos , São Paulo, São Sebastião e Taubaté, no Estado Minas Gerais em Belo Horizonte e Muzambinho, no Estado de Rondônia em Jiparaná e Porto Velho , além da cidade de Taguatinga, no Distrito Federal .
A expansão geográfica , a oferta de cursos e o ingresso de novas turmas , motivaram a reestruturação do modelo de educação a distância adotado pelo Centro Universitário Claretiano, implantando novas tecnologias para a transmissão de aulas para os pólos credenciados. Como resultado desta reestruturação , surge a inserção de novos agentes ( docentes e técnico-administrativos) e recursos telemáticos ( vídeo e áudio-aulas). No modelo de EAD do CEUCLAR, as vídeo e áudio-aulas compreenderão eventos de ensino-aprendizagem apoiados por recursos tecnológicos analógicos e digitais , aplicados na modelagem, na organização e na apresentação de conteúdos .
Outra novidade para 2007, será o início de ações internacionais em EAD no CEUCLAR, visando à integração das Comunidades Claretianas da América Latina . Assim , já estão em fase de conclusão alguns convênios entre o Centro Universitário Claretiano e outras instituições Claretianas. Na Argentina com o CEFYT ( Centro de Estudios Filosóficos y Teológicos , de Córdoba) e no Chile com a Comunidade Claretiana de San Tiago, ambas na perspectiva de oferta de cursos livres , para formação de agentes de pastoral , leigos , lideranças populares , religiosos e formação continuada do clero .
Continuamente, novas ações serão implementadas no programa de EAD do Claretiano, pautadas nas exigências percebidas no cotidiano e nos estudos prévios às novas necessidades . A Instituição visualiza um novo perfil docente e discente que não é pautado na modalidade presencial, nem na modalidade a distância . A EAD faz surgir um novo modelo de professor , que nos dias de constante revolução tecnológica e necessidade de comunicação sincrônica e assincrônica, é capaz de dialogar de maneira mais ampla e efetiva com a sociedade e com as novas exigências tecnológicas, favorecendo assim o processo de aprender a aprender , ou seja, o comprometimento com a autoformação, pautado na constante reflexão crítica , na autonomia e no protagonismo do próprio desenvolvimento .
O CEAD/CEUCLAR percebe que a EAD no Brasil tem visado a democratização do ensino , autonomia , emancipação , aproximação da tecnologia ,
e, portanto , não há porque resistir aos cursos a distância . Há que se perguntar como utilizar essa modalidade na realização de um atendimento personalizado, de um contato mais profundo com a pessoa humana e com promoção de educação de qualidade .
O Claretiano acredita que ter realizado um curso a distância significa saber que se aprendeu a administrar seu tempo , pois a EAD possibilita flexibilidade na utilização do tempo . Significa que adquiriu autonomia , maturidade e responsabilidade para estudar e pesquisar , pois não é necessário sair de casa para estudar , podendo se dedicar ao curso no momento que julgar mais oportuno , a qualquer hora do dia ou da noite , não estando preso à sala de aula ou a figura do professor .
Entendemos que o aluno participa efetivamente e é o centro da gestão do processo educativo . A formação do profissional , por meio dos métodos de EAD, insere-o numa esfera de maior percepção do permanente desenvolvimento tecnológico , que deverá encarar durante toda sua vida profissional , capacitando, assim , para incorporação e assimilação crítica das constantes novidades e paradigmas inovadores propostos pela sociedade . Significa participar de um grupo de profissionais com um perfil mais abrangente. Em breve notar-se-á que o currículo marcado pela EAD será parâmetro de qualidade e seleção no mercado de trabalho , tendo em vista que o aluno EAD apresenta maior autonomia de estudo , capacidade de escrita , capacidade de interpretação , independência , domínio de leitura e competência para trabalhos individuais e em equipe por meio de mídias e tecnologias .
(*)
Coordenador Geral de Educação a Distância do Centro Universitário Claretiano. Mestre em Bioengenharia (USP). Membro do Comitê Gestor da Comunidade Virtual de Aprendizagem da Rede de Instituições Católicas de Ensino Superior (CVA-RICESU), Membro fundador da Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia e Membro do Banco de Avaliadores do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – BASis (INEP/MEC.
(IPAEduc- 129- 12/06)
O Sistema Universidade Aberta Brasil: o decálogo de informações
O Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação a Distância, elaborou um conjunto de dez pontos básicos para informações gerais sobre o que é, na visão do governo, a Universidade Aberta do Brasil.
Considerando que não podemos ficar à margem dessa nova realidade julgamos necessário transcrever tais aspectos.
A íntegra do documento, elaborado na forma de pergunta e resposta, é a seguinte:
1) O que é a “Universidade Aberta do Brasil” (UAB)?
É o nome dado ao projeto criado pelo Ministério da Educação, em 2005, no âmbito do Fórum das Estatais pela Educação, para a articulação e integração experimental de um sistema nacional de educação superior. Esse sistema será formado por instituições públicas de ensino superior, as quais levarão ensino superior público de qualidade aos Municípios brasileiros que não têm oferta ou cujos cursos ofertados não são suficientes para atender a todos os cidadãos.
2) A UAB será mais uma instituição de ensino superior criada pelo MEC?
Não. O MEC não vai criar uma nova instituição de ensino, mas vai articular as já existentes para levar ensino superior público de qualidade aos Municípios brasileiros que não têm oferta ou cujos cursos ofertados não são suficientes para atender a todos os cidadãos.
3) Onde vai funcionar a sede da UAB?
Como a UAB não é uma nova instituição educacional, ela não terá uma sede ou um endereço. O nome faz referência ao projeto criado pelo MEC para articulação e integração experimental de um sistema nacional de educação superior. (Ver questão n. 1)
4) O que é o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB)?
Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB é a denominação representativa genérica para a rede nacional experimental voltada para pesquisa e para a educação superior (compreendendo formação inicial e continuada) que será formada pelo conjunto de instituições públicas de ensino superior, em articulação e integração com o conjunto de pólos municipais de apoio presencial.
5) Como funcionará o Sistema UAB?
Uma ou mais instituições públicas de ensino superior oferecerão cursos superiores na modalidade de educação a distância, para atendimento dos estudantes nos pólos municipais de apoio presencial. Por exemplo, um município brasileiro não tem oferta de cursos superiores presenciais em sua região, no entanto, a prefeitura desse município construiu um pólo de apoio presencial, o qual servirá de pólo de atendimento de estudantes.
6) Como será o processo de seleção de cursos para o Sistema UAB?
Inicialmente, as instituições públicas de ensino superior vão apresentar propostas de cursos a distância ao MEC. Essas propostas serão avaliadas por uma comissão de especialistas que analisarão a viabilidade de funcionamento dos mesmos nos pólos municipais de apoio presencial para educação a distância, dos Municípios brasileiros que não têm oferta de cursos superiores ou cujos cursos ofertados não são suficientes para atender a todos os cidadãos.
7) O que é um pólo de apoio presencial?
É um espaço físico para a execução descentralizada de algumas das funções didático-administrativas de cursos a distância, organizada com o concurso de diversas instituições, bem como com o apoio dos governos municipais e estaduais.
8) Como é a estrutura física de um pólo de apoio presencial?
Um pólo deverá ser constituído com laboratórios de ensino e pesquisa, laboratórios de informática, biblioteca, recursos tecnológicos dentre outros, compatíveis com os cursos que serão ofertados.
9) O que é a modalidade de educação a distância?
É uma forma de proporcionar e fazer educação, com forte a mediação de novas tecnologias de informação e comunicação (TIC). O Decreto 5.622 que regulamenta a educação a distância no Brasil, caracteriza a modalidade de educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didático–pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos
10) Quem poderá estudar na UAB?
Qualquer cidadão que concluiu a educação básica, foi aprovado no processo seletivo e que atenda aos requisitos exigidos pela instituição pública vinculada ao Sistema Universidade Aberta do Brasil.
(IPAEduc- 130- 12/06)
Encontro Nacional de Tutores de Educação a Distância
Uma importante contribuição vem sendo dada por especialistas de educação a distância no campo dos debates e estudos acerca dos trabalhos realizados pelos tutores.
Organizado de uma maneira diferente, sem patrocínio de organizações formais, mas com a colaboração de diversas empresas que atuam no setor, o I ENATE ocorreu no período de 10 a 21 de julho de 2006.
Tudo ocorreu por meio da internet. O trabalho coletivo aconteceu no seio do grupo de discussão EAD-Br que congrega mais de 1.500 pessoas.
Em 2007 acontecerá o II Encontro.
Informações acerca do que ocorreu pode ser visto, inclusive, no site www.ead.cesumar.br/enate/login/index.php
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