ano 17 - nº 100 - dezembro de 2008
O uso da educação a
distância nos programas sociais
João Roberto
Moreira Alves (*)
A educação a
distância sempre se caracterizou como sendo a melhor alternativa de
democratização dos sistemas de aprendizagem.
Desde as primeiras ações que aconteceram no século XVIII a metodologia foi
adotada para levar o conhecimento a qualquer cidadão, independente de classe
social.
Na primeira fase, onde tudo era feito através de material impresso e com a
remessa pelos correios, existia uma natural restrição de acesso pelos
analfabetos. Somente os conhecedores do idioma é que podiam ler os
conteúdos pedagógicos e interagir com seus professores.
Com o avanço das tecnologias e o surgimento do rádio foi possível
ampliar para todos os segmentos a transmissão de conteúdos através da voz.
Passaram os anos e o cinema reforçou essa possibilidade, com a adição da
imagem.
A televisão surgiu como um novo aliado e proporcionou experiências
positivas.
Mais recentemente a Internet se transformou num veículo de extraordinária
relevância para as comunicações, entretanto ainda com um baixo uso nas
classes menos favorecidas.
Em muito breve teremos a TV Digital como um novo agente de transporte de
conteúdos educacionais para todos os lares.
Apesar de todo esse aparato tecnológico o Brasil usa pouco a educação a
distância em programas sociais.
Temos uma série de projetos governamentais no campo assistencial, mas nenhum
deles agrega novos conhecimentos aos beneficiários.
Milhões de famílias recebem ajuda financeira e material e é louvável o
interesse humanitário de ajudar o próximo.
Mas só isso é o suficiente? Claro que não.
Nenhum jovem terá sucesso na vida se não contar com uma educação de
qualidade. Ademais, se estiver num contexto familiar onde as pessoas tenham
absoluta carência de noções de cidadania, saúde, meio ambiente, educação,
etc, suas chances se reduzem.
Há países, especialmente em desenvolvimento, que investem fortemente em
programas sociais através de educação a distância, usando as mídias corretas
acessíveis ao público-alvo.
O rádio é um extraordinário veículo para os enriquecer os projetos sociais e
pode ser usado, com um pequeno investimento, centrado tão somente em geração
de programas. As emissoras podem transmitir, sem ônus para o
governo, em horários de sua conveniência, conteúdos educacionais que serão
úteis extremamente úteis para a sociedade.
Outra alternativa válida é a de junção de materiais impressos ou CDs de
áudio nas já tradicionais cestas básicas. Além de alimentos, dar-se-á
cultura e educação aos que precisam.
Propostas como essas precisam ser incorporadas pelas autoridades públicas
para que, efetivamente, os programas sociais tenham maior alcance junto à
população.
(*)
Presidente do Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação
(IPAE 161 - 12/08)
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