Perspectivas da Educação
João Roberto Moreira Alves (*)
O início de cada ano provoca reflexões sobre as tendências dos diversos
segmentos da sociedade.
O presente estudo analisa as Perspectivas da Educação para 2012, com
ênfase principal nos assuntos brasileiros.
Logo de início devemos ter em mente que a substituição do ministro da
Educação irá provocar mudanças no cenário da educação nacional. Apesar
da manutenção de uma mesma linha partidária, deverá existir maior
articulação com o Poder Legislativo. O estilo de governo deverá mudar
sensivelmente.
Haverá a aprovação pelo Congresso Nacional do Plano Nacional de
Educação, norteando os programas para o decênio 2011/2020.
A renovação do Conselho Nacional de Educação, que acontecerá no segundo
trimestre, deverá dar esperanças que o órgão voltará a ter um papel de
maior predominância no cenário brasileiro.
Outro destaque serão os fortes investimentos na educação pública
municipal. As eleições de outubro para escolha de novos Prefeitos e
Vereadores irá moldar o quadro político da sucessão presidencial de
2014.
O desenvolvimento da tecnologia aplicada à educação será fortemente
notada no decorrer do ano, com novos equipamentos e sistemas sendo
lançados pelos fornecedores de bens e serviços. Essa realidade
acontecerá no Brasil e no exterior.
Em alguns países, como Coreia do Sul, já existem "robôs professores" que
auxiliam os docentes presenciais nas tarefas mais rotineiras, como
esclarecimento de dúvidas dos alunos, ensino de línguas, história,
geografia e outras disciplinas.
No Brasil haverá um significativo número de escolas, tanto públicas como
particulares, que passaram a incentivar o arquivamento de conteúdos nos
"tablets" ao invés da utilização dos materiais pedagógicos impressos.
Dentro desse cenário haverá um grande mercado para profissionais
trabalharem na migração dos conteúdos convencionais para os digitais.
Os custos dos equipamentos e sistemas de transmissão serão reduzidos.
Notar-se-á uma expansão da banda larga, o que possibilitará um maior
acesso à internet.
Destaca-se que surgirão políticas públicas e de grupos educacionais para
capacitar os profissionais da educação para o maior uso das tecnologias
nos sistemas de aprendizagem.
O ano promete fortes mudanças gerenciais, especialmente dos
estabelecimentos de ensino mantidos pela livre iniciativa.
Maior pressão ocorrerá sobre as universidades, centros universitários e
faculdades que sofrem os reflexos dos atos de regulação e supervisão do
Ministério da Educação.
A concorrência, cada vez mais acirrada, é um outro componente nesse
cenário, que atinge também as escolas de educação básica.
Maior mobilidade terão que ter as unidades de ensino que mantêm cursos
de nível médio eis que o significativo aporte de recursos da União
Federal para os Estados e entidades sem fins lucrativas poderá provocar
migração entre as redes.
Os governos estaduais e municipais receberão mais subsídios para o
aumento da profissionalização na administração das escolas públicas.
A capacitação e atualização dos gestores educacionais estará em
evidência, representando um bom mercado para as instituições que atuam
no setor.
Analisaremos agora algumas tendências sobre a internacionalização da
educação e acerca dos processos de fusão, incorporação e transferência
de mantenças de instituições de educação básica e superior.
O desenvolvimento da economia no Brasil e a retração de mercados,
especialmente o europeu e o americano, irão provocar um maior foco dos
grupos estrangeiros sobre o alunado de nosso país. Já se observa a
implantação de escritórios de representação de universidades de
prrimeira linha e a realização de feiras e exposições onde há uma clara
oferta de cursos no exterior. Nesse ano esse quadro deverá aumentar,
inclusive com a contratação de estandes em congressos que envolvam
educação.
As parcerias tendem a aumentar, não obstante as dificuldades impostas
pelo Ministério da Educação no momento do reconhecimento dos diplomas.
Por essa razão a atenção gira mais para os cursos em áreas onde não há
regulamentação profissional.
Por sua vez as instituições de ensino superior brasileiras, notadamente
as com maior porte, irão buscar alunos no exterior e implantar ações
para atuação nos mercados mais promissores, como os países orientais.
As fusões, incorporações e transferências de mantenças ocorrerão em
menor escala no ensino superior mas ver-se-á crescimento na procura de
escolas de nível médio para transações.
É provável que a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da
Justiça intensifique o acompanhamento dessa concentração do setor
educacional em determinados grupos.
O último bloco do estudos analisa tendências no Poder Judiciário e
aspectos comportamentais dos integrantes da comunidade educacional.
No tocante ao Judiciário é inadiável a decisão pelo Supremo Tribunal
Federal da questão das cotas sociais e raciais. Há ação direta de
inconstitucionalidade pendente de julgamento final, embora já tenham
ocorridos algumas manifestações dos magistrados sobre a matéria. No
âmbito trabalhista algumas demandas se evidenciarão, envolvendo pontos
ligados, em especial, ao trabalho a distância, (onde enquadra-se,
inclusive, a EAD). São possíveis mais questões contenciosas sobre os
sistemas de avaliação adotados pelo Ministério da Educação para alunos e
instituições de ensino.
Por fim vê-se que existem visões otimistas (e também preocupações) por
parte dos educadores e estudantes.
Os aspectos favoráveis decorrem das expectativas de mobilizações em
função da praticamente certa aprovação do Plano Nacional de Educação -
que abrirá perspectivas para inúmeros setores, o crescimento do mercado
educacional, como consequencia da expansão das oportunidades de trabalho
que se notará com os preparativos para os grandes eventos desportivos
(Copa do Mundo e Olimpíadas), o incremento dos setores produtivos (como
os negócios decorrentes da exploração de petróleo e gás em camadas
profundas), bem como de fatores regionais.
O pessimismo de alguns prende-se à ausência de alternativas concretas do
governo para que se possa reverter a política educacional brasileira.
Já no grupo dos esperançosos, onde aliam-se educadores e, especialmente,
alunos, há expectativas de um aumento de recursos para o setor público e
menor intervenção do Estado nas escolas da livre iniciativa.
(*) Presidente do
Instituto de Pesquisas e Administração em Educação
(IPAE 178 - 01/12)
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EXPEDIENTE
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Carta Mensal Educacional
Publicação mensal do Instituto de Pesquisas e Administração
da Educação
Exemplares arquivados na
Biblioteca Nacional de acordo com Lei nº 10.944, de 14 de
dezembro de 2004 (Lei do Depósito Legal).
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Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT
(Centro Brasileiro do ISSN), vinculado ao Ministério de
Ciência e Tecnologia.
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Educação cadastrada no ISBN (International Standard Book
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Administração da Educação
Editor
Responsável - João Roberto
Moreira Alves
Edição e Administração
Instituto de Pesquisas e Administração da Educação
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FICHA CATALOGRÁFICA
Carta
Mensal Educacional
- Nº 1 (fevereiro 1996). - Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas e
Administração da Educação, 1980 - N.1 ; 29.5 cm - Mensal Publicação
do Instituto de Pesquisas e Administração da Educação.
ISSN - 0103-0949
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