Carta Mensal
Educacional

Publicação do Instituto de Pesquisas e Administração da Educação
ISSN 1414-4778

ano 20 - nº 137 - janeiro de 2012

 

Perspectivas da Educação
 

João Roberto Moreira Alves (*)

O início de cada ano provoca reflexões sobre as tendências dos diversos segmentos da sociedade.
O presente estudo analisa as Perspectivas da Educação para 2012, com ênfase principal nos assuntos brasileiros.
Logo de início devemos ter em mente que a substituição do ministro da Educação irá provocar mudanças no cenário da educação nacional. Apesar da manutenção de uma mesma linha partidária, deverá existir maior articulação com o Poder Legislativo. O estilo de governo deverá mudar sensivelmente.
Haverá a aprovação pelo Congresso Nacional do Plano Nacional de Educação, norteando os programas para o decênio 2011/2020.
A renovação do Conselho Nacional de Educação, que acontecerá no segundo trimestre, deverá dar esperanças que o órgão voltará a ter um papel de maior predominância no cenário brasileiro.
Outro destaque serão os fortes investimentos na educação pública municipal. As eleições de outubro para escolha de novos Prefeitos e Vereadores irá moldar o quadro político da sucessão presidencial de 2014.
O desenvolvimento da tecnologia aplicada à educação será fortemente notada no decorrer do ano, com novos equipamentos e sistemas sendo lançados pelos fornecedores de bens e serviços. Essa realidade acontecerá no Brasil e no exterior.
Em alguns países, como Coreia do Sul, já existem "robôs professores" que auxiliam os docentes presenciais nas tarefas mais rotineiras, como esclarecimento de dúvidas dos alunos, ensino de línguas, história, geografia e outras disciplinas.
No Brasil haverá um significativo número de escolas, tanto públicas como particulares, que passaram a incentivar o arquivamento de conteúdos nos "tablets" ao invés da utilização dos materiais pedagógicos impressos.
Dentro desse cenário haverá um grande mercado para profissionais trabalharem na migração dos conteúdos convencionais para os digitais.
Os custos dos equipamentos e sistemas de transmissão serão reduzidos. Notar-se-á uma expansão da banda larga, o que possibilitará um maior acesso à internet.
Destaca-se que surgirão políticas públicas e de grupos educacionais para capacitar os profissionais da educação para o maior uso das tecnologias nos sistemas de aprendizagem.
O ano promete fortes mudanças gerenciais, especialmente dos estabelecimentos de ensino mantidos pela livre iniciativa.
Maior pressão ocorrerá sobre as universidades, centros universitários e faculdades que sofrem os reflexos dos atos de regulação e supervisão do Ministério da Educação.
A concorrência, cada vez mais acirrada, é um outro componente nesse cenário, que atinge também as escolas de educação básica.
Maior mobilidade terão que ter as unidades de ensino que mantêm cursos de nível médio eis que o significativo aporte de recursos da União Federal para os Estados e entidades sem fins lucrativas poderá provocar migração entre as redes.
Os governos estaduais e municipais receberão mais subsídios para o aumento da profissionalização na administração das escolas públicas.
A capacitação e atualização dos gestores educacionais estará em evidência, representando um bom mercado para as instituições que atuam no setor.
Analisaremos agora algumas tendências sobre a internacionalização da educação e acerca dos processos de fusão, incorporação e transferência de mantenças de instituições de educação básica e superior.
O desenvolvimento da economia no Brasil e a retração de mercados, especialmente o europeu e o americano, irão provocar um maior foco dos grupos estrangeiros sobre o alunado de nosso país. Já se observa a implantação de escritórios de representação de universidades de prrimeira linha e a realização de feiras e exposições onde há uma clara oferta de cursos no exterior. Nesse ano esse quadro deverá aumentar, inclusive com a contratação de estandes em congressos que envolvam educação.
As parcerias tendem a aumentar, não obstante as dificuldades impostas pelo Ministério da Educação no momento do reconhecimento dos diplomas. Por essa razão a atenção gira mais para os cursos em áreas onde não há regulamentação profissional.
Por sua vez as instituições de ensino superior brasileiras, notadamente as com maior porte, irão buscar alunos no exterior e implantar ações para atuação nos mercados mais promissores, como os países orientais.
As fusões, incorporações e transferências de mantenças ocorrerão em menor escala no ensino superior mas ver-se-á crescimento na procura de escolas de nível médio para transações.
É provável que a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça intensifique o acompanhamento dessa concentração do setor educacional em determinados grupos.
O último bloco do estudos analisa tendências no Poder Judiciário e aspectos comportamentais dos integrantes da comunidade educacional.
No tocante ao Judiciário é inadiável a decisão pelo Supremo Tribunal Federal da questão das cotas sociais e raciais. Há ação direta de inconstitucionalidade pendente de julgamento final, embora já tenham ocorridos algumas manifestações dos magistrados sobre a matéria. No âmbito trabalhista algumas demandas se evidenciarão, envolvendo pontos ligados, em especial, ao trabalho a distância, (onde enquadra-se, inclusive, a EAD). São possíveis mais questões contenciosas sobre os sistemas de avaliação adotados pelo Ministério da Educação para alunos e instituições de ensino.
Por fim vê-se que existem visões otimistas (e também preocupações) por parte dos educadores e estudantes.
Os aspectos favoráveis decorrem das expectativas de mobilizações em função da praticamente certa aprovação do Plano Nacional de Educação - que abrirá perspectivas para inúmeros setores, o crescimento do mercado educacional, como consequencia da expansão das oportunidades de trabalho que se notará com os preparativos para os grandes eventos desportivos (Copa do Mundo e Olimpíadas), o incremento dos setores produtivos (como os negócios decorrentes da exploração de petróleo e gás em camadas profundas), bem como de fatores regionais.
O pessimismo de alguns prende-se à ausência de alternativas concretas do governo para que se possa reverter a política educacional brasileira.
Já no grupo dos esperançosos, onde aliam-se educadores e, especialmente, alunos, há expectativas de um aumento de recursos para o setor público e menor intervenção do Estado nas escolas da livre iniciativa.
 

(*) Presidente do Instituto de Pesquisas e Administração em Educação

(IPAE 178 - 01/12)

EXPEDIENTE


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FICHA CATALOGRÁFICA

Carta Mensal Educacional
 
 - Nº 1 (fevereiro 1996). - Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas e Administração da Educação, 1980 - N.1 ; 29.5 cm - Mensal Publicação do Instituto de Pesquisas e Administração da Educação.
 ISSN - 0103-0949