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IPAE:
Qual
a análise que a Secretaria de Educação Básica do
Ministério da Educação (SEB/MEC) faz Exame
Nacional do Ensino Médio 2007?
Maria do Pilar:
O
Exame Nacional do Ensino Médio de 2007 é uma
importante ferramenta do processo de acompanhamento
do desenvolvimento e da qualidade do ensino médio
no Brasil. A SEB reitera a compreensão quanto à
importância desse exame como um dos elementos que
subsidiam o MEC na avaliação das políticas do
ensino médio e, por conseguinte, na formulação e
atualização dessas políticas.
Mas
o Enem não é o único parâmetro balizador para a
avaliação do ensino médio e para a formulação
de políticas para essa etapa da educação básica:
o Governo Federal tem novas políticas para o ensino
médio, como o programa do livro didático, merenda
escolar, a inclusão do ensino médio no Fundeb.
Ainda temos o grupo de trabalho composto por
representantes do Ministério da Educação e do
Ministério Extraordinário de Assuntos Estratégicos
para dar prioridade à discussão do currículo e
organização do Ensino Médio.
IPAE:
As
médias ficaram abaixo do esperado?
Maria
do Pilar: Não,
pelo contrário, as médias alcançadas em 2007
atingiram resultados melhores em relação a 2006.
Por exemplo, a média da prova objetiva em 2006 foi
36,9 e subiu para
51,20 em 2007. Já a média da nota da redação
foi de 52,80 e 55,99, em 2006 e 2007,
respectivamente.
No entanto, mesmo com essa melhora nas médias
alcançadas é importante registrar que o
compromisso com a qualidade da educação e do
ensino deve ser renovado permanentemente, como bem
sinaliza o Plano de Desenvolvimento da Educação
(PDE).
IPAE:
O
resultado do ENEM expôs mais uma vez a diferença
entre a qualidade do ensino público e o privado.
Exceto algumas escolas federais, o desempenho das
escolas públicas foi bem pior do que o das
particulares. Isso confirma mesmo a diferença de
qualidade ou existem outros fatores que devem ser
considerados? O que fazer em curto prazo para tentar
equilibrar esse desempenho?
Maria
do Pilar:
É
preciso considerar outros fatores além da diferença
de qualidade das escolas a partir dos resultados do
Enem. Por um lado, o Enem não é uma avaliação
focada na qualidade do ensino, dentre outros
fatores, porque o processo de inscrição é voluntário
por parte do aluno. Em relação à diferença entre
escola pública e particular, é preciso considerar
também o capital cultural dos alunos que compõem a
comunidade escolar dessas instituições. Se nós
observarmos o perfil sócio-cultural e econômico
dos alunos das escolas particulares, em muitas delas
se aproximam, por exemplo, do perfil dos alunos de
algumas escolas públicas, em especial os CEFETS e
escolas federais que apresentam resultados similares
no Enem. Isso pode ser um forte indicador de que o
capital que os alunos trazem da realidade socioeconômica
e cultural também é um fator a ser considerado nos
resultados do Enem.
Ainda assim, devemos reconhecer
que ainda há muito a ser feito na educação pública
para melhoria do ensino médio no Brasil, em termos
de infra-estrutura e carreira docente, por exemplo.
Nesse sentido, o MEC desenvolve um conjunto de ações,
programas e estudos em torno desses eixos, tendo em
vista os projetos de lei sobre piso salarial
nacional, diretrizes nacionais para a carreira dos
profissionais da educação, programas como o Brasil
Profissionalizado e o Pró-Jovem, além de um
conjunto de estudos e discussões realizadas sobre o
currículo, identidade e papel do ensino médio, que
contribuem na construção de uma maior eqüidade
dos resultados do Enem.
IPAE:
Com
algumas exceções, as regiões Norte e Nordeste
apresentaram os piores desempenhos tanto na prova
objetiva quanto na redação, essas regiões
necessitam de uma atenção maior por parte do
governo? Existem projetos para melhorar a qualidade
do ensino dos estados dessas regiões?
Maria
do Pilar:
Sem
dúvida essas regiões necessitam de uma atenção
especial do governo e isso já acontece por meio de
diferentes programas. Uma das ações do Plano de
Desenvolvimento da Educação (PDE) é o Plano de Ações
Articuladas (PAR). Nele, estados e municípios
elaboraram um plano de ações, sendo priorizado o
atendimento pelo MEC dos municípios que apresentam
maiores dificuldades nas avaliações de caráter
nacional, como a Prova Brasil e o Enem, que balizam
a formulação do Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (IDEB).
Por esse critério,
municípios que apresentam baixo IDEB recebem
atendimento priorizado. Ao lado dessas ações,
outros programas do governo, a exemplo dos programas
sociais, que atendem parcelas significativas das
populações dessas regiões,
articulam-se para enfrentar tanto os
problemas da área da educação quanto os problemas
em outras áreas sociais.
IPAE:
De
que forma a pesquisa “Redes de Aprendizagem –
Boas práticas de municípios que garantem o direito
de aprender” pode ajudar a apresentar soluções
para a educação no Brasil?
Maria
do Pilar: O
estudo "Redes de aprendizagem - Boas práticas
de municípios que garantem o direito de
aprender" é importante para iluminar as boas
experiências do Brasil e possibilitar que outras
redes conheçam e aprendam com as ações observadas
nos exemplos das pesquisas, que tenham foco na
aprendizagem, tais como: consciência e práticas de
rede, planejamento, avaliação, valorização do
professor, formação do corpo docente, valorização
da leitura, atenção individual ao aluno,
atividades complementares e parcerias externas.
O
estudo também apontou outros aspectos, considerados
importantes para o sucesso escolar, como o acesso à
educação infantil, infra-estrutura das escolas e
plano de carreira e salários do magistério.
IPAE:
Quais
os pontos mais importantes na pesquisa? Algo te
surpreendeu?
Maria
do Pilar:
A
pesquisa selecionou cidades onde o que faz a diferença
é a escola pública e não a escolaridade dos pais, a renda familiar ou o
desenvolvimento socioeconômico da cidade. Outra
preocupação foi levar em
conta o desempenho de toda a rede municipal, deixando
de fora localidades que tivessem escolas com
resultados muito bons e muito ruins.
Um ponto importante da pesquisa foi
mostrar que todas as cidades selecionadas apresentam políticas que
garantem o direito de aprender. Nenhuma delas tem ações
muito sofisticadas. O que identificamos é a clareza
do projeto pedagógico e do investimento, de forma a
estarem sempre focados no aluno, fazendo coisas
simples, mas ao mesmo tempo difíceis, como garantir o direito de
aprender.
IPAE:
Qual
a importância da realização de eventos como a
Conferência Nacional da Educação Básica?
Maria
do Pilar:
A
1ª Conferência Nacional da Educação Básica foi
um espaço para discutir a educação brasileira com
todos os setores ligados à educação básica, a
fim de melhorar o ensino e promover o efetivo
aprendizado em sala de aula, por meio da integração
entre os sistemas federal, estaduais e municipais.
Dessa forma, à medida que definirmos e
discutirmos melhor o regime de colaboração, as ações
previstas no PDE poderão ser mais eficazes quanto
à sua gestão e operacionalização, tendo como
foco a aprendizagem dos alunos.
IPAE:
Dos
principais temas discutidos, quais a senhora destaca
e que conclusões foram feitas?
Maria
do Pilar:
Durante a plenária final do
encontro, houve consenso entre os 1,4 mil delegados
– representantes de cada estado com poder de voto
– quanto à realização em 2010 de uma conferência nacional de educação, englobando não apenas a
educação básica, mas todos os níveis, etapas e
modalidades de educação.
O destaque da conferência foi a perspectiva
de darmos continuidade aos debates entre todos os
setores ligados à educação acerca do que esperam
de um sistema nacional de educação, dentro do
regime de colaboração entre as esferas federal,
estadual e municipal.
Professores e funcionários de
escolas públicas e privadas, pais, alunos gestores
estaduais e municipais, conselheiros municipais e estaduais de educação, representantes de
movimentos sociais, de tribunais de contas, do
ministério público e de assembléias legislativas
discutiram cinco eixos temáticos durante a Conferência
Nacional de Educação Básica: sistema nacional de
educação; democratização da gestão; construção
do regime de colaboração; inclusão e diversidade;
formação e valorização profissional. Durante as
discussões foram apresentadas propostas para cada
eixo e seus subtemas, discutidos em colóquios. As
propostas aprovadas serão incorporadas ao documento
base da conferência, que deve ficar pronto ainda em
maio, e servirá de referência para a elaboração
ações, programas e políticas educacionais.
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